Itaú Cultural celebra 30 anos com exposição do seu acervo

Mostra abre dia 25, com 750 obras no prédio da Oca, no Parque Ibirapuera

19/05/2017 - 10:48 - Atualizado em 19/05/2017 - 11:57
Instalação de Shirley Paes Leme, que ocupa o subsolo da Oca (Alexsander Ferraz/ATribuna)

Um recorte com 750 obras de arte da maior coleção corporativa da América Latina e oitava do mundo, a do Instituto Itaú Cultural, poderá ser visto na exposição "Modos de Ver o Brasil – Itaú Cultural 30 Anos", que abre ao público no dia 25 deste mês e fica até 13 de agosto, no prédio da Oca, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. O recorte foi feito a partir das 15 mil obras pertencentes ao acervo iniciado em 1960, pelo fundador do Banco Itaú, Olavo Egydio Setúbal (1923-2008). 

A convite, A Tribuna compareceu, na manhã de quarta-feira (17), à coletiva de imprensa e visitou a montagem da exposição, com o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, e o curador da mostra, Paulo Herkenhoff – que trabalhou em parceria com dois jovens curadores, Thais Rivitti e Leno Veras.

Herkenhoff é nome conhecido do meio artístico. Foi presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e fez a curadoria de uma das edições mais comentadas da Bienal de Arte de São Paulo, a 24ª, conhecida como a Bienal da Antropofagia, em 1998.

Pinturas de Eder Oliveira, que retrata anônimos
e moradores de rua (Alexsander Ferraz/A Tribuna)

Ele ressalta que a exposição é um roteiro sobre o Brasil, e que cabe ao espectador escolher o ponto de partida. “É uma flutuação pela cultura brasileira, com aberturas interpretativas, porque o Brasil não se reduz a uma única explicação. Pensamos numa mostra que reunisse diversos núcleos simbólicos sobre o País”, disse o curador.

Os dez mil metros quadrados da Oca estão sendo ocupados por obras em diversas técnicas e suportes, como pinturas, gravuras, esculturas, objetos, vídeos, instalações, colagens, pertencentes a diversos movimentos e contextos artísticos e históricos (vão do século 17 ao 21), assim como etnias. 

Divisão

Os quatro pavimentos (do subsolo ao segundo andar) da Oca estão tomados por arte indígena, colonial, afro-brasileira, barroca, moderna e contemporânea. O que menos veremos, na mostra, é o Brasil do ponto de vista do Império. Modos de Ver o Brasil traz uma representação da história feita pelo povo e representado em seus diversos grupos sociais. “É uma história de vencedores e vencidos”, resume Herkenhoff. 

Como exemplo, há a obra de Cildo Meireles, intitulada Zero Dólar, de 1978, que coloca em discussão valores sociais, ao inserir as imagens de um índio da etnia Krahô e de um paciente psiquiátrico no centro de duas cédulas.

Obra de Carmela Gross é pintada no chão
do subsolo da Oca (Alexsander Ferraz/A Tribuna)

A mostra também é uma viagem pela história da arte, com a reunião de diversos nomes importantes da história da arte brasileira, como Benedicto Calixto (com as pinturas "Itapema, 1889"; e "Porto de Santos", de 1890); Aleijadinho, Portinari, Tomie Ohtake, Hélio Oiticica, Mira Schendel, Beatriz Milhazes, Maria Martins, Claudia Andujar, Carmela Gross, Leonilson, Geraldo de Barros, Louise Borgeois e Shirley Paes Leme. 

Manutenção e acessibilidade

Enquanto as obras eram instaladas no interior da Oca, uma cena chamava a atenção de quem chegava ao prédio, pela manhã: a imagem de funcionários pendurados por cordas, no alto do prédio, fazendo a limpeza e a pintura do mesmo. Esta é uma ação promovida pelo Itaú Cultural, a fim de fazer a manutenção e melhoria da estrutura da Oca, que, segundo Saron e Herkenhoff, também é uma obra de arte e foi projetada por Oscar Niemeyer.

“Queremos deixar algo de perene aos locais que ocupamos. Na Oca, estamos fazendo a impermeabilização e a pintura e melhorando o sistema de alarmes”, contou Saron.

A montagem da exposição também traz a preocupação da curadoria e do Instituto com a acessibilidade. Por isso, haverá tradução em libras, textos em áudio e instalação de piso tátil. 

Serviço - Avenida Pedro Álvares Cabral, 50, Portão 3 do Parque Ibirapuera, em São Paulo, telefone (11) 5082-1777. Visitas de terça-feira a domingo, das 9h às 18h. A entrada é franca.

 

Funcionário pinta exterior da Oca, projetado por Oscar Niemeyer (Alexsander Ferraz/ A Tribuna)

 

 

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