Internet aproxima escritores e leitores

Santistas de três gerações pesquisam, produzem, lançam e divulgam seus livros usando a web

28/11/2017 - 16:19 - Atualizado em 28/11/2017 - 16:47

Foi-se o tempo em que os escritores sumiam de cena por meses ou anos para, entrincheirados em seus escritórios, criarem um novo livro. Hoje, o cenário é diferente. Pelas redes sociais, os leitores acompanham a escrita e a rotina de um escritor em tempo real, e até lê trechinhos de obras inéditas.

A Tribuna tem acompanhado a carreira de autores da Baixada Santista de diferentes gerações e perfis, e escolheu três que estão terminando ou já finalizaram novos títulos: Claudia Sobreira Lemes, Ademir Demarchi e Helle Alves.

Eles são de diferentes gerações e perfis, e estão com novidades para este e o próximo ano, mas nem todos usam a internet para divulgar seus trabalhos. Apesar da presença em redes sociais como Facebook, Helle, aos 91 anos, prefere o contato direto com a imprensa. E foi numa visita dela à redação que soubemos que vai lançar seu primeiro romance. 

Já Ademir é mais presente na internet, mas são seus leitores e amigos que falam dele, e o assunto mais recente é o seu primeiro livro de ensaios. Claudia, que terminou o terceiro romance policial, é a rainha das redes. “Hoje, para publicar, você tem que ser meio famosinho”, declarou ela.

Três gerações de escritores contam como pesquisam, produzem e lançam seus livros usando o mundo virtual como ferramenta 

Claudia Lemes é superconectada

Este foi o ano de Claudia Sobreira Lemes (que assina suas obras como Claudia Lemes), 38, trabalhar com projetos paralelos e colher frutos dos livros de thriller (gênero que reúne suspense e tensão) "Eu Vejo Kate" e "Um Martini com o Diabo". “Trabalhei muito para o canal "Serial Chicks", falando sobre os serial killers mais notórios de todos os tempos, ao lado da psicanalista Paula Febbe, com quem lancei um livro este ano, 'Cartas no Corredor da Morte'”, 

Claudia Sobreira Lemes investe parte do tempo
para trocar ideias com internautas (Foto: divulgação)

A autora fundou e foi eleita presidente da Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (Aberst) e publicou o primeiro trabalho de não-ficção, "Santa Adrenalina: Um Guia para Quem Quer Escrever Thrillers", pela Editora Lendari. 

Paralelamente, Claudia terminou mais um romance, "O Santuário", que planeja publicar em 2018: “Segue o estilo 'domestic noir', nova tendência para thrillers, abordando os segredos e os crimes que acontecem dentro das casas, como em 'Garota Exemplar' e 'Garota no Trem'", explica. 

O novo livro é ambientado numa cidade fictícia no Interior do Estado. Conta a história de quatro garotas que mataram um rapaz em 1996 e, 20 anos depois, são forçadas a encarar os segredos do passado, quando uma delas é encontrada brutalmente assassinada. 

Como se não bastasse, Claudia ainda encontra tempo de conversar com seus leitores na internet, pelo Facebook e YouTube. “Por mais que eu passe muito tempo em cursos e debruçada sobre livros para pesquisar e escrever minhas histórias, a maior fatia de tempo que dedico ao trabalho de escritora é das redes sociais”. 

É por lá que ela troca ideias com leitores, descobre o que acham dos seus livros, mantém contato com editores e autores e divulga o que faz: “Não tem essa de ‘hoje não quero me conectar’. Preciso estar ali todos os dias, responder todos os recados e manter o networking”.

Demarchi usa a web para pesquisa

Para além da promoção de seu trabalho nas redes, Ademir Demarchi, 57, tem direcionado sua curiosidade intelectual para pesquisar temas históricos na internet. São pesquisas que rendem textos dos mais diferentes gêneros. De crônicas e ensaios ao seu primeiro romance: "Relíquia Macabra", previsto para 2018.

Ademir Demarchi lança, dia 17 de dezembro, seu
primeiro livro de ensaios (Foto: divulgação)

Ao conversar com A Tribuna, Demarchi me pediu que procurasse no Google sobre a personagem histórica que inspirou o novo livro: o piloto alemão Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, conhecido como Barão Vermelho – um parente distante da brasileira Suzane von Richtofen, a patricida (quem mata os pais). 

Apesar da história que desperta, por si, a curiosidade do leitor, Ademir prefere guardar segredo sobre o livro. Quer usar a internet para comentar outros assuntos e autores no Facebook e no blog ademirde marchi.wordpress.com – o que não deixa de ser uma maneira de se manter em evidência.

 

Ainda assim, seu trabalho ganha o Facebook por meio de amigos e leitores que o comentam. E o assunto mais recente tem sido o primeiro livro de ensaios de Ademir, "Espantalhos", contemplado pelo Fundo Municipal de Cultura (Facult) e publicado pela Nave Editora, de Florianópolis. Com mais de 300 páginas, a obra será lançada dia 17 de dezembro.

"Espantalhos" reúne 25 ensaios, escritos por Ademir desde 1988, com reflexões sobre a cultura literária no País. “São textos publicados de maneira esparsa, em revistas especializadas ou acadêmicas e de pouco acesso à maioria dos leitores”, conta ele, que escolheu o título fazendo referência ao modo como a classe política e certos intelectuais enxergam o povo, como espantalhos.

Jornalista comemora 91 anos com romance
Helle Alves vai comemorar o seu aniversário de 91 anos, no dia 7 de dezembro, com um bolo e um livro, o dela. É que a jornalista e escritora, conhecida por ter noticiado, em primeira mão, a morte do guerrilheiro Che Guevara, há 50 anos, aproveitou que ficou de molho após quebrar um pé para escrever seu primeiro romance.

“O que você faz quando não pode colocar os pés no chão e passa muitas horas na frente do computador? Escreve”, justificou ela, que, por recomendação médica, não pôde se locomover por três meses este ano. 

Com o nome de "Beco das Calêndulas", Helle reuniu suas observações sobre mulheres que conheceu para criar uma história sobre uma confraria delas, num cenário fictício.

Helle Alves costuma usar o Facebook para 
divulgar seus eventos literários (Foto: divulgação)

“Não sou escritora, sou jornalista. Coloquei todas as mulheres que me marcaram em seis casas, com seis famílias, numa época mais ou menos atual”, descreve Helle, que vai lançar a obra na Estação da Cidadania, a partir das 19 horas.

Ela é autora de vários livros: "Paisagem de Pedra" (poesia), "Envelhecer Não Dói" (autoajuda), "A Hora e a Vez da 3ª Idade" (levantamento sobre o progresso da situação dos idosos); e "Eu Vi" (relato sobre sua vida, reportagens e viagens). Paralelamente à escrita do primeiro romance, ela usou seu Facebook para divulgar um evento do qual é idealizadora e entusiasta: a Festa do Livro, cuja sexta edição aconteceu no último sábado. 

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