Instituto Moreira Salles inaugura sede em São Paulo

Espaço dedicado especialmente à linguagem fotográfica, o IMS funciona na Avenida Paulista

02/10/2017 - 13:03 - Atualizado em 02/10/2017 - 13:08

Uma das instalações que ocupam o espaço da nova sede do IMS (Foto: Rogério Soares/A Tribuna)

Coração financeiro e cultural de São Paulo, a Avenida Paulista ganhou um reforço de peso. Após seis anos de obras, o novo prédio do Instituto Moreira Salles (IMS), no número 2.424 da via, tem nove andares e foi entregue com duas certezas: virou um cartão-postal e o principal centro cultural dedicado ao cinema e à fotografia.

Logo na primeira semana, o IMS – cujo nome homenageia o banqueiro e empresário Walther Moreira Salles (1912-2001) – mostrou que não será um mero coadjuvante em meio aos atrativos culturais daquela efervescente região. Tanto assim que uma exposição grandiosa do fotógrafo norte-americano Robert Frank é prova disso. A célebre série "Os Americanos" chega acompanhada de "Os Livros e os Filmes", um registro e tanto do artista.

Fruto de uma bolsa que recebeu da Guggenheim Fellowship, a viagem de Frank em um velho carro usado pelos EUA durou cerca de nove meses, entre 1955 e 1957, e originou mais de 28 mil fotos, que se tornaram verdadeiros retratos de uma América multifacetada.

“Vamos apostar sempre em exposições de grandes nomes da fotografia, mas também em nomes desconhecidos com projetos embrionários, contemporâneos. E a fotografia não será o único foco do instituto. Vamos trabalhar outras frentes, como uma exposição do Millôr Fernandes e algumas videoinstalações”, explica o coordenador executivo cultural do IMS, Samuel Titan Jr.

E por falar em videoinstalação, o IMS está com uma bem curiosa em suas dependências. "The Clock", de Christian Marclay, é considerada uma obra-prima e recebeu o Leão de Ouro na 54ª Bienal de Veneza, em 2011. Trata-se de uma videoinstalação de 24 horas de duração, composta por milhares de cenas de cinema e televisão que fazem referência ao horário do dia. 

Em todos os casos em que a hora é mencionada ou surge na tela, seja em objetos de pulso ou de bolso, despertadores, torres de igrejas ou mesmo em relógios-cuco, a cena está sincronizada com a hora local do espaço em que a obra está sendo exibida. Entre as produções que aparecem na tela estão "Pulp Fiction", "Taxi Driver", filmes de James Bond ou Indiana Jones, obras de Akira Kurosawa ou de Woody Allen. 

Durante o período de exibição no IMS, até 19 de novembro, "The Clock" terá nove apresentações de 24 horas, sempre de sábado para domingo, permitindo ao público experimentar a obra completa.

"Corpo a Corpo" (Bárbara Wagner, Garapa, Jonathas de Andrade, Letícia Ramos, Mídia Ninja, Sofia Borges), "São Paulo: Três Ensaios Visuais" (acervo histórico do IMS) e "Câmera Aberta" (Michael Wesely) completam o painel de mostras.

O coordenador do IMS ressalta que quase toda a programação do centro cultural é gratuita. E o prédio foi projetado para o público. “Temos uma integração com a calçada. Não queremos barreiras. A pessoa chega, pega a escada rolante e vai direto para o quinto andar, sem catraca, sem nada. É um espaço para todos”.

30 mil fotos

No 1º andar, o IMS abriga a Biblioteca de Fotografia, inteiramente dedicada a publicações fotográficas.

Com capacidade para abrigar até 30 mil itens, o acervo já conta com 6 mil exemplares. Quem quiser visitar o IMS, ele abre de terça a domingo, das 10 às 20h; quinta, das 10 às 22h. Feriados, das 10 às 20h. 

O acesso é gratuito.

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