Ilustrador e designer santista se lança nas histórias em quadrinhos

Sérgio R. M. Duarte, de 35 anos, lançou o gibi "Nihil" na 5ª Santos Comic Expo e prepara mais HQs

01/11/2017 - 10:20 - Atualizado em 01/11/2017 - 11:18

A bordo de uma embarcação que parece flutuar sobre uma paisagem alienígena, um velho, solitário e incompreendido capitão tece reflexões acerca de sua busca pela verdade. “Eu dei poesia, eles não quiseram. Eu orientei, eles não escutaram. Eu clamei ‘tenham coragem para mudar!’. Tudo continuou igual”, lamenta o personagem, enquanto desembarca próximo de um portal. Ali dentro, espera encontrar a maior revelação de sua vida. 

Capa do gibo "Nihil", que inaugura projeto de HQs curtas do ilustrador (Foto: Divulgação)

Mas a verdade pode não ser bem aquilo que esperava. Este é o argumento de "Nihil", primeiro gibi do designer gráfico, ilustrador e quadrinista santista Sérgio R. M. Duarte, de 35 anos. Ele estreou oficialmente nas HQs com o lançamento do seu primeiro gibi na 5ª Santos Comic Expo, que aconteceu na primeira quinzena do mês.

Para Duarte, participar do evento como autor foi algo muito especial. “Eu frequento desde a primeira edição. Fazia um ano que tinha criado "Nihil" e achava que passava da hora de publicá-lo. A vontade de mostrar a HQ nesse evento acabou sendo uma motivação”, comenta o artista, formado em Design Gráfico pelo Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), em Santos.

Sérgio R. M. Duarte lançou a HQ no 
Santos Comic Expo (Foto: Divulgação)

Ele explica que o título é uma palavra em latim 'nihil' (se pronuncia 'níl') que quer dizer 'nada'. Com este nome, o autor parece brincar com a expectativa do leitor e dos personagens criados por ele. Desenhado em nanquim, com riqueza de detalhes, e impresso em papel pólen, o gibi é uma espécie de haicai visual (poema japonês de três versos). “É um projeto de gibis de apenas quatro páginas, que é o número mínimo que a gráfica aceita imprimir”, explica Duarte, que pretende fazer uma série de trabalhos dentro desse conceito.

Sobre sua inspiração para o argumento e o estilo do desenho, Duarte compara: “Queria que essa história se parecesse com alguns gibis europeus, principalmente com as histórias que o (francês) Moebius (1938-2012) contava. Sempre explorando a mente e os desejos dos seres humanos e com um traço delicado. A ideia era aproximar meu traço do dele, mesmo sabendo que existe um abismo de qualidade”.

"Nihil" pode ser encontrado em feiras e convenções, nas redes sociais de Sérgio R.M. Duarte, como Behance (/sergiormduarte) e Instagram (@sergiormduarte) ou pelo e-mail sergio.duarte82@hot mail.com. Em breve, estará na loja on-line www.ugrapress.com.br

Uma das ilustrações do artista, que gosta de cores
fortes (Foto: Divulgação)

Diversidade de estilos

Duarte possui um trabalho bem diversificado dentro da ilustração, tanto colorida quanto em preto e branco, e do design. São temas livres, que misturam inspirações vindas da ficção, do universo pop, dos filmes b e dos quadrinhos. Também há retratos realistas com toques surreais. Ele reconhece que seu trabalho de cor é um de seus principais diferenciais, e entre suas referências na HQ está o brasileiro Magenta King. “O processo criativo dele é insano. Chegou a fazer 37 páginas em apenas uma semana e meia. Eu faço um desenho por dia e já fico feliz”.

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