Hannah é comovente, mas difícil de ser consumido pelo espectador comum

Longa tem ótimo desempenho da veterana Charlotte Rampling

12/07/2018 - 11:35 - Atualizado em 12/07/2018 - 12:11

Hannah é mais uma produção do jovem diretor italiano Andrea Pallaoro (Foto: Divulgação)

Este filme rendeu prêmios no Festival de Veneza como melhor atriz e melhor técnico, além de melhor fotografia para Chayse Irving. O jovem diretor Andrea Pallaoro, que é italiano de Trento, já havia gravado o raro Medeas, com Catalina Sandina Montero e Bryan O Byrne, em 2013.

Depois deste Hannah, Pallaoro estaria fazendo outro filme chamado Monica, sem referências. O resumo oficial do filme é o seguinte: Hannah (Charlotte Rampling) é uma mulher de terceira idade que vive na Bélgica, se divide entre as aulas de teatro, a natação e o trabalho como empregada doméstica. Quando o marido vai preso, ela não tem alternativa a não ser a solidão e tenta refazer laços perdidos com descendentes, mas há um segredo na família que dificulta seu relacionamento com terceiros.

Achei muito adequada uma crítica europeia que descreve o filme como um exercício em slow cinema (cinema lento) enquanto o diretor o chama de giallo- trama policial- existencial. Acho que isso já deixa o espectador com o o pé atrás. Eu pessoalmente tenho muita dificuldade em apreciar um filme devagar demais por mais que descreva conflitos humanos e sinceros. Principalmente de personagens além da meia idade, já a pura velhice, portanto, um assunto amargo e triste, que certamente pode nos comover.

Ainda mais por causa da presença da britânica Charlotte Rampling, que teve uma longa carreira como jovem e depois se casou com o músico francês Jean Michel Jarre. Por saber falar francês, ela tem feito uma notável carreira em todos os gêneros e personagens, de A Piscina, Operação Red Sparrow até Assassin's Creed, num total de 127 créditos.

Já a entrevistei por três vezes, é sempre uma presença discreta, tensa, mas sem duvida é uma das melhores atrizes de sua geração, o que mais que justifica este filme. Ainda mais num filme que não tem medo de refletir as dificuldades da velhice, no que alguém chamou de “como um animal desesperado pela dor”.

Os europeus usam um adjetivo o qual não sou muito familiar, mas vale registrar aqui: a chamada miserabilidade (a pobreza vivida por personagens em geral femininos em trabalhos de Antonioni, Bresson e os irmãos Dardenn, Kaurismaki, Michael Haneke). Ou seja, é um formalismo que foge da invenção ou humor. E por isso mesmo difícil de ser consumido pelo espectador comum. Não vou mais adiante.

Hannah (Idem). Itália, França, Bélgica. 2018. 95 min. Direção de Andrea Pallaoro. Com Charlotte Rampling, André Wilms, Jean Michael Balthazar, Luca Avalone, Stéphanie Van Vyve, Simon Bishop, Jessica Fanhan. Roteiro de Pallaoro e Orlando Tirado. Drama. Zeta Filmes.

Em cartaz no Espaço de Cinema

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