Grupo de dança apresenta espetáculo de Contato Improvisação

De São Paulo, a companhia evidencia as relações humanas na obra 'Relation X', nesta sexta, no Sesc

16/02/2018 - 12:00 - Atualizado em 16/02/2018 - 12:13

"Relation X" é a segunda montagem do grupo, que está para estrear o terceiro (Foto: divulgação)

Uma dança que tem tudo a ver com meditação, com o estar presente no aqui e agora, consciente do seu corpo no ambiente, do peso que ele exerce sobre o solo, dos movimentos respiratórios e do calor que ele emana. Assim é o Contato Improvisação, método desenvolvido no começo dos anos 1970, pelo norte-americano Steve Paxton, após ele entrar em contato com a arte marcial japonesa Aikido (ou aiquidô).

Desde então, o Contato Improvisação, ou CI, se desenvolveu no mundo todo, com encontros, grupos de estudo e criação de espetáculo. No Brasil, se destaca o trabalho do Núcleo Improvisação em Contato (NIC), de São Paulo. O grupo acabou de realizar dois encontros internacionais, na Capital e em Ilhabela, trazendo mestres como a russa Anjelika Doniy – que está ministrando uma oficina no Sesc Santos até domingo. 

O NIC também vem a Santos, nesta sexta-feira (16), com o espetáculo "Relation X", às 21 horas, no Auditório da unidade. Recomendada a todos os públicos, a montagem traz os sete bailarinos que integram o núcleo para dançar as relações humanas, sejam elas suaves ou potentes.

Dirigida pelo ator e bailarino Ricardo Neves, a obra é livremente inspirada no filme argentino "Relatos Selvagens", de 2014. Há um pré-roteiro, mas o espetáculo muda a cada apresentação, por meio de movimentos improvisados e com música e músicos diferentes, que tocam ao vivo. Em Santos, os bailarinos serão acompanhados do guitarrista santista Maurício Fernandes.

Convulsões sociais

“Este espetáculo tem uma estrutura muito flexível. Eu diria que 60% da obra é criada ao vivo, pois os movimentos dependem da relação de troca dos bailarinos com o ambiente e o público”, considera o diretor, para quem o Contato Improvisação não é uma dança simplesmente, mas um caminho para algo maior. “Pode parecer papo de hippie, mas é uma dança de afeto que afeta o público. Surgiu num momento em que o mundo vivia uma grande convulsão, com a Guerra do Vietnã (1959-1975). Hoje, vive momento parecido, com guerras e intolerância”.

Por isso, o diretor acredita que haja tanta gente procurando conhecer a CI e participar dos encontros. “Cada um dos nossos encontros reúne quase uma centena de pessoas de várias partes do mundo. Nossas JAMs também são um sucesso”. JAM é a sigla para Jazz After Midnight (do inglês, que quer dizer jazz depois da meia-noite, quando os músicos se permitiam improvisar juntos, no palco). No caso da dança, trata-se de uma oportunidade para a livre experimentação dos movimentos.

O interesse crescente das pessoas por este tipo de dança, para o diretor, vem como uma contracorrente ao distanciamento humano. “A única coisa que muita gente toca, ultimamente, é a tela do celular. Há carência de contato verdadeiro com o outro. E o CI não manipula os sentimentos nem coloca máscaras, mas retira máscaras, dos bailarinos e da plateia”, avalia Neves.

Cena do espetáculo
(Foto: Camila Françoso Rosso/Divulgação)

"Relation X" nasceu há três anos, quando Neves fraturou o tornozelo praticando aiquidô, e aproveitou o molho para criar pequenas coreografias baseadas em três conceitos: os rolamentos do aiquidô, as colisões de corpos e o que ele chama de “pequena dança” (movimentos involuntários do corpo, quando parado). 

Atualmente, o diretor participa da obra como bailarino, ao lado de Dresler Aguilera, Felipe Cirilo, Cristiano Karnas, Marília Persoli, Otilia Françoso e Ricardo Silva. O projeto de luz é de Jose Silveira.

Ricardo Neves era ator antes de entrar para a dança. No início da carreira, na década de 1990, trabalhou com o dramaturgo e diretor Léo Lama, filho do dramaturgo santista Plínio Marcos, nas peças "Os Habitantes da Ilha" (1997) e "Videoclipe Blues" (1999). 

Serviço: O Sesc Santos fica na Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida, telefone: 3278-9800. Ingressos a R$ 20,00. R$ 10,00 (meia) e R$ 6,00 (credencial plena). limitado a quatro ingressos por pessoa.

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