Grande Cia. de Mystérios traz seu teatro mambembe a Santos

Trupe carioca comemora 36 anos, com apresentações até domingo, no teatro do Sesc e praças

02/03/2018 - 09:53 - Atualizado em 02/03/2018 - 10:01

O espetáculo "Uirapuru" é inspirado na obra de Heitor Villa-Lobos (Foto: divulgação)

O trabalho e a experiência da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades repousam sobre a tradição da tragédia e dos mitos gregos, do teatro mambembe, do circo-teatro e das manifestações populares brasileiras. É com essa carga técnica, ética e simbólica que o grupo carioca se apresenta em Santos, entre esta sexta (2) e domingo (4), dentro das comemorações de seus 36 anos.

A trupe está percorrendo algumas cidades paulistas por meio do Circuito Sesc de Teatro, e está na unidade de Santos com uma programação que inclui três espetáculos: "Cabaret Mystico", "Uirapuru" e "A Saga de Jorge", todos com entrada gratuita (veja quadro mais abaixo. 

Na última terça, participou de um debate com a Trupe Olho da Rua, de Santos. Amanhã, encerra uma oficina de cinco dias "Estado de Criação – Processo Criativo Peripatético".

Diretora e uma das fundadoras da cia., a coreógrafa, musicista e bailarina Ligia Veiga, de 58 anos, contou que o encontro com a Trupe Olho da Rua foi maravilhoso e que o debate foi importante para debater a criação de políticas públicas para o fazer teatral na rua.

"Cabaret Mystico" é a única montagem apresentada em espaço fechado (Rui Zillnet/Divulgação)

“Falamos sobre a importância de uma lei que garanta o trabalho do artista, e citei como exemplo a Lei do Artista de Rua, aprovada em 2012 (5.429), que regulariza apresentações em espaços públicos da cidade e impede que artistas sejam detidos ou sofram repressão por parte das forças de segurança”, descreveu ela.

A atriz disse ter ficado surpresa com o que aconteceu com os artistas da Trupe Olho da Rua em 2016, quando foram impedidos pela Polícia Militar de continuar a apresentação do espetáculo "Blitz", na Praça dos Andradas. Em tom de crítica escrachada, a montagem falava sobre abusos e mortes envolvendo a PM. “Foi muito forte o que aconteceu com o grupo de Santos. Por isso, é tão importante brigar pela criação de uma lei”, defende Ligia.

Fundada em 1981, em São Paulo, a Grande Cia. Brasileira de Mystérios e Variedades migrou para o Rio de Janeiro em 1998, após Ligia retornar de um intercâmbio de seis anos na Itália, onde trabalhou com o grupo de teatro de rua Pirata. “Quando deixei o Brasil, a minha experiência vinha da dança. Nos anos 90, a gente não tinha ainda a tradição no teatro de rua nas grandes cidades. Não havia uma cena, uma linguagem, uma metodologia”, lembra a atriz.

Inclusão social

Cena de "A Saga de Jorge", primeiro espetáculo
da trupe (Foto: divulgação)

Ao longo de sua trajetória, o grupo já se apresentou por todo o Brasil e na Alemanha, Áustria, Hungria, Romênia, Portugal, França, Eslovênia, Suíça, Colômbia, Espanha, México, Bélgica e China.

Seus espetáculos, com coreografias em pernas de pau e música ao vivo, buscam inspiração na linguagem dos antigos atores-músicos populares, inscrevendo-se no gênero ópera popular e integrando teatro e vida, tradição e contemporaneidade. “Trabalhamos também a questão ritualística, com a ideia de recuperar os mitos”, destaca. 

Com sede no bairro da Gamboa, região portuária do Rio de Janeiro, a cia. encara o teatro como um veículo de intervenção urbana e transformação social. 

Desde 2007, desenvolve o projeto pioneiro "Gigantes Pela Própria Natureza – Orquestra Itinerante de Rua" sobre pernas de pau, um programa de formação para jovens com o objetivo de promover meios de inclusão social.

PROGRAMAÇÃO

Nesta sexta (2), ao meio-dia. "Uirapuru". Praça Mauá, no Centro de Santos. 

Livre. Grátis.

Sexta (2) e sábado (3), às 20h. "Cabaret Mystico". Teatro do Sesc (Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida, telefone: 3278-9800). Livre. Grátis.

Domingo (4), às 16h. "A Saga de Jorge". Praça do BNH, Aparecida, Santos (atividade sujeita às condições climáticas, podendo ter seu local alterado em caso de chuva). Livre. Grátis.

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