Gêmeos santistas empolgam cena musical independente

Felipe e Fernando Soares moram em São Paulo, compõem e cantam juntos, e lançam o CD 'Transe'

08/11/2017 - 10:29 - Atualizado em 09/11/2017 - 10:35

Felipe e Fernando Soares preparam show para janeiro, no Sesc Pompeia (Foto: Divulgação)

Os corações de Fernando e Felipe Soares batiam em sincronia tão grande quando estavam na barriga da mãe, que ela só descobriu estar grávida de gêmeos no sétimo mês. Passados 26 anos, eles continuam em sintonia, agora musicalmente. Com vozes de timbres quase iguais, juntos formaram a dupla 2de1, que causa 'frenesi' nas plateias de seus shows em São Paulo.

Performáticos, os dois, no palco, mostram que são muito mais diferentes do que iguais. Fernando é  drag queen e se monta todo nas apresentações. Mais discreto, Felipe também não se furta de maquiar os olhos e usar figurino especial nos shows. 

O gosto pelo palco vem desde os tempos de colégio, em Santos, e os levou ao show de calouros do Raul Gil. “Tínhamos 13 anos quando nos apresentamos pela primeira vez no programa. Cantamos uma música de Jorge Vercillo, 'Que Nem Maré'. Depois, voltamos ao programa com 15 anos e lá ficamos por cerca de um ano e meio”, lembra Fernando.

Primeiro CD

Fernando e Felipe são gêmeos idênticos, têm barbas parecidas e se revezam nos vocais. Fica difícil saber quem é quem quando cantam. Nascidos em Santos e crescidos na Vila Mathias, eles estudaram na Universidade Santa Cecília (Unisanta), onde Fernando se formou em Publicidade e Propaganda e Felipe, em Engenharia Civil.

Paralelamente, sempre se dedicaram à música. No YouTube há diversos vídeos da dupla sem maquiagem e figurino, cantando sucessos da música pop num estúdio caseiro, construído pelos pais. 

Em 2014, lançaram um EP com seis músicas próprias, produzido e gravado em Santos. Radicados em São Paulo há cerca de quatro anos, os dois estão trabalhando na divulgação do primeiro CD, "Transe", com dez músicas autorais. 

O álbum foi gravado e produzido no estúdio da Freak, gravadora independente paulistana, e está disponível nas plataformas de streaming como Spotify e tem um clipe da música "Casal 72" no YouTube. 




A produção requintada do clipe, assinada pela atriz Daiane Brito, traduz o interesse de Fernando e Felipe por cinema, teatro e artes plásticas (Fernando integra um coletivo que estuda a linguagem do teatro e das drag queens). Com letras em português sobre temas que falam do amor livre, as músicas da 2de1 traz elementos da black music dos anos 1970 e da rhythm and blues (R&B).

As composições trazem um discurso de liberdade sexual e empoderamento, sobretudo das mulheres – exemplo disso é a letra de "Apelo", com clipe na internet, que tem linguagem de curta-metragem e mostra uma mulher imersa num relacionamento abusivo. 

“A nossa música nasceu da sintonia e do respeito que eu e meu irmão temos um pelo outro. Somos muito diferentes, apesar de iguais. Vivemos a liberdade de sermos o que queremos ser. Sendo eu gay e o meu irmão, hétero. Mas temos a mesma ética e a mesma moral”, considera Fernando, que é quem compõe a maior parte das letras. 

Além de cantar, os dois dominam outros instrumentos. Fernando toca sintetizador e violão. Felipe é multi-instrumentista e, nos shows, se apresenta tocando guitarra e piano.

Cena alternativa

A dupla não se insere somente na cena LGBT, mas também na independente. “Encaramos a música como um lugar de fala, para inserir um discurso. Falamos sobre o amor de todas as formas, sem freios ou preconceitos”, explica Fernando, que também é ator e integra o coletivo Cynthia Cintilante. Felipe integra a Cia. Os Satyros e trabalha como sonoplasta em algumas peças, tocando ao vivo. 

A mudança para a Capital se deu pela busca de oportunidades de trabalho nas áreas de formação dos dois artistas, além do teatro e da música. Mas, no momento, eles trabalham para bancar a música.

Fernando mora sozinho no Bela Vista. Felipe vive com a mulher, no Centro. Os dois costumam vir a Santos todos os fins de semana para ver os pais e o irmão mais novo, de 19 anos, que toca bateria. 

Agora, a vontade dos dois é fazer muitos shows com o CD "Transe", na Capital e na Baixada. Ainda este mês, lançam um novo clipe. Em janeiro, fazem uma apresentação no Sesc Pompeia, em Sampa.

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