Fotógrafo comemora 40 anos de profissão com mostra em Santos

Tadeu Nascimento reúne fotografias de temas diversos, como peças teatrais e cenas de praia, na Pinacoteca Benedicto Calixto

04/11/2017 - 09:55 - Atualizado em 04/11/2017 - 10:10

Pôr do sol captado pelo fotógrafo Tadeu Nascimento (Foto: Tadeu Nascimento/Divulgação)

Em vias de extinção. É o prognóstico, daqui a poucos anos, para a fotografia. Quem analisa é um profissional do ramo, o santista Tadeu Nascimento. Não há lamento ou saudosismo sobre a 'morte' anunciada.

“A fotografia só existe a partir de processos químicos e impressão em papel. Essa relação vai acabar em breve. Vai virar artigo (hobby) de colecionador, como acontece com o vinil. A tendência do atual momento na área é a transformação da foto em imagem. Toda foto é uma imagem, mas não necessariamente o inverso”.

Por uma questão bem simples, argumenta: “É inquestionável que a fotografia digital faz parte do processo tecnológico, que vem revolucionando as técnicas de várias áreas, seja na medicina, engenharia, área de humanas... É algo totalmente irreversível”.

Parte do resultado dessa longa experiência e trajetória (62 anos de idade, 40 dedicados ao ramo) Tadeu apresenta em "Confesso que Vi", em celebração às quatro décadas de cliques. Vernissage agendada para este sábado (4), às 19 horas, na Pinacoteca Benedicto Calixto.

A mostra reúne fotos do início da carreira, incluindo algumas de valor afetivo, principalmente oriundas de películas. Muitas delas, ele mesmo manipulou no laboratório escuro. A famosa mão na massa.“Antigamente, eu comprava uma caixa de papel com 100 unidades. Cada vez que dava errado, eu rasgava a folha. Rasgava dinheiro”, comenta Tadeu, que também trabalhou em jornais impressos, assessorias e deu aulas em faculdades e cursos de fotografia.

Dedicatória
"Confesso que Vi" também reúne trabalhos do início do processo digital, dividido em dois períodos: o da câmera digital, que não apresentava o mesmo resultado da película; e o da fase mais atual, na qual a digital tecnicamente superou a analógica. Tudo em 40 fotografias no formato 55cm x 40cm, emolduradas e à venda. 

Tadeu Nascimento posa no prédio do jornal A Tribuna (Foto: Fernanda Luz/A Tribuna)

O público também poderá ver imagens do tempo em que Tadeu trabalhava para atores, atrizes e cantores famosos, casos de Simone, Ivan Lins, Regina Duarte e Bibi Ferreira. Estas lhe deixaram elogiosos bilhetes escritos à mão, que podem ser conferidos na mostra.“Eu fotografava ensaios, apresentações, momentos de descontração. Quando elas viam o resultado, pediam cópias, me convidavam para outras sessões e indicavam meu nome aos seus colegas. Só havia uma exigência, e era normal (é assim até hoje): não utilizar o flash".

Se por um lado a fotografia perdeu o glamour da manipulação e da necessidade de calcular velocidade, luz, abertura e outras técnicas, o sistema digital permite ter tudo isso preparado e ainda dá a quem está atrás da câmera (ou celular, tablet) agilidade, precisão e excelente edição (photoshop).

“Qualquer um pode tirar uma foto excelente com o celular. Em nada isso me incomoda. Às vezes uso o meu. Mas isso não transforma a pessoa em fotógrafa. Há diferença. Fotográfico significa regularidade, não captar um belo momento (ocaso do sol, por exemplo) ao acaso. É preciso um olhar com mais conhecimento técnico. E, em muitos casos, esperar, horas, às vezes, para encontrar o melhor momento”.Serviço: Em cartaz até o dia 19, de terça a domingo, das 9 às 18 horas. Entrada franca. Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos.


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