Flautista Júlia Abdalla, de 9 anos, ganha dois prêmios na Holanda

Paulistana, ela foi contemplada no encontro ORDA como a melhor em sua categoria e reconhecida, também, pelo público

01/11/2017 - 10:58 - Atualizado em 01/11/2017 - 11:14

Júlia (no centro), orgulhosa, durante a entrega dos certificados (Foto: Nina Altenburger/Divulgação)

A paulistana Júlia Abdalla é uma menina de 9 anos de idade, que se divide entre escola, amigos, brincadeiras e o tão necessário 'não fazer nada'. Mas ela se diferencia quando o assunto é tocar um instrumento. Júlia acabou de conquistar dois prêmios num dos principais eventos de flauta doce do mundo, o Open Recorder Days Amsterdam (Orda), na capital da Holanda, entre o dia 26 e o último domingo (29).

Única representante do Brasil, ela se destacou entre 90 inscritos, de mais de 20 países, distribuídos em sete categorias. Venceu o primeiro lugar na sua categoria (7 a 11 anos), que tinha 14 candidatos. 

Foi uma prova desafiante: Júlia tocou na eliminatória do dia 26, na semifinal no sábado e na final de domingo, apresentando-se nas três salas do Conservatório de Amsterdã, para uma plateia exigente e um júri composto por grandes nomes no cenário internacional.

Mas ainda havia a prova final, que misturava todas as categorias e cujo prêmio era concedido pelo público. Júlia conquistou esse prêmio, ao encantar a plateia com sua postura, carisma, técnica e fôlego.

Em todas as etapas, ela se apresentou ao lado do pai, o violonista Thiago Abdalla, que é professor de Música da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes). Juntos, eles executaram um repertório de músicas barrocas (dos compositores Sammartini e Haendel) e um tango de Piazzola. 

Esta é a segunda vez que Júlia sai premiada do Orda. Em 2015, com 7 anos, ela ficou com o segundo lugar em sua categoria, e foi notícia em jornais de São Paulo. 

O prêmio do público foi o reconhecimento que a deixou mais feliz. “Isso significa que eu conquistei o público inteiro. Eram músicos e pessoas que tinham uma relação com a música”, orgulhou-se a jovem flautista, numa gravação em áudio para A Tribuna, pelo WhatsApp (Júlia ainda estava na Holanda, com seus pais). 

Método Suzuki

Articulada, comunicativa e sonhadora, Júlia encontrou em casa o ambiente perfeito para se interessar e se iniciar na música. A mãe, Gabriela Vasconcelos Abdala, é pianista. Aos 5 anos de idade, a menina viu uma amiguinha tocando flauta doce no Centro Suzuki de Educação Musical, em São Paulo. Foi paixão à primeira audição!

Ali mesmo, ela se tornou aluna da flautista Renata Pereira, que esteve em Amsterdã, acompanhando Júlia durante o concurso no fim de semana. “Ela está comigo há quase cinco anos. O pai dela, o Thiago, me conhecia da USP e entrou em contato comigo porque sabia que eu trabalhava com criança. Júlia veio para o Suzuki, assistir a uma aula com uma aluna minha, da mesma idade que ela. Foi aí que decidiu que queria estudar flauta”, contou a professora, do aeroporto, antes de embarcar de volta para o Brasil. 

Renata explica que Júlia aprendeu a tocar flauta doce por meio do método Suzuki (desenvolvido por Shinichi Suzuki, no Japão, pouco depois da Segunda Guerra Mundial). “É um método musical que trabalha com a mesma abordagem com que as crianças aprendem a língua materna. E a Júlia ainda tem o privilégio de viver num ambiente musical em casa desde bebê, que é o tipo de ambiente ideal para quem quer aprender a tocar”, detalha a mestre. 

Porém, segundo Renata, o objetivo inicial dos pais e do próprio Centro Suzuki não era que Júlia se tornasse uma exímia musicista. “Mas, sim, que ela se sentisse bem tocando, pois o mais importante, em primeiro lugar, é desenvolver o caráter, depois a habilidade”. 

Nesse sentido, a professora ficou muito contente com o prêmio do público. “É isso o que a gente faz com as crianças. Suzuki dizia que a música é um grande presente que a gente compartilha com as pessoas. E Júlia compartilhou de maneira sublime. Entre tantos grupos e flautistas muito bons de todas as categorias, foi Júlia quem ganhou o reconhecimento do público. Foi uma alegria muito grande para nós”. 

Júlia dedica os prêmios para sua professora e seus pais. “Eles foram as pessoas que mais me ajudaram. Também dedico para a minha família inteira, meus amigos e todas as pessoas que contribuíram. Todo mundo me deu força e me ajudou a vencer”, reconhece.

A flautista, durante apresentação no ORDA, ao lado do pai Thiago Abdalla (Foto: Divulgação)


Um jogo divertido

Gabriela, mãe de Júlia, se diz muito orgulhosa com as conquistas da filha. “É uma alegria muito grande perceber toda essa evolução e ver como ela se diverte e brinca com a música”, afirma ela.

O pai, Thiago, compara a evolução de Júlia na música a um jogo. “O repertório vai ficando mais complexo, como num jogo que vai ficando mais divertido a cada etapa. É um jogo de família. Assim que a gente encara”, diz ele, que sempre acompanha a filha, ao violão. “Ela tem um jeito muito próprio de tocar. Tem algo de improvisação. É uma brincadeira com muita criatividade e desafios”.

Questionada sobre seu maior sonho como instrumentista, Júlia responde como convém à idade: “Ter o poder de entrar na partitura e virar uma notinha musical passeando por ela”.

Veja vídeo da apresentação da flautista e do pai, no ORDA de 2015:

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