Festival Valongo inaugura exposições no Centro Histórico de Santos

Amantes e profissionais da fotografia já circulam pelas ruas, visitando as mostras e trocando conhecimento

05/10/2017 - 10:38 - Atualizado em 05/10/2017 - 11:03

Jovem visita a exposição "Excessocenus", na Frontaria (Foto: Claudio Vitor Vaz/A Tribuna)


As ruas do Centro Histórico de Santos estão muito mais amigáveis nos últimos dias. E permanecerão assim enquanto durar a segunda edição do Valongo Festival Internacional da Imagem, que começou ontem e segue até domingo. Isto porque amantes e profissionais da fotografia estão circulando em peso pelas quadras que compreendem a Casa da Frontaria Azulejada, as ruínas do Valongo e o Arcos do Valongo, e se reconhecem pelos olhares curiosos e câmeras a postos.


Na tarde de ontem, a organização do festival terminava de montar a estrutura do evento, com a presença dos fotógrafos expositores e do público que já começava a acessar os espaços acima citados. Na Frontaria, se encontra a mostra "Excessocenus", da espanhola Cristina de Middel, e de seu marido, brasileiro, Bruno Morais. 


Lá, estava um trio de Brasília, que veio a Santos pela segunda vez, por causa do evento. Ravel Luz, Xenágoras Brasil e Talita Yamaguti cruzou quase metade do País para estar no Festival Valongo pela segunda vez. Eles cursam pós-graduação em Fotografia pelo Iesb – Centro Universitário, em Brasília (DF), por onde se formaram fotógrafos, e aproveitam as pausas no curso para se atualizarem sobre estética e processos da imagem. “Também adoramos vir a Santos, que tem muita história e é um lugar delicioso para fotografar”, conta Xenágoras, que expôs fotos da Cidade em Brasília, numa mostra intitulada "1545", ano da elevação de Santos a vila. 


São 41 imagens, impressas em tamanhos e suportes diversos, que mostram os impactos da atividade capitalista mundial sobre o continente africano (no meio ambiente, na saúde da população, na religiosidade, na estética e na infância). 


As fotos estão distribuídas numa ambientação muito interessante, que ocupa o alto das paredes, os corredores (em grandes biombos) e o teto, fazendo o público olhar para várias direções e percorrer todo o espaço do prédio tombado.


Atravessando a Rua do Comércio, um banner pendurado na fachada de um antigo casarão (que não foi utilizado na edição do ano passado) chama atenção para a imagem de um homem ao lado de uma representação que lembra Exu, entidade da umbanda. É o convite para a série "Visões de um Poema Sujo", do fotógrafo maranhense Márcio Vasconcelos, com curadoria de Diógenes Moura (leia mais sobre este trabalho na edição de sexta-feira de A Tribuna).


De Portugal

Andando um pouco mais, passando os food trucks que ocupam o Arcos do Valongo, podemos ver mais três séries fotográficas, acompanhadas de vídeo e projeção, no barracão: "I Fear Nothing", de Patrícia Almeida e David-Alexandre Guéniot; e "O Candidato" e "White Noise", de António Júlio Duarte.


Patrícia conta que fez a série "I Fear Nothing" após um protesto da população na noite de 15 de outubro de 2011, em Lisboa, contra a crise econômica mundial. “Foi a primeira manifestação organizada pela sociedade civil no início da crise financeira em Portugal. No final da marcha, as pessoas voltaram para suas casas deixando cartazes e placas com mensagens de protesto em torno do prédio do Parlamento”, lembra a fotógrafa, que registrou cada um dos cartazes. “Achei muito curiosa a forma com que as pessoas se apropriaram de materiais reciclados, para passar suas palavras de ordem”. 


Entre os objetos fotografados por Patrícia está um estilingue de madeira, com a palavra 'Portugal' impressa na madeira. Para a exposição no Valongo, ela providenciou um estilingue parecido, no qual grafou a palavra 'Brasil'. A fotógrafa também é editora e expõe um livro com as fotos do protesto, e o vídeo "Minha Vida Vai Mudar".


António Júlio Duarte, por sua vez, morou em Macau, na Ásia. Ele registrou dois momentos daquele território administrado pela República Popular da China, onde a língua oficial é a portuguesa – até 1999, era administrado por Portugal. "O Candidato", revela a campanha eleitoral do único candidato ao governo da região, em 2009. "White Noise", de 2011, mostra os bastidores de antigos cassinos. “Sempre tive vontade de ir para o extremo Oriente do mundo e escolhi Macau para fotografar”, justifica. 


Saiba mais sobre o festival no site www.valongo.com.

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