Espetáculo aborda a contribuição cultural dos negros no Brasil

'Pretume', do Baobá Coletivo de Arte, tem apresentação única, nesta quinta-feira, no Sesc Santos

08/02/2018 - 11:16 - Atualizado em 08/02/2018 - 11:30

Bruno Oliveira em cena da peça, ao lado do músico Raphael de Souza (Foto: divulgação)

Pretume é a ausência de luz, escuridão, mas o termo ganha outro sentido na montagem do Baobá Coletivo de Arte, que joga luz sobre a história e a contribuição dos negros africanos na cultura brasileira. 

Nascida do desejo do ator vicentino Bruno Oliveira de se conectar com seus antepassados, a montagem teatral  "Pretume" estreou ano passado, com apresentações em Santos e São Vicente, e volta ao palco, nesta quinta-feira (8), às 20 horas, no Auditório do Sesc Santos.

Outro objetivo da obra é provocar reflexões sobre a Lei 11.645/08, que regulamenta a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, em todos os níveis de ensino.

De acordo com a lei, o conteúdo programático deve incluir aspectos que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.

“Parece que o teatro ainda não saiu da Europa, e quando se estuda sobre os negros, só se fala do período da escravidão”, lamenta Oliveira, que tem 18 anos e prepara as malas para estudar Teatro na Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais, onde foi admitido pelo sistema de cotas.

Na peça, o ator vive o personagem Pretú e estabelece um diálogo poético e existencial com o público, abordando aspectos da gastronomia, vestimenta, musicalidade e religiosidade que receberam influência de povos da África. 


Cena curta

Com 40 minutos de duração, "Pretume" surgiu de uma cena de 15 minutos, premiada no 21º Festival de Cenas Teatrais (Fescete). O cuidado com a pesquisa é um elemento que se destaca do processo de montagem. A maquiagem facial e corporal usada pelo artista na peça, por exemplo, tem origem na Nigéria, com uma tinta preparada da maneira tradicional. 

Em cena, Oliveira dança, declama, canta, toca violão, atabaque e atua acompanhado de Raphael de Souza, que faz a sonoplastia e toca instrumentos percussivos como agogô, caxixi e pau-de-chuva. O músico é responsável pela trilha sonora original e a dramaturgia, baseada na tradição dos contadores de histórias africanos.

“É uma obra totalmente autoral, que mostra a ancestralidade afrobrasileira de uma maneira bonita. Por isso, faço questão de continuar levando 'Pretume' para apresentações em escolas estaduais, onde os jovens não têm acesso ao teatro e a esse tipo de reflexão sobre o negro no Brasil, pois muitos professores não possuem formação para passar esse conteúdo”, ressalta o ator, que já atuou em escolas da Zona Noroeste, em Santos, e de São Vicente. 

Mesmo diante da mudança de casa para Minas Gerais, para se graduar em Teatro, o ator se compromete a tocar o Coletivo Baobá com o amigo Raphael Souza. “Somos um coletivo de dois”, brinca ele. “O restante do time é invisível, formado pelos orixás”. 

Serviço – O Sesc fica na Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida, telefone: 3278-9800. Retirada de ingressos, hoje, a partir das 10h. Não recomendado para menores de 14 anos.

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