Embarque na Estação da Língua Portuguesa, que chega a Santos

Enquanto o Museu da Língua Portuguesa, na Capital, é restaurado, exposição desembarca por aqui

20/03/2018 - 10:36 - Atualizado em 20/03/2018 - 10:49

Exposição será montada num prédio anexo ao edifício da Bolsa (Foto: Tomaz Farias/Divulgação)

Ainda há um longo caminho a percorrer até a conclusão das obras de restauro do prédio do Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, em São Paulo. Para quem não lembra, o museu pegou fogo em 21 de dezembro de 2015, dois meses depois de inaugurada a mostra O Tempo e Eu (e Vc), em homenagem ao escritor, etnógrafo e folclorista norte-rio-grandense Câmara Cascudo (1898-1986).

Mas como a nossa língua é viva e o trem da história não para, uma iniciativa das equipes curatorial e pedagógica do museu tem levado um pedacinho dele para várias cidades do Estado, e uma delas é Santos.

Em 6 de abril, a exposição itinerante Estação da Língua Portuguesa desembarca no Museu do Café, onde faz parada até 6 de maio, com entrada gratuita, trazendo na bagagem acervos do Museu da Língua Portuguesa, numa mostra multimídia e interativa.

A exposição será montada num prédio anexo ao edifício da Bolsa – onde funcionava o antigo Clube dos Corretores da Bolsa do Café – com entrada independente do museu.

Um totem será instalado do lado de fora do prédio, na frente ao acesso da exposição. Trata-se de uma grande estrutura metálica, com painéis que apresentam uma prévia do conteúdo da mostra. Neste mesmo totem está uma das novidades da exposição: o módulo intitulado O que nos une. 

Este segmento é composto por um painel interativo giratório, que apresenta dados dos nove países que compõem Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Outra novidade é o vídeo Sotaques, que apresenta pessoas de outros países da língua portuguesa lendo o conto O Paraíso são os outros, de Valter Hugo Mãe. Também se destaca o módulo Falares Paulistas, que mostra um diálogo hipotético entre pessoas com sotaques de cinco cidades paulistas.

Prédio segue sendo recuperado após incêndio ocorrido em 2015 (Foto: Ana Mello / Divulgação)

5 mil pessoas
A itinerância da Estação da Língua Portuguesa começou por Tatuí, onde foi vista por mais de 5 mil pessoas, entre fevereiro e março. Depois de Santos, segue para Rio Claro, Taubaté, São Carlos e Bauru, onde encerra a itinerância.

“A língua é algo que faz parte do nosso cotidiano e não paramos para pensar nela. Por isso, é bem surpreendente ver a reação das pessoas, não importa a idade, quando descobrem a raiz de alguma palavra conhecida. Por exemplo, pipoca, que vem do tupinambá e quer dizer estourar”, destaca Marina Toledo, assessora da diretoria do IDBrasil, organização social responsável pelo Museu da Língua Portuguesa.

A primeira versão desta exposição itinerante durou de 2014 a 2016. “A ideia foi suprir a demanda do público do Interior e Litoral, que sentia falta de ter o museu mais perto de si. A gente achou interessante montar uma versão itinerante do museu, e essa ideia tomou força agora que o museu está em restauro”, lembra Marina.

A assessora também conta que uma equipe de mediadores está sendo preparada para atender ao público em Santos. “São estudantes universitários que passam por uma capacitação oferecida pelo próprio museu”.

Acessibilidade
Atrair e facilitar o entendimento do público com necessidades especiais é outra preocupação da curadoria da mostra. Nesse sentido, o módulo O Mapa do Mundo oferece informações em braile sobre os países que falam português; os vídeos sobre culinária e dança têm tradução em Libras; a Linha do Tempo e os Falares Paulistas podem ser traduzidos em Libras com o auxílio de tablets.

A realização é do Ministério da Cultura e do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, e da Arquiprom. O patrocínio é da CCR, Instituto CCR, Vivo, Sabesp, Edenred Brasil e Ticket, por meio da Lei Rouanet. O apoio da itinerância na Cidade é da Prefeitura de Santos.

Serviço – Museu do Café (Rua XV de Novembro, 95, Centro histórico). Visitas de terça a sábado, das 9 às 18h, e aos domingos, das 10 às 18h. Agendamento pelo telefone: (13) 3213-1750, de segunda a sexta, das 14 às 17h.

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