Daniel Gonzalez ganha três mostras na Baixada Santista

Primeira exposição póstuma acontece em Praia Grande, São Vicente e Itanhaém

11/09/2018 - 09:52 - Atualizado em 11/09/2018 - 11:36

Montagem da exposição no Palácio das Artes (Alexsander Ferraz/AT)

Apesar de ser bastante conhecido no meio artístico-cultural de Santos e da Baixada Santista, por suas esculturas públicas e particulares, Daniel Gonzalez (1956-2011) ainda não tinha recebido uma exposição póstuma com suas obras. 

Agora, essa lacuna é preenchida não apenas com uma exposição, mas com três mostras inéditas, que serão realizadas quase que simultaneamente em Praia Grande, São Vicente e Itanhaém. 

Com o nome "Anjos Escultores", a primeira exposição a ser inaugurada é a de Praia Grande, que abre nesta terça (11) às 19 horas e marca os dez anos do Palácio das Artes (Av. Pres. Costa e Silva, 1.600, Boqueirão).

Sob curadoria da jornalista Vanessa Rajomes, a mostra em Praia Grande reúne dez obras pertencentes a quatro coleções, intituladas: "Mitologia Cristã", "Mitologia dos Deuses", "Paternidade" e "Mares".

“Escolhemos inaugurar essas mostras em Praia Grande, por causa do teatro do Palácio das Artes, que recebeu o nome do pai de Daniel (Serafim Gonzalez, também escultor) e foi a última cidade em que ele morou e manteve, por mais de dez anos, um ateliê”, explica Vanessa, que prefere chamar as exposições de “turnê”. 

A obras em Praia Grande podem ser vistas até dia 11 de outubro. Simultaneamente a esta exposição, no dia 19 abre outra mostra com 12 esculturas, no Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (Rua Frei Gaspar, 280, Centro), onde também ficará até o dia 19 de outubro. 

Em Itanhaém, a terceira e última exposição, com dez esculturas, entra em cartaz no dia 30 de novembro, onde permanece na Pinacoteca Municipal (Praça Carlos Botelho, 48, Centro) até 30 de dezembro. 

“A mostra também passa por São Vicente, onde Daniel se casou, morou e realizou diversas obras públicas, e Itanhaém, onde o trabalho de Serafim e de Daniel se consagrou nacionalmente por causa da novela "Mulheres de Areia" (que teve duas versões, de 1973 e de 1993, e ambas utilizaram escultura dos dois)”, conta Vanessa,que ainda pretende levar as exposições para mais cidades da Baixada. “Faremos uma grande festa em Santos, reunindo todas as cidades participantes. Ainda estamos negociando o local”, adianta ela.

Funcionários instalam esculturas de Daniel Gonzalez (Alexsander Ferraz/AT)

Todas as obras são feitas de fibra de vidro, material vindo da resina, mais maleável, durável e de fácil restauração, “Daniel costumava brincar que se Rodin fosse vivo, com certeza ele só iria esculpir neste material!”, diverte-se a curadora. 

Espólio e instituto

Todas as esculturas que fazem parte das três mostras pertencem a coleções particulares de Santos e Praia Grande, assim como à viúva de Daniel, Lena Mello, e à única filha do casal, Camila Gonzalez, que mantêm um espólio com 60 obras do artista, em Santos, onde moram, no Marapé. 

Vanessa tem trabalhado na organização das obras desde dezembro de 2017, catalogando todas as peças deixadas por Daniel e também por Serafim, e escrevendo um catálogo com todas as obras de Daniel.

“Decidimos preservar e divulgar o legado de Daniel. Por isso, aceitamos a indicação de Vanessa para trabalhar nisso”, ressaltou Lena, em reportagem publicada em 15 de abril, em A Tribuna.

Vanessa também vem cuidando de toda a parte burocrática para a fundação do Instituto de Arte e Filosofia Daniel Leandro Gonzalez, em uma casa tombada (em local ainda a ser divulgado).

“Por ser um patrimônio tombado, estou dependendo de algumas assembleias de aprovação e de uma construtora que fará a doação deste espaço. Tenho trabalhado para conseguir os patrocinadores e constituir o CNPJ do instituto”, explica ela, que acredita que, até março do ano que vem, o instituto esteja funcionando. Vanessa conta que também atuará como curadora das obras e do instituto, e que o espaço oferecerá cursos de arte e filosofia. 

Serafim e Daniel Gonzalez (Acervo)

A gestão do espaço será feita pela filha de Daniel, Camila, que tinha 19 anos quando o pai morreu precocemente, aos 54 anos de idade.

Quem possuir esculturas de seu avô e pai pode entrar em contato com ela, para que as obras sejam catalogadas e certificadas. Os interessados devem entrar em contato com Vanessa pelo telefone 99153-1674. 

Pai e filho
Apesar de não serem de Santos, Serafim Gonzalez (1931-2007) e Daniel marcaram a história da Cidade, para onde se mudaram na infância. Praças e orla têm obras dos dois, como o busto de Zumbi dos Palmares, de Daniel, na Praça Palmares; e o menino empinando pipa, de Serafim e Daniel, na Praça Cândido Portinari, no Marapé.

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