Confuso, O Sacrifício do Cervo Sagrado decepciona na telona

O filme do grego Yorgos Lanthimos está em cartaz no Cinespaço Santos

08/02/2018 - 11:28 - Atualizado em 08/02/2018 - 12:14

Nicole Kidman e Colin Farrell ficam bem abaixo de suas capacidades nesse filme (Foto: Divulgação)


Foram necessários 16 produtores para realizar este recente filme do diretor grego mais promovido do momento, principalmente em festivais. Yorgos Lanthimos (1973-), indicado ao Oscar ano passado por Lobster (O Lagosta, também com Farrell), que é uma alegoria esquisita e bizarra, mas também curiosa e atrevida sobre trocas de valores.

Antes disso, tinha provocado mais polêmica ainda com outro filme, Dente Canino (2009), sobre três adolescentes que vivem isolados, sem sair de suas casas, porque os pais são muito controladores. Talvez porque o cinema grego esteja precisando de herdeiros, teve certa repercussão mas é difícil de engolir.  Não me lembro de ter passado aqui comercialmente.

O filme seguinte, que se chama Alpes (2011), é sobre pessoas que abrem negócios para passarem por especialistas em cuidar de pessoas que tiveram problemas recentes em processos de dor! 

De qualquer forma, este filme ganhou no último Festival de Cannes (que parece ter sido dos piores de todos os tempos) o prêmio de melhor roteiro, empatado com Lynne Ramsay. Tentou outros festivais, mas só teve outro prêmio em Sitges (que é de terror).  

Não se pode esquecer que Nicole Kidman resolveu resgatar a carreira, que passava por momento ruim (lembram do botox que quase a destruiu?), optando por trabalhar com cineastas de prestígio, como Yorgos. O problema é que apesar de sempre ter tido alguns elogios de certa imprensa, não concorre ao Oscar como pensava.

Na verdade, o filme deixa de ser esquisito e vira apenas um drama desagradável e confuso (como todos). O personagem central na verdade é um rapaz de 16 anos, um jovem britânico que esteve em Dunkirk, mas tem uma figura anti-convencional. O pai dele morre numa operação num hospital e cria-se um laço entre ele e o cirurgião que cuidou dele, o Dr. Steven Murphy (Farrell, ninguém menos adequado para o personagem).

Eventualmente, o rapaz é convidado para jantar e conhecer a filha adolescente do doutor,  que vê aquilo como uma família perfeita. Mas fica evidente para o espectador que há algo de errado nesse garoto. Dito e feio, a família entra em crise, diante de um fato trágico e que provoca sacrifícios.

Não dá para entrar em detalhes. O fato é que a situação não tem o poder trágico que pretende, nem a força dramática que justiçaria a poesia do titulo. Alguns críticos europeus mais astutos e informados chegaram a fazer uma comparação com a tragédia grega de Efigênia e Agamenon (criada por Eurípides e depois o Frances Racine).

No mito, o cervo sagrado é morto por Agamenon, e isso ofende a deusa Artemis, que exige em troca o sacrifício da filha do rei, Efigênia! Não deixam de seguir a ideia, mas não conseguiram reproduzir a intensidade necessária, nem tem o humor do filme anterior. Poderia aproveitar melhor os rápidos lances de possível comédia, mas como disse certo crítico europeu, o filme escorrega mais para terror do que cinema de arte. Muita coisa deixa de ser explicada.

E Nicole? Ah, bom, ela bem que podia passar sem ter feito mais este filme...

O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of a Sacred Deer). EUA, 20117. Direção de Yorgos Lanthimos. 2h01. Roteiro de Yorgos e Efthymis Fillipou. Com Nicole Kidman, Colin Farrell, Alicia Silverstone, Bill Camp, Raffey Cassidy, Barry Keoghan.

Em cartaz: Cinespaço Santos

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