Confira os filmes que mais agradaram em 2017

Star Wars: Os Últimos Jedi, Corra! e O Contador estão no Top 5

31/12/2017 - 09:22 - Atualizado em 31/12/2017 - 11:41

À primeira vista, estava supondo de que havia sido um ano muito ruim, com poucos grandes filmes, com excesso de filmes de arte europeus (no caso, quase todos foram lentos e indigestos demais) e só parecia haver alguma expectativa dentre os jovens quando se tratava de algum filme da Marvel ou DC Comics (cada vez se tornando mais comédia, mais convencional). Na verdade, eles me divertem, mas não consigo levá-los tão a sério como faz uma legião de fãs. 

O que realmente me assusta é constatar que, hoje, quem escreve sobre cinema tem vinte e poucos anos, não sabe nada dos filmes mais antigos (no máximo, final dos anos 90) e, como todo jovem, tem a pretensão de se achar cheio de sabedoria e verdades (ok, suponho que também fui assim, mas, ao menos a vida toda me dediquei a tentar ver e entender os filmes do passado, que por alguma razão ou outra perdi). 

Um detalhe curioso: o êxito no Brasil cada vez maior dos filmes de terror, desta vez trazendo o melhor escritor do gênero Stephen King (voto pessoal) no estouro de It - A Coisa, (direção de mais um desconhecido, Andy Maschietti, logo virá continuação). 

Voltou também o discutível Jogos Mortais/Jigsaw, dos irmãos Spierig; particularmente no gênero prefiro Sete Minutos depois da Meia-Noite/A Monster Call, do espanhol J A Bayona com Sigourney Weaver .

Em uma revisão mais detalhada, já não estou tão pessimista. Antes vamos ver alguns trabalhos excepcionais, que merecem destaque e respeito.

Melhor filme de ação

Star Wars: O Último Jedi, de Rian Johnson. A revelação de um diretor quase desconhecido, num filme denso, bem estruturado e resolvido, tecnicamente notável. O curioso é que várias gerações, mas em especial os jovens, se acham donos do projeto e resultado. Mero engano. Os criadores são quem mandam e, neste caso, deram um passo extraordinário.

Star Wars: Os Últimos Jedi é uma das revelações do ano (Foto: Divulgação)

Melhor filme de arte

Poesia sem Fim, do Jodorowski /Endless Poetry. Desde quando era garoto, tinha uma admiração muito forte por este artista chileno, que fez El Topo, A Montanha Sagrada e, agora, Nascido em 1929, fez este tocante e original filme poético. Isso sim que é sonhar e inovar.

Filme faz uma homenagem a herança artística do Chile (Foto: Divulgação)

Filme de maior impacto do ano

Num ano de conflitos e atentados, de racismo nunca tão exaltado, este filme Corra! (Get Out), de Jordan Peele, foi o mais original, mais ousado – e por que não confessar, para mim o que teve maior impacto. Começa como comédia e vai mexendo nas feridas, de maneira que vai concluindo de maneira até chocante. Uma pequena obra-prima original, que reflete o nosso pobre mundo atual. Lançado em 2017, ainda deve concorrer às premiações de 2018!

Corra! é um dos filmes de maior impacto do ano (Foto: Divulgação)

Melhor documentário

Um gênero que, infelizmente, circula pouco comercialmente (felizmente algumas tevês por assinatura como a HBO mantêm seu repertório sobre os mais diversos temas e polêmicas). Mas, num universo atual, prefiro destacar um documentário justamente sobre o nascimento do cinema, dirigido pelo presidente do Festival de Cannes, Thierry Frémaux . Lumière, a Aventura Começa (2016) um notável registro dos primeiros grandes filmes dos inventores do cinema, Os irmãos Lumière.

Obra fala sobre os primeiros filmes dos irmãos Lumière (Foto: Divulgação)

Melhor filme policial

Há uma campanha cerrada contra o ator, diretor e produtor (como em Argo) Ben Affleck. Convenhamos que não é um grande ator, mas vi com surpresa e respeito este thriller policial forte e chocante, O Contador (The Account), produzido, estrelado por ele dirigido por Gavin O’Connor num thriller surpreendente e forte. E ainda tem o grande John Lithgow para ajudar. 

Ben Affleck surpreende em O Contador (Foto: Divulgação)

Filmes que vale a pena assistir:

Dunkirk (Idem)

De Christopher Nolan. Quem sabe foi meu passado de ter feito a Faculdade de História que me influenciou com este brilhante e original (na maneira de fazer e dirigir) de um trágico fato histórico da Segunda Guerra Mundial, onde o diretor Cult (vide os Batmans) dá outra lição de cinema. Ainda acho que o Oscar devia pensar nele com carinho.

Mulher Maravilha (Wonder Woman)

Para mim, concordo com os que acham que foi o melhor filme de super herói do ano e, quem sabe, até influenciou a revolta feminina na Academia do Oscar contra os abusos sexuais. O fato é que feito por uma mulher, Patty Jenkins (que deu Oscar para Charlize Theron em Monster) e estrelado por uma deusa judia Gal Gadot (e até seu galã Chris Pine tem melhorado dia a dia).

O Apartamento (Forushande)

De Asghar Farhad, o melhor diretor do atual Irã, que ganhou o Oscar (e mesmo assim foi proibido de viajar para os EUA para receber o prêmio).

La La Land (Cantando Estações)

De Damien Chapelle, é uma interessante tentativa de fazer um filme musical rodado em Los Angeles, com uma deliciosa trilha musical e um romance envolvente. Levou Oscars de atriz (Emma Stone), direção, foto, trilha musical, canção City of Stars, desenho de produção. Mas será que já não esquecemos dele?

Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)

Sou fã do diretor Edward Wright desde os tempos de Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso, mas acertou em cheio neste divertido e cínico policial de perseguição (com ótimo elenco destacando o jovenzinho Ansel Elgort, que consegue convencer num grupo de outros famosos). Quem não assistiu procure descobrir o filme.

Moonlight (Idem)

A confusão dos papéis do Oscar com este filme e La La Land foi constrangedor e difícil de perdoar. Na verdade, ele foi bastante rejeitado aqui e lá fora, por se tratar de uma ousada história de um tema pouco comum (e normalmente descartado pelos negros que não gostam de abordar o tema). Dirigido por Barry Jenkins, quase estreante dividido em alguns episódios, é corajoso, forte e muito emocionante.

Planeta dos Macacos, a Guerra

Foi o diretor Matt Reeves e a interpretação do sempre surpreendente Andy Serkis (que também brilhou como o vilão de Star Wars). Nunca pensei que iria ainda gostar da série, que parecia tão abusada demais. Mas o diretor é supercompetente e contou, ou melhor, renovou a velha história num filme forte, inteligente e os efeitos nunca estiveram melhores.

Logan

De James Mangold. O diretor já e um veterano de filmes como Garota Interrompida, Johnny & June, Os Indomáveis, e Wolverine, o imortal. Mas foi com esta nova aventura com o astro Hugh Jackman, que ele caiu no gosto do público que o consagra como um dos melhores do gênero. Estão certos.

Victoria e Abdul, O Confidente da Rainha

Por alguma razão, não despertou o público que merecia. Feito por um excelente veterano britânico, Stephen Frears, tem uma extraordinária interpretação da veterana e querida Judi Dench. Uma história real e ainda até agora desconhecida da amizade da Rainha Vitória da Inglaterra com um indiano. Oscar possível para Judi !

Borg vs McEnroe 

De Janus Metz. Já sei que ninguém iria acreditar que eu fosse gostar e aplaudir este filme pessimamente lançado aqui. A história real de dois rivais campeões de tênis, muito bem dirigidos por um sueco (nome acima) e também bem interpretados por Sverrir Gurnadson e até Shia LeBoeuf (surpreendente!). Quem gosta de esporte não pode perder!

Doentes de Amor (The Big Sick)

De Michael Showalter. Com Zoe Kazan, Holly Hunter, Kumail Nanjian. Esta foi uma das raras comédias românticas que fez sucesso este ano nos EUA, e Holly Hunter tem sido indicada a prêmios. Infelizmente, foi ignorada por aqui, pelo fato de tratar de uma cultura que conhecemos e entendemos os paquistaneses. A comédia é doce, agradável e romântica, sem deixar de levantar os problemas raciais e sociais entre as sociedades.

Patti Cake$ ( Idem)

Direção e roteiro de Geremy Jasper. De tempos em tempos, surge um filme norte-americano independente com desconhecidos, que faz inesperado sucesso. Uma história diferente, que sabe falar de gente pobre e gorda, mas, nem por isso perde a garra, a força de viver e a própria simpatia. Vale experimentar.

Extraordinário (Wonder)

Nesse mundo caótico e trágico em que vivemos, até que é uma boa ideia finalmente fazerem um filme positivo, de boas intenções e lições, que vem de um best-seller norte-americano. A história de um garoto que tem seu rosto deformado e é interpretado por Jacob Tremblay, de O Quarto de Jack, com Julia Roberts, sua mãe. Bom trabalho do diretor Stephen Chobsky, que antes fez o talentoso As Vantagens de ser Invisível. Experimente!

Fragmentado (Split)

De Shyamalan. Quem diria que o diretor de O Sexto Sentido iria conseguir dar a volta por cima e, finalmente, acertar com um bom thriller de suspense, bastante violento com uma excelente interpretação do sub estimado James McAvoy. Vai ter até continuação...

Um Limite entre nós (Fences)

Difícil adaptação de uma peça teatral, também interpretado pela grande dupla de Denzel Washington, e Viola Davis. Na verdade, ele deveria ter levado o Oscar (mais um) para fazer parceria com Viola (que levou o dela). Pena que a temática humana e universal não tenha cativado o público brasileiro.

Estrelas Além do tempo (Hidden Figures)

De Theofore Melfi. Não ganhou nada no Oscar passado, o que foi uma injustiça, porque foi o filme mais interessante e positivo da seleção. Um adorável elenco negro se expondo, com coragem e simpatia, numa história real de mulheres que trabalharam no projeto americano de viagem às estrelas. Até Kevin Costner convence.

Assassinato no Expresso Oriente

Mesmo já conhecendo bem a versão anterior, achei um prazer assistir duas vezes esta aventura de época, baseada em livro clássico de Agatha Christie (que muda bastante a versão anterior), com ótimo elenco. Mas quem brilha desta vez é o diretor do filme, Kenneth Branagh, e que também faz o papel do detetive Hercule Poirot, que tenta solucionar o mistério. Ótimo elenco, incluindo a maravilhosa Michelle Pfeiffer. Mas há também o bônus de ter sido feito em sistema de 65 milímetros, provocando imagens notáveis.

Armas na Mesa (Miss Sloane)

Outro que poucos viram. Embora não tenha maior simpatia por Jessica Chastain, ela está em seu melhor momento neste drama judicial interessante e surpreendente. Bom trabalho do diretor John Madden.

Um Homem chamado Ove, da Suécia

Direção de Hannes Holm. Indicado a dois Oscars, filme estrangeiro e maquiagem. E agora Tom Hanks vai fazer uma refilmagem, já que o papel é bem para ele. Uma discreta comédia humana, sobre um aposentado que não consegue se tornar amigo dos vizinhos! Uma boa pedida.

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