Circo Portugal representa a tradição do picadeiro em SV

Trupe com 156 profissionais de várias nacionalidades se apresenta até fim de setembro

07/09/2018 - 10:02 - Atualizado em 07/09/2018 - 10:11

Pai e filho dividem picadeiro (Irandy Ribas AT)

Por trás das cortinas, o show circense pode não ser tão cheio de glamour, mas é surpreendente. A estrutura funciona com diversas engrenagens humanas, que, juntas, fazem a magia acontecer. Assim é o Circo Portugal Internacional, que faz temporada em São Vicente até o fim de setembro.

Foi nos bastidores que descobrimos toda a estrutura que move o Circo Portugal: mais de 900 toneladas de equipamentos e uma trupe de 156 profissionais de várias nacionalidades. 

Motos, peças de ferro, cabos, araras de fantasias, seis motos (contamos) e até um carro. 

No vaivém que precede a apresentação, pai e filho trocam apressadamente de roupa, já preparando seu primeiro número. Eles são Pipo e Marquito, os palhaços que fazem diversas esquetes para a plateia rir, envolvendo música, trapalhadas e até trapaças do filho com o pai, como uma bombinha que estoura no meio do show e um rato que é colocado em suas calças. 


De família

O equilibrista Emilian Stevanovich, de 21 anos, cresceu vendo os familiares artistas. De ascendência ioguslava e francesa, ele cresceu no Brasil e há um ano e meio está com o Circo Portugal. Os parentes são dos tradicionais Stevanovich, donos do Le Cirque, que surgiu há mais de 300 anos, na Europa. 

Na II Guerra Mundial, vieram fugidos para a América Latina, onde começaram a se apresentar nas praças daqui por muitos anos. Há familiares espalhados pelo mundo todo. “Tem um peso, sim, carregar este nome, mas o circo está no sangue de todos que trabalham com isso. É a mesma magia que move todo mundo aqui”.

Aliás, ele mesmo começou a se interessar em ser artista circense lá pelos 13 anos. Viu no equilibrismo algo que lhe atraía e começou a treinar. “Sempre digo que um esqueleto que não se mexe, não se move, se arrasta”. 

E como se mexe no picadeiro. As manobras chegam a assustar, como uma em que termina o movimento com o rosto a centímetros do chão. “Este, por incrível que pareça, é um dos primeiros que aprendemos. Há um controle grande, mas existem outros mais complicados”, diz ele, ao completar: “Treino, pancada, exercícios e anos de prática vão melhorando, mas não te livram dos machucados”.

A família também foi vital para o malabarista Luciano Avanzi, de 43 anos. Ele cresceu vendo os pais no picadeiro. A mãe, além de artista de circo, é atriz de teatro. O pai, colombiano, já faleceu, mas também era circense. “Folga é em termos. Você vive isso. Mas também não é um trabalho. Acho que falta mais apoio dos governos aos circenses, porque aqui tudo é feito por nós”, cita Avanzi. 

De fato, todo mundo faz de tudo dentro do circo. Além das apresentações, são eles mesmos que vendem doces, salgados e outras coisas antes do show. “É uma grande família. E tem que amar mesmo isso aqui, porque você é circense todos os dias, 24 horas por dia”.

Serviço
Os ingressos custam de R$ 30,00 a R$ 40,00 (dependendo da cadeira). Há meia para estudantes, idosos e crianças até 12 anos. Os espetáculos acontecem de segunda a sexta-feira, às 20h. Aos sábados, a apresentação acontece às 17h30 e 20h. Já aos domingos e feriados, o público pode conferir o show em três sessões: 15h, 17h30 e 20h. A estrutura está montada na Praia do Itararé, ao lado do Teleférico.

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