Cinco histórias em um longa e um tema: a violência urbana

'SP - Crônicas de uma Cidade Real' retrata pessoas em situação de cárcere, tendo São Paulo como fundo

30/08/2018 - 11:12 - Atualizado em 31/08/2018 - 11:25

Cena de um dos episódios que formam o longa que mistura ação, suspense, drama e terror psicológico (Divulgação)

São Paulo é mais do que uma cidade. É uma entidade, onisciente e onipresente. E personagem central no filme "SP - Crônicas de uma Cidade Real", primeiro longa do diretor carioca radicado na Capital paulista, Elder Fraga, de 43 anos. Independente, a produção tem avant-première, nesta quinta (30), às 21h30, dentro do 3º Santos Film Fest. A entrada é franca.

Ainda sem data para estreia, o filme será exibido no Roxy 4, do Shopping Pátio Iporanga (Av. Ana Costa, 465), com a presença do diretor, atores, roteiristas e produtores. O secretário de Estado da Cultura, Romildo Campello, também virá.

Ganhador do prêmio de Melhores Efeitos Especiais no Niaffs 2018 No Identity – International Action Film Festival, em Sevilha, na Espanha, o longa é composto de cinco histórias que têm a Capital como cenário: “As histórias são independentes. O que dá a liga entre elas é São Paulo, como se a cidade estivesse olhando para essas pequenas crônicas e, a partir disso, contasse essas histórias. Outro ponto de ligação é que, em cada episódio, tem um personagem em estado de cárcere”, define o diretor, que trabalhou com o autor de teatro santista Plínio Marcos, em 1999. 

Para escrever as tais crônicas, Fraga convidou três roteiristas com os quais já trabalhou em outras produções audiovisuais e até no teatro: Leonardo Granado (de Santos); James Salinas e Sérgio Minehira.

Cartaz do filme (Divulgação)

Granado conta que cada roteirista teve liberdade de criar sua história sem ter necessidade de amarrar uma na outra. O santista é autor da crônica intitulada "Folha em Branco", que abre o longa: “O cenário é um apartamento fechado, onde um rapaz acorda sem memória e com uma mulher desmaiada ao seu lado. Eu queria desenvolver essa história há algum tempo e propus ao Elder Fraga, que contribuiu para o roteiro”.

O longa nasceu de uma pesquisa que Fraga realiza há quase dez anos e que resultou em sete curtas-metragens como diretor: “Esse tema (da violência urbana) sempre andou dentro dos meus roteiros, mas a faísca para o longa surgiu após um papo com minha filha, de 5 anos. Ela disse que tinha medo da cidade porque há muita gente ruim. A partir disso, comecei a desenvolver as histórias com os roteiristas, uma delas adaptada de um conto de Anita Deake”.

O filme tem com um grande elenco, no qual está Edgar Pedro de Souza (que desenvolveu carreira em Santos, leia mais abaixo) e foi rodado em um mês, tendo como locações a Granja Viana, a Serra da Cantareira, a Zona Leste, o bairro do Bom Retiro e numa fábrica abandonada em Perus, entre outros lugares. Um deles, foi o salão no Pacaembu, onde a equipe gravava, num domingo, uma cena de resgate, com o elenco portando réplicas de armas de fogo e bombas de efeito moral – o que causou inclusive um mal-entendido e levou a PM a cercar e isolar a área. Por sorte, um delegado da polícia acompanhava as gravações e explicou a situação. 

A trilha sonora conta com a produção do compositor santista Umanto (nome artístico de Marcos Antonio Trocoli), que mora em São Paulo. Na trilha de um dos episódios, há a participação de 12 integrantes da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos, tocando "Jesus Alegria dos Homens", de Bach, além de músicas compostas por Umanto. 

Assista ao trailer:

Ator formou-se em oficinas em Santos

Edgar Pedro de Souza atua no teatro e no cinema
(Divulgação)

Além do longa, o ator Edgar Pedro de Souza, atualmente, está em cartaz com o Grupo Boa Vista - formado a partir do Grupo Tapa -, com a peça "Hotel Tennessee", em São Paulo. com 20 anos de teatro, ele conta que "SP - Crônicas de uma Cidade Real" é o primeiro longa de sua carreira: "Eu conhecia o Elder (Fraga) do teatro e de outros projetos, como o curta 'Noia', escrito por Maristela Bueno, que ele dirigiu. Também trabalhei com ele em outro curta 'Ser ou Não Ser'. Minha carreira como ator começou em 1995, com oficinas culturais em Itanhaém e, depois, em Santos. Não parei de estudar nunca mais". Edgar nasceu em São Paulo, mas cresceu em Itanhaém. 

No filme, ele faz um dos traficantes co bando do Sandrão RZO. "Eu não tenho nome no filme porque a cena é muito rápida. A gente chega para fazer uma negociação", revela Edgar, que ministra oficinas de teatro de graça para crianças, na sede do Rotary Club de Itanhaém. "Chama-se Projeto Pitanga, porque além das oficinas, a gente planta mudas de Pitanga na orla da praia. Estou com umas 300 para plantar", conta. 

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