Atrizes leem seus autores preferidos em nova série no GNT

Idealizada e dirigida por Alberto Renault, "Palavras em Série" traz Camila Pitanga, Lilia Cabral e outras

04/12/2017 - 11:09 - Atualizado em 04/12/2017 - 11:21

Alberto Renault no episódio com a atriz Camila Pitanga lendo Hilda Hilst (Foto: divulgação)

A proposta parece bem simples: um diretor, uma atriz e um assunto predefinido, leitura de obras de algumas das principais autoras nacionais. Não tem muita iluminação, nem cenário com efeitos visuais ou uma edição tão poderosa. Mas quem está no comando de "Palavras em Série", novo programa da GNT, que estreou no sábado (dia 2), às 23h15, é o diretor e produtor Alberto Renault, que preparou a série com cinco episódios, a serem exibidos todos os sábados, no mesmo horário. 

Veterano do canal, ele é o criador de alguns dos principais programas da emissora, entre eles "Casa Brasileira", "Chefs Brasileiros", "Arte Brasileira", "Morar" e "Morar Mundo". Ou seja, sabe o caminho para vingar suas propostas.

“Estava pensando em algo diferente dos sete anos de documentários na emissora e quis experimentar algo de ficção. Mas a ficção que me interessava era uma que estivesse próxima da literatura e do documental. 'Palavras em Série' tem um lado documental, porque mantenho a entrevista, a ficção vem com a interpretação dos textos”, explica Renault.

A primeira fase da nova produção da GNT conta com cinco episódios. Em cada um deles, Renault recebe uma atriz para ler a obra de uma autora diferente. Andrea Beltrão, Monica Iozzi, Lilia Cabral, Camila Pitanga e Regina Casé vão ler textos das autoras Adélia Prado, Tati Bernardi, Ana Cássia Rebelo, Hilda Hist e Clarice Lispector, respectivamente.

“Como todo processo de encenação, existe um encontro do diretor e a atriz. É o momento que você senta com o ator e coloca as ideias que você pretende gravar. Gravei essa minha conversa com as atrizes e a interpretação, depois misturei tudo na edição. Temos uma espécie de making of. O que está off e o que está on tem a mesma importância. Às vezes você nem percebe o que está encenado ou não”, comenta.

A escolha das atrizes não está relacionada com nenhuma experiência anterior de trabalho de Renault com elas. Com exceção de Regina Casé, o diretor ainda não havia trabalhado com nenhuma das participantes. “Com a Regina atuamos juntos como documentaristas. Eu a dirigi no "Brasil Legal" e "Muvuca", no "Fantástico". A Monica Iozzi, por exemplo, eu nem a conhecia. A Andrea, a Lilia e a Camila conhecia por frequentarmos lugares em comum, aqui no Rio”.

Questionado sobre o que achou do desempenho de Monica Iozzi, ex-"CQC"e  "Video Show", a 'desconhecida' na área de Renault, o diretor disse ter ficado bem surpreso. “Ela é uma grande atriz. Consegue ser muito dramática em cena, mas trabalha muito bem o humor também. Foi uma grata surpresa que o programa me proporcionou”.

Para Renault, o objetivo final do programa é montar uma espécie de 'orquestra' para o seu público. “Ao fim dos cinco episódios, gostaria que as pessoas captassem a diferença de estilos, tons, vivência de cada uma das atrizes. A Lilia é completamente diferente da Andrea, que por sua vez difere bastante da Monica, e por aí vai”.

Muito empolgado com o resultado das gravações, o carioca afirma que conseguiu captar uma sonoridade bem distinta e particular das participantes. “Elas são autoras, personalidades criativas, produtoras, apresentadoras, atrizes fortes e potentes. Elas são mais do que atrizes, entende?”.

A responsabilidade de escolher os temas, autoras e obras para cada atriz também partiu de Renault. As participantes não tiveram qualquer responsabilidade na hora de definir.

No primeiro episódio, Andrea Beltrão faz observações sobre Deus, morte e sexo – temas presentes na poesia de Adélia Prado. No segundo, Monica Iozzi faz relações entre as próprias ansiedades e aquelas narradas no livro "Depois a Louca Sou Eu", de Tati Bernardi. 

Em seguida, Lilia Cabral aborda a depressão narrada pela escritora portuguesa Ana Cássia Rebelo no seu livro "Ana de Amsterdam". Já Camila Pitanga aborda a sua relação com a poesia a partir da obra da poeta Hilda Hilst, e, encerrando a série, Regina Casé fala sobre a “descoberta do mundo” a partir da sua interpretação e leitura da crônica de Clarice Lispector.

Como continua sendo o responsável por diversas atrações da GNT, Renault ainda não sabe como será a sequência. Uma segunda temporada está nos planos, mas com uma pequena mudança. “Quero gravar cinco atores lendo cinco autores nacionais também. Eu gosto desse equilíbrio nos programas”.

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