Atração do Mirada no Sesc, Francisco, El Hombre diverte com críticas políticas e sociais

Banda campineira se apresenta nesta quarta-feira, às 23h. Ingresso é gratuito

12/09/2018 - 09:03 - Atualizado em 12/09/2018 - 09:16

Grupo se prepara para lançar o segundo disco, previsto para 2019 (Foto: Jeff / Divulgação)


Em tempos de boicote aos artistas politizados, que não escondem de ninguém suas preferências ideológicas, a banda campineira Francisco, El Hombre tem vivido um ano bem especial. A atual temporada já conta com participações destacadas em dois grandes festivais: Vive Latino (México) e Lollapalooza Brasil, quando o grupo formado por músicos brasileiros e mexicanos fez uma bela homenagem à ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada dias antes do evento.

Nesta quarta-feira (12), a partir das 23h, a banda se apresenta na Área de Convivência do Sesc Santos, dentro da programação da quinta edição do Mirada – Festival de Artes Cênicas. A entrada é gratuita.

O parágrafo inicial é importante para mostrar o contexto atual do cenário cultural do Brasil. Nomes fortes e consolidados da música brasileira como Caetano Veloso, Chico Buarque, Lobão e Ultraje a Rigor, por exemplo, tiveram apresentações canceladas por motivos políticos. Sinais dos tempos de intolerância, independentemente de seus posicionamentos, os músicos têm sofrido boicote de casas de shows e produtores por todo o Brasil.

“Já recebemos várias críticas pela maneira como a gente se posiciona, muitas pessoas falam que política não deveria se misturar e focar no trabalho como músico. Mas a gente entende a música e arte como instrumentos de comunicação, de mensagem. Cada um pode ter sua própria ideia do que é a função da música, mas pra gente é isso. Escutamos as críticas com o peito aberto, muitas vezes elas fazem a gente melhorar, mas não vamos deixar de falar o que a gente pensa”, defende o vocalista e violonista mexicano naturalizado brasileiro Mateo Piracés-Ugarte.

Prova que o momento não mudará é que o sucessor do primeiro álbum da banda, Soltasbruxa, de 2016, já vem sendo preparado com base no atual momento político, socioeconômico do País.

“Estamos compondo o disco novo muito com base nesse meio que está vindo de dor, fogo, uma guerra civil virtual de ódio. Construindo um disco para falar sobre isso”, adianta.

Em Soltasbruxa, o grupo tece críticas ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) na faixa Bolso Nada, por conta de seus posicionamentos polêmicos.

“Esse cara tá com nada, sabe pouco do que diz. Muito bla bla bla que queima quem podia ser feliz. Desrespeito é o que prega então é o que colherá. Jogo purpurina em cima para o feio embelezar”, canta os integrantes na canção, que tem a participação especial de Liniker e os Caramelows.



Qualquer semelhança...
Mateo acredita que os problemas enfrentados pelo Brasil não são exclusivos daqui e vê semelhanças com outras nações da América Latina. “É um continente extremamente diverso e diferente de um lado para o outro. Foi colocado sobre o mesmo modelo de opressão e imperialismo durante 500 anos. Obviamente gerou muitos pontos de sofrimento parecidos, mas também de florescimento. As consequências desse imperialismo a gente vê muito parecidas no Brasil, México, Argentina, Chile, aquela coisa de não valorizar o que é local”. 

Sobre o novo trabalho, previsto para 2019, Mateo confirmou que já encerrou as gravações e iniciou o processo de produção dos videoclipes. “Mudamos bastante coisa, não queremos lançar um disco igual ao outro. É uma família que está sempre andando. Os EPs foram assim também. Crescemos musicalmente e sempre estamos indo para frente. Talvez tenha gente que não vai gostar para onde fomos, mas o que mais importa é que não queremos ficar parados”, argumenta o vocalista, ao citar os EPS Nudez (2013) e La Pachanga (2015).

Apesar de já ter vindo a Santos algumas vezes, com outras bandas e o próprio Francisco, El Hombre, Mateo diz que gostaria de conhecer melhor a região.

“Na primeira turnê que a gente fez pela América Latina, nós passamos por Santos, foi a nossa primeira data, por sinal. A nossa ideia era unir os dois oceanos, o Atlântico e o Pacífico, Santos foi a representação. Queremos conhecer mais, que esse show seja uma porteira para voltarmos mais”, comenta o músico. 

No repertório em Santos, Mateo diz que as canções do álbum de estreia estão totalmente reversionadas e marca a despedida da turnê.

O Sesc fica na Rua Conselheiro Ribas, 136, na Aparecida. Mais informações pelo telefone 3278-9800.

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