Anderson Camargo rende-se à arte abstrata em exposição

Intitulada "Multiforme", a mostra fica em cartaz na Galeria de Arte Braz Cubas até dia 30

21/04/2018 - 11:59 - Atualizado em 21/04/2018 - 12:05

Visão geral da exposição "Multiforme", na Galeria de Arte Braz Cubas (Foto: Claudio Vitor Vaz/AT)

O artista difere do não-artista ao transformar tudo o que sente, vive e observa em beleza ou espanto. Perto de completar 50 anos de idade, o escultor santista Anderson Camargo vem passando por um profundo processo de transformação pessoal, e isso vem resultando em esculturas abstratas, que podem ser vistas na exposição Multiforme, até dia 30, na Galeria Braz Cubas. 

As quase 50 peças ali expostas são resultado de um trabalho muito mais ousado e autoral do que os da mostra anterior, realizada em 2017, naquele mesmo espaço: "Santos e Seus Encantos", na qual ele retratou cartões-postais da Cidade.

Nas duas exposições, o artista utilizou a mesma técnica, suporte e ferramenta ao esculpir formas manuseando uma serra tico-tico sobre placas de MDF (feitas de fibra derivada da madeira). 

Com 11 anos de trajetória, ele surpreende, porém, ao dar essa guinada para o abstrato para a nova série, e em grandes formatos. Suas linhas podem ser sinuosas, circulares ou retas, sugerem movimento, apontam direções e saltam da parede para o chão, na forma de esculturas verticais. Outra novidade é o uso de cores sobrepostas, por meio de uma pistola de tinta.

“Resolvi mudar meu estilo ao buscar me desafiar como artista. Agora, eu posso interpretar todas as formas que vejo. Tudo pode virar escultura, um pedaço de azulejo, uma escada”, avisa. 

Seu processo criativo começa com uma provocação. Camargo anda com um caderno de rascunhos, no qual ele anota todas as formas que o intrigam. “Faço um rabisco que serve de linha-guia para a escultura final em MDF, e não tem limite de tamanho”, conta ele, que preparou obras de dimensões variadas: de uma peça com 42 cm de altura a uma escultura com 2,20m de altura (que se quebrou num tombo e foi recomposta pelo artista, virando outra obra). 

Anderson Camargo em seu ateliê, com a serra
tico-tico (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

Com três filhos em casa, Camargo precisou ganhar a vida trabalhando duro na estrada, como caminhoneiro. Mas já se dedicava à arte antes disso. “Eu fazia paisagismo, que considero uma forma de arte. Construía cascatas e fontes para decoração de ambientes”, lembra. Sua veia artística, ele arrisca dizer que veio do avô, um artesão caiçara. “Ele tecia lindas redes e tapetes”.

O artista descobriu o MDF ao reaproveitar restos de um material que sobrou de um carreto com seu caminhão. Com uma serra tico-tico emprestada, fez sua primeira peça: uma rosa toda vazada, que usou para decorar a parede da própria casa. Hoje, tem se dedicado integralmente à carreira artística, num ateliê montado no primeiro andar de sua casa, que fica no Morro Nova Cintra. 

Camargo já participou de exposições e eventos como "Santos – do Futebol ao Turismo", "Bertioga Como Te Vejo" e "Festival Santos Café", além de "Santos e Seus Encantos". Duas obras suas ganharam bastante destaque na mídia: um Cristo de 2 metros de altura, que está na Igreja São Paulo da Cruz, em Praia Grande, e um presépio que venceu um concurso promovido pela produção do programa "Encontro com Fátima Bernardes", na Globo. 

Serviço – A Galeria de Arte Braz Cubas fica no 2º andar do Centro de Cultura Patrícia Galvão, Av. Sen. Pinheiro Machado nº 48, Vila Mathias. A visitação pode ser feita até o dia 30, de segunda à sexta-feira, das 10h às 18h.

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