Alessandra Maestrini vem a Santos como espetáculo O Som e A Sílaba

A comédia musical tem o texto e direção de Miguel Falabella; peça aborda o tema autismo de maneira leve e descontraída

12/10/2018 - 10:30 - Atualizado em 12/10/2018 - 17:52

Uma comédia leve, musical, informativa, que te fará refletir e se identificar com a história de superação de uma jovem com Síndrome de Savant (do sábio) – um tipo de autismo. É o que promete a atriz Alessandra Maestrini, protagonista da peça O Som e A Sílaba, que tem texto e direção de Miguel Falabella. A obra será apresentada neste sábado (12), às 21 horas, no Teatro Coliseu, em Santos.

Ao lado da atriz Mirna Rubim, que interpreta a professora de canto Leonor Delise, Alessandra dá vida à personagem Sarah Leighton, que tem incrível capacidade vocal – devido à síndrome. Por esse motivo, em meio ao espetáculo, acontecem algumas intervenções musicais.

Apesar do assunto denso, a protagonista garante que o tema é tratado com muita leveza, respeito e humor. “O nosso tipo de humor é de rir com (a pessoa) e não rir dela. É um humor cúmplice”. 

Outra questão que, segundo ela, costuma assustar o público tem a ver com ópera, gênero apresentado. “É uma comédia com inserções musicais. As pessoas dizem que nunca viram alguém cantar de perto algo tão emocionante. O público vai gargalhar, se emocionar e ficar impactado com as pílulas de ópera”.  

Peça foi escrita por Miguel Fallabela para Alessandra Maestrini (à dir) (Divulgação)

Todo esse humor e técnica vocal amarram o texto e a interpretação das artistas para contar a história de Sarah Leighton que, após perder os pais, busca algum sentido para a vida. Ela chegou a morar com o irmão casado, mas não se encaixou naquele ambiente. 

Consciente das limitações no relacionamento com outras pessoas, a jovem encontra na música – uma de suas habilidades - uma forma de socializar e quebrar as barreiras impostas pela síndrome. É quando nasce a relação entre Sarah e Leonor, professora que vive uma crise pessoal e profissional. 

Nesse encontro, a história estabelece uma relação de cumplicidade entre as duas e fará o público se perguntar: quem ajudou quem? 

“O espetáculo fala especialmente sobre a importância de abraçar e valorizar o diferente. De como é importante abraçar os nossos sonhos mais profundos e, às vezes, considerados os mais loucos. Isso nos torna mais felizes e faz a vida dos outros feliz”.

Síndrome de Savant

Trata-se de um distúrbio psíquico, que atinge uma em cada dez pessoas com Asperger. Os dois fazem parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Elas têm habilidades intelectuais consideradas extraordinárias, conhecidas também como “ilhas de genialidade”. Apesar de terem uma memória acima da média, têm pouca compreensão do que está sendo descrito.

Tema e escolha

Alessandra conta que Falabella está há anos apaixonado pelo tema Síndrome de Asperger (tipo de autismo) e resolveu escrever uma peça sobre o assunto motivado pelo encantamento de vê-la cantar.

"A Mirna, além de atriz, é de uma grande cantora e considerada uma das melhores preparadoras de ópera. Estávamos ensaiando e o Miguel chegou para uma visita. Ele se assustou com o meu canto. Disse que deveria estar na Europa, ganhando em euro. E, depois, falou que escreveria um texto para mim".  

Visita a Santos

Apesar de ter nascido em Sorocaba, no
interior de São Paulo, a atriz que ficou
marcada por interpretar a personagem
Bozena, de Toma Lá, Dá Cá, nunca esteve
na Baixada Santista. “Fui com 2 anos para o
 Rio de Janeiro. Estou curiosa a respeito
 de Santos,  ouvi falar das praias. Estou curiosa”.

A atriz comenta que hoje o assunto autismo está bastante em evidência e, inclusive, tem sido tema de filmes e séries, mas ressalta que Falabella se aproximou dessa realidade muito tempo antes, o que permitiu com que escrevesse a peça com muita propriedade. 

"Consideramos ele um gênio. Essa obra é uma joia inesquecível. Um presente que não tem tamanho".

Preparação

Segundo Alessandra, como Falabella pesquisou muito sobre o assunto, ele disponibilizou materiais de pesquisa e orientou sobre vídeos, séries e filmes que abordam a questão. Tudo isso ajudou a construir a personagem, mas faltava conhecer alguém que tem a síndrome. 

Ela foi apresentada para a cineasta Júlia Balducci, que tem asperger. “Li o texto para ela e a pedi que o lê-se para mim. Ela falou que se identificava e que estava ótimo”.

A atriz conta que fez uma série de questionamentos e que só ficou satisfeita quando ouviu Júlia dizer: “Bota pra quebrar que vai ser um arraso”.

Vai virar filme

Alessandra Maestrini contou que Miguel Falabella pretende transformar a peça em filme. “Ele considera este o seu melhor texto,a obra-prima”

“A comunidade autista está apaixonada e em sintonia conosco. O grande público também se identifica com a personagem e a história de superação, de que podemos viver com nossas potencialidades e acreditar mais em nós”.

A atriz ressalta ter visto muitos relatos de gente que, após a peça, se deparou com a asperger. “Disseram que agora entendem melhor o sobrinho, filho, vizinho... Antes de saber dessa condição, as pessoas tinham a visão de que eles eram antissociais. É o contrário”.

Ela perguntou para Júlia porque aqueles que têm asperger encontram dificuldade de olhar no olho. “Para a minha surpresa, ela disse que é muita informação e que isso a deixa confusa. Ou seja, eles se comunicam mais do que pensamos”.

Informação

A Sarah é asperger e savant. No espetáculo, a personagem explica ao público que é asperger e depois fala sobre o savantismo. “É difícil de explicar a peça. Existem muitas camadas, desde o humor irresistível do Miguel às questões das síndromes, suas relações humanas, lutas e medos.

Aprendizado

Com a peça, a atriz confessa ter aprendido muito, principalmente a se permitir mais. “Sempre fui essencialmente empática. Me abri muito mais com os outros e pra mim mesma. Isso é tão gostoso”.

“A peça explicita que é um direito e um dever que todos nós, quanto indivíduos, com ou sem autismo, lutar e fazer de tudo para que a vida seja tão saborosa quanto possa ser. A vida é saborosa”.

Prêmios

O musical estreou em agosto de 2017 e, desde então, vem acumulando prêmios e indicações. A mais recente aconteceu no 6º Prêmio Bibi Ferreira, o mais tradicional para musicais do País, pelo Melhor Roteiro Original, de Miguel Falabella. 

A peça também foi indicada em outras cinco categorias: Melhor Musical Brasileiro, Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. 

O Som e A Sílaba também conquistou dois prêmios Aplauso Brasil, pelo figurino e a direção.

Serviço

O Teatro Coliseu fica na Rua Amador Bueno, 237, no Centro de Santos. Os ingressos custam entre R$ 70 e R$ 90 e podem ser comprados no quiosque de ingressos do shopping Miramar ou pelo site: www.eventim.com.br.

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