A poesia musicada de Cícero, que lança o CD 'A Cidade'

Pela primeira vez por uma grande gravadora, o cantor e compositor carioca está no quarto álbum

20/12/2017 - 11:22 - Atualizado em 20/12/2017 - 11:34

O compositor conta que começou musicando seus poemas (Foto: Eduardo Magalhães/Dvulgação)

Cícero Rosa Lins não tem apenas nome de poeta. Ele é. E sua poesia é tão ritmada que virou música. São quatro álbuns já. O primeiro deles, "Canções de Apartamento" (2011), foi produzido e gravado pelo artista, que tocou todos os instrumentos e colocou as músicas para download gratuito na internet. 

Ele já era conhecido da cena independente, mas como letrista e vocalista da banda Alice, que durou de 2003 a 2008. "Canções de Apartamento" foi seu primeiro e bem-sucedido voo solo, que conquistou dois prêmios Multishow de Música Brasileira em 2012, nas categorias Música Compartilhada (pelo disco) e Versão do Ano (pela sua versão da canção "Conversa de Botas Batidas", do Los Hermanos), e um Prêmio Contigo MPB FM de Melhor Álbum Independente. 

Depois, vieram mais dois álbuns, também independentes: "Sábado" (2013) e "A Praia" (2015), seguidos de turnês pelo Brasil e Europa. Já tocou cinco vezes somente em Portugal, onde se deu bem com o público ávido por novidades e por música brasileira. 

Por aqui, há blogs e sites que o comparam a grandes nomes da MPB, como Caetano Veloso, Milton Nascimento e Tom Jobim. Apesar de fazer referências à bossa nova e à Tropicália em suas composições, Cícero, aos 31 anos, busca um caminho próprio, voltado ao pop. “Parto de algo reconhecível e viajo para outras linguagens”, diz. 

Agora, pela primeira vez, o músico põe no mercado um disco por uma grande gravadora, a Sony Music, que acaba de lançar "Cícero & Albatroz", com dez canções próprias, incluindo o single "A Cidade", que fez em parceria com o produtor norte-americano Victor Rice, nome conhecido da 'dub music'.

“Eu trabalhei com o Rice no disco anterior, "A Praia". Na época, em 2015, ele tinha me mandado uma base instrumental, um 'ska', que acabei não usando. Eu trabalhei nela depois e virou "A Cidade". Tem uma pegada de 'trip hop' também”, conta Cícero, que lançou a nova música como 'single' e com clipe na internet. 

Clipe cinematográfico

Postado no final de novembro, o clipe de "A Cidade" está com quase meio milhão de visualizações e vem arrancando elogios pela sua linguagem de cinema. É como um curta-metragem todo em plano-sequência (sem cortes), tendo como pano de fundo as reformas das leis trabalhistas e da previdência. 

Dirigido por Artur Miranda, o clipe começa com Cícero deitado no asfalto, em frente ao prédio do Ministério do Trabalho, no Rio de Janeiro. “Eu tive essa ideia e contei para o Eduardo Magalhães, que fez a direção criativa do clipe. Viramos um carro na frente do Ministério do Trabalho, no Rio, comigo deitado no chão. Quem já viu o prédio vai reconhecê-lo. Aquele local tem sido palco de diversos protestos por causa das reformas. Quis mostrar minha cidade de um jeito diferente, de maneira mais crítica mas sem ser panfletária”.

Veja o clipe de "A Cidade":

Ano sabático

Nascido e crescido no subúrbio de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, o músico se chama Cícero em homenagem ao escritor Antônio Cícero. Seus pais são advogados, e o Direito foi um caminho natural para ele, que montou a banda Alice durante a faculdade. “Gravamos dois discos, um em 2003 e outro em 2005. Alice acabou quando me formei, em 2008”, lembra o músico.

Cícero fazia estágio na Defensoria Pública do Rio quando decidiu largar tudo e passar um tempo no exterior. “Fiquei um ano em Nova Iorque (EUA). Voltei com equipamentos, instrumentos e ideias”, lembra Cícero, que passou um ano compondo e gravando em casa. O material resultou no premiado disco "Canções de Apartamento". 

A turnê do novo disco, "Cícero & Albatroz", está marcada para começar em 13 de janeiro, no Rio, e dia 30 de janeiro, no Cine Joia, em São Paulo.

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