A escritora Madô Martins faz lançamento duplo na Baixada Santista

Colunista do caderno Galeria, de A Tribuna, a autora reuniu crônicas sobre Santos e escreveu uma obra infantil

13/09/2017 - 10:21 - Atualizado em 13/09/2017 - 10:42
A colunista de A Tribuna Madô Martins com seus livros (Foto: Luigi Buongiovanni/A Tribuna)

Ser simples é complicado. Não é para qualquer um, mas para pessoas que enxergam beleza em coisas que passam 'batidas' para muita gente. Madô Martins, cronista de A Tribuna desde 2000, é uma dessas pessoas que têm o dom de inspirar as demais por meio da escrita.

Todo domingo, ela brinda o leitor do jornal com textos tão deliciosos quanto pingado com média (ou cará) na chapa. Coisa bem santista. São crônicas enxutas, mas que enchem de amor, orgulho ou nostalgia aqueles que moram na Cidade ou por ela se encantam.

Em quase 20 anos publicando toda semana, Madô produziu mais de 800 textos. Foi desse montante que ela selecionou algumas dezenas para publicar no livro "Som das Conchas" (Editora Kazuá, 120 págs., R$ 40,00), sua 14ª obra literária, que lança, nesta semana, ao lado do 13º título, o paradidático "Cidade dos Canais", voltado ao leitor em formação. 

A autora está se dedicando a uma série de lançamentos dos livros. Já lançou na Casa do Barão, em São Vicente, no último sábado; e na Biblioteca Central de Cubatão, na terça (12).

 

Em Santos, serão quatro eventos de lançamento: sexta-feira, às 17 horas, na Estação da Cidadania, em Santos (Av. Ana Costa, 340, Vila Mathias); no sábado, às 15 horas, no Orquidário Municipal (Praça Washington, s/nº, José Menino); no dia 24 (sábado), às 15 horas, no Aquário Municipal (Av. Bartolomeu de Gusmão, s/nº, Ponta da Praia); e dia 27 (quarta), às 19h30, na Biblioteca Municipal Mário Faria (Posto 6), no projeto "O Autor e Sua Obra". 

O lançamento na Capital será no sábado (16), às 13 horas, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073, Consolação).

Crônicas oceânicas

Como escreve Carla Zomignani, editora do Galeria, de A Tribuna, na orelha do livro, "Som das Conchas" reúne 50 "crônicas oceânicas que, como no vaivém das ondas, nos remetem a uma lembrança ou ao dia a dia inspirador para quem vive à beira-mar".

O livro também reúne textos publicados na revista literária on-line Rubem. O editor da publicação digital, Henrique Fendrich, é quem assina o prefácio de "Som das Conchas". Morador de Brasília, ele diz que, por meio das crônicas de Madô, foi possível conhecer Santos sem nunca ter pisado na Cidade. “Comecei a ter uma melhor noção do que é viver tão próximo ao mar”.

Madô fala do estilo caiçara de viver, do sol refletindo na água do mar, dos solitários lírios da orla, dos espelhos d’água dos canais que cortam o Município, do vento Noroeste que a tudo seca, do jornal esturricado pelo calor, das muretas vazadas...

Como escreve o editor da revista literária santista "Mirante", Valdir Alvarenga, também na orelha do livro, os textos soam como cânticos de amor por Santos.

“Quando eu escrevo para A Tribuna, eu dou ao leitor o que ele quer, que é ler coisas referentes à Cidade. Notei que, ao longo dos anos que colaboro com o jornal, o meu público amadureceu comigo e, como eu, é apaixonado por Santos”, conta a autora. 

Madô costuma dizer que todo santista tem o mar correndo nas veias. “Quando viajo, sinto saudade de ver a praia no fim das ruas, dos canais que funcionam como avenidas aguadas”, poetiza. 

Sua outra obra a ser lançada, "Cidade dos Canais" (Ed. Kazoka, 35 págs., R$ 40,00), é um livro ilustrado por Thiene Magalhães, em que uma garça conta a história dos canais projetados pelo engenheiro Saturnino de Brito.

Leia trecho: 

“Li em algum lugar que, dentro de uma laranja, há todo um laranjal. Os lírios que agora nos encantam, até pouco tempo atrás também eram sementes. Silenciosos, romperam a camada da terra, exibiram brotos à luz e ao ar marinho, alcançaram a altura plena e, como um pincel invisível, decoraram com manchas amarelas a tela verde dos jardins. Todo esse processo nos passou despercebido, assim como acontecerá quando, num outro ciclo, os lírios murcharem e desaparecerem”.

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