50 tons de liberdade e de muitos clichês

Último filme da série consegue uma leve melhora, mas deve se manter entre os piores do ano

08/02/2018 - 10:59 - Atualizado em 08/02/2018 - 11:21

Livro que rendeu essa terceira parte da série tem 543 páginas (Foto: Divulgação)


Não sei se estava no meu melhor momento mas fiquei com a impressão de que este terceiro e último filme da série Cinquenta Tons é um pouco menos ruim que os dois anteriores. Mas duvido que consiga escapar de ser selecionado dentre os piores do ano, como já se sucedeu outras vezes. 

Mas não se preocupem, porque eles não se abalaram. Aliás, fiquei sabendo que os filmes renderam US$ 700 milhões no mundo todo. 

O que mais me deixou curioso e duvidoso foi o fato de que toda a história da autora E L James – o livro que deu origem a este filme tem 543 páginas, valha-nos Deus! – é baseado no romance de um casal que se diverte com momentos de sadomasoquismo, embora aqui, nesta versão, seja mais sexy relativamente que as anteriores, mostrando várias vezes o traseiro do mocinho e os seios da heroína, ainda que também conserve imperfeições. No caso, o peito do rapaz está todo com marcas esquisitas, e a heroína revela um feio joanete e insiste naquele penteado medonho. 

Mas, voltando ao tema polêmico, num momento em que se luta pelo empoderamento feminino, em que Hollywood faz enorme rebelião para evitar estupros e abusos nas mulheres, não lhes parece estranho justamente irmos assistir um filme em que a mulher pede para sofrer, para apanhar, ser torturada?

Por mais que as cenas mostradas sejam as mais light possíveis. É uma questão de ética, bom senso e respeito às mulheres. Ainda assim, quem compra o livro é o maior responsável, sem dúvida.

Esse terceiro filme começa já com o casamento do casal (e algumas atrizes conhecidas mal aparecem). E logo depois a lua de mel na Europa, onde seios são mostrados sem o menor pudor, o que leva já a brigas entre eles. 

Mas, basicamente, mostra-se que a heroína agora se tornou um sucesso como editora de livros. Mas para dar um pouco de suspense e crime, existem várias corridas e perseguições de carros, uma estadia em Aspen, só para ter um pouco mais de romance e fotogenia, além da compra de uma mansão antiga e a intervenção de seguranças e policiais. 

Porque, de repente, o filme vai virando um thriller policial de gosto duvidoso, com um ridículo bandido vingativo que tem a ajuda de uma mulher, desde o começo com cara de bandida! O comportamento da heroína é igualmente incompetente (spoiler), mas insistem no final em por musiquetas agradáveis de fundo e celebrar o amor do casal; e ainda por cima é a mocinha que chama para apanhar um pouco!

Quem reassumiu a direção deste filme foi quem fez o primeiro, James Foley, que tinha já certos trabalhos de alguma qualidade. Obviamente este banal e cheio de clichês não é um deles.

Cinquenta Tons de Liberdade (Fifty Shades Freed). EUA. 2017. 1h46. Direção de James Foley. Com Dakota Johnson, Jamie Dornan e Eric Johnson.

Em cartaz: Cinesystem PG, Roxy Cubatão, Roxy Pátio Iporanga, Roxy Gonzaga, Roxy Brisamar, Cinemark Praiamar, Cine3 - Ferry Boat 

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