Romance resgata história de Zezé Leone, a mulher mais bela do Brasil

Jornalista Sérgio Williams lança livro que mistura realidade e ficção sobre jovem santista

07/11/2017 - 10:51 - Atualizado em 07/11/2017 - 11:27

Zezé Leone estrelou filmes e foi tema de poemas
e músicas (Foto: Reprodução)

Faro para descobrir e escrever uma real e boa história é um dos principais predicados de um jornalista. Ligar o acuradamente apurado à ficção, compete mais aos escritores. O resultado dessa união é "Sua Majestade, a Mais Bela", do jornalista Sérgio Willians, um romance ficcional com base em fatos reais.

O livro (editora Comunicar) será autografado pelo autor quinta, às 18h, no Theatro Guarany. Boa oportunidade para conversar com Willians sobre os percursos que o levaram – durante cinco anos – a contar a história da primeira mulher que recebeu o título de a mais bela do Brasil: Maria José Leone, a Zezé. Nascida em Campinas, em 1902, foi trazida aos 5 anos a Santos.

“Li uma nota no site Novo Milênio: Histórias e Lendas de Santos, que me deixou curioso. Antes de existir concurso de miss, uma mulher da nossa Cidade foi apontada como a mais bela. Fui lendo mais, pesquisando e acabei por descobrir tantas outras coisas que poderiam render um romance”.

A tal 'competição' tinha sido organizada entre 1921 e 1922, pela Revista da Semana, em parceria com o jornal A Noite, ambos do Rio de Janeiro, a capital federal. Foi a primeira de alcance nacional, movimentando a sociedade da época.

Foi, nas palavras de Willians, uma febre, agitando os brasileiros de norte a sul, transformando a rotina de centenas de jovens, e belas mulheres de mais de 100 cidades, em concursos regionais (Santos foi a que mais teve candidatas). 

“O júri tinha artista plástico, escultor, pintor, ilustrador, anatomista. Havia 319 inscritas, 40 foram selecionadas (por fotos) e destas, quatro para a final: Orminda Ovalle (Ipanema/RJ), Dorothildes Adams (Porto Alegre/RS), Hilda Luz de Castro (Salvador/BA) e Zezé Leone (Santos/SP). 

Aos 20 anos, a menina de classe média baixa, de cotidiano simples e sofrido, filha de um modesto trabalhador do Porto e uma professora de piano, venceu. Era o dia 3 de abril de 1923. O nome como sinônimo de beleza e formosura trouxe fama e sucesso. Ela virou musa inspiradora para músicas, poesias e obras plásticas.

Sérgio Williams usou elementos da ficção 
para contar a história (Foto: Nirley Sena/A Tribuna)

Zezé Leone chegou a batizar uma locomotiva da Central do Brasil. Fizeram um filme com a Rainha da Beleza como personagem central, com exibições lotadas nas salas de cinema. A santista estava em capas de revistas, jornais, folhetins. Ela era o assunto nacional.

“O que, certamente, toda mulher desejaria. Ocorre que, para Zezé, esse conto de fadas durou pouco e foi transformado em drama. Não faltaram rivais invejosas, empresários inescrupulosos e figuras que a adulavam para proveito próprio devido à visibilidade”. 

Zezé Leone foi ficando esgotada em ser o centro das atenções do País. “O que mais a incomodava eram os ataques das rivais em Santos. Falavam que ela não tinha nenhum requinte. Havia um preconceito por sua origem humilde”.

Nada, porém, atrapalhou o interesse do jovem e promissor advogado Lincoln Feliciano da Silva, que vivia em Santos e tinha escritório na Rua XV de Novembro. Era o chamado bom partido. Eles se casaram dia 8 de maio. Destaque em toda a imprensa nacional. A fama terminaria em 1929, com a criação do concurso oficial Miss Brasil, vencido por Olga Bergamini de Sá, do Rio de Janeiro. 

Zezé Leone, após duas separações, sumiu de cena, preferia ficar sozinha. Gostava da sua vida simples. Ela teve algumas enfermidades graves, foi internada, e morreu em 1965. Foi enterrada no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo, em São Paulo. 

No livro, Willians, misturando fatos reais e a sua criatividade, retrata a convivência com a família, amores e desejos, decepções e o destino. 

De forma nua e crua, o autor expõe a realidade dos sonhos e as consequências sobre as decisões tomadas apenas pelo coração.

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