Pais de alunos fazem protesto em frente ao Paço Municipal de Cubatão

Eles são contra a possibilidade dos filhos terem reposição de aulas em julho, por conta da greve dos professores

20/04/2017 - 15:42 - Atualizado em 20/04/2017 - 22:06

Cerca de 100 mães e pais de alunos da rede municipal de ensino de Cubatão se uniram, na tarde desta quinta-feira (20), ao protesto dos servidores em frente ao Paço Municipal. Os responsáveis pelas crianças, que estão sem aula desde o início da greve, no último dia 28 de março, clamam por um acordo entre as partes para que os estudantes não percam mais dias de aula.

Um dos motivos que levou os pais à manifestação nesta tarde foi a possibilidade dos alunos terem que repor as aulas perdidas durante a greve durante o período de férias escolares. Segundo Elenize Pereira de Souza, uma das organizadoras da comissão de pais e mãe de dois alunos da rede municipal de ensino, o grupo não é contra a greve dos servidores, que inclui os professores. Eles querem garantir que os estudantes não tenham o desempenho escolar afetado por conta da paralisação.

Representante dos pais e mães que compareceram à Prefeitura, Elenize discursa durante protesto

"Esse tempo em que eles ficam sem aprender é ruim. Não somos contra a reposição de aulas, só queremos que ela seja realizada da melhor forma. Em julho, muitos pais tiram férias e não vão conseguir viajar com seus filhos. A ideia é que as aulas perdidas  possam ser realizadas aos finais de semana, com atividades recreativas, por exemplo", afirma.

Elenize afirma ainda que as mães e pais resolveram se unir em busca de uma solução depois que perceberam que também tinham uma causa. "No início dávamos apoio aos professores, mas percebemos que não deveríamos cobrar como servidor. Os professores estão cobrando um direito deles, nós estamos cobrando o direito de nossos filhos estudarem".

Nathalia com o filho, Kauã. Mãe diz que falta de
aulas prejudica aprendizado do menino

Regressão no ensino

Para o filho de 4 anos da dona de casa Nathalia Araujo Barbosa, a situação é ainda mais grave. O menino é autista e, por conta disso, o aprendizado da criança fica comprometido quando ocorre longos períodos de intervalo nas aulas. "É importante que ele vá todos os dias para a escola. Se ele não vai à aula, ele tem uma regressão (no aprendizado) muito grande. Com a greve, ele teve crises de ansiedade e tive que levá-lo no psiquiatra, que receitou remédios.  A rotina, que é fundamental para o autista, foi cortada.

Com dois filhos estudando em escolas municipais, Maria afonso também diz ser a favor da greve, mas não concorda "com a ausência de aulas por tanto tempo, tendo que repor aula depois, nas férias. "Eles estão sendo prejudicados por conta disso, por isso estou aqui hoje. Essa situação com os servidores tem que ser resolvida logo. As crianças merecem uma solução".

Pais foram inicialmente impedidos de entrar no
Paço Municipal. Depois, reunião ficou definida

Reunião

Após terem a entrada impedida por policiais militares no Paço Municipal, representantes do movimento, que estavam com os filhos, conseguiram se reunir com o prefeito Ademário Oliveira e conversar sobre a forma de reposição das aulas que estão sendo estudadas pela Administração Municipal.

De acordo com informações da Prefeitura, Ademário explicou aos pais que a reposição das aulas vai ocorrer, mas que "a forma de fazê-la não está definida, existindo várias alternativas, entre elas a reposição nas férias, como ocorre em outras cidades, e também aos sábados para as séries iniciais e com ampliação do horário letivo durante a semana".

Ainda segundo a Administração Municipal, a definição só ocorrerá "após o retorno dos professores às salas de aula e terão que ser analisadas a situação de cada escola, já que a paralisação não ocorreu da mesma forma em todas as unidades".


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