Cargo de cobradores de ônibus pode ser extinto em Cubatão

Se for aprovado, a Cidade será a última da Baixada Santista que deixou de ter este tipo de profissional

08/11/2017 - 15:39 - Atualizado em 08/11/2017 - 15:52

Cubatão pode deixar de ser a última cidade da Baixada Santista a manter cobradores nos ônibus municipais. Um projeto, que revoga lei de 2004 e dá autorização para que motoristas passem a efetuar a função, está em tramitação nas comissões especiais da Câmara.

Mas antes mesmo de ir à pauta do Legislativo, o que está previsto, a princípio, para dezembro, a proposta do Executivo virou motivo de revolta entre cobradores e moradores da Cidade. Eles não aprovam a mudança e dizem que, se a Lei atual for revogada, Cubatão ganhará mais “desempregados”.

“Não sabemos como ficará a situação, caso a lei seja mudada. O que sabemos é que, a exemplo do que aconteceu em outras cidades da região, que acabaram com a função de cobradores, existe grande possibilidade de demissões”, disse um profissional, que pediu para não ser identificado.

Um motorista, que também pediu para não ter o nome revelado, comentou que a proposta deve ampliar a sobrecarga para a categoria, que passará a dirigir e cobrar as passagens. “Agora, o pior será para os cobradores, que devem, sim, perder o emprego”, completou.

Outro cobrador confirmou que a apreensão é grande com a possível perda de emprego. “Não sabemos o que vai acontecer. Mas é certo que vão mandar os cobradores embora. Todos dependem do emprego e têm família para sustentar. Em um momento de desemprego geral no País, serão pelo menos mais 200 pais de família desempregados”, lamentou.

Demora x atraso x punição

De acordo com outro motorista, que não quis se identificar, caso os motoristas tenham de cobrar as passagens, com a ausência dos cobradores, os atrasos nos pontos serão inevitáveis. Com isso, passarão a ser punidos por eventuais atrasos.

“Se o motorista fizer a cobrança com o veículo em movimento, pode ser multado. Então, ele vai ter de ficar mais tempo nos pontos para cobrar as passagens. Só que isso vai provocar atrasos e, consequentemente, ele será punido pela empresa”. previu. 

Atualmente, o transporte municipal cubatense é operado pela Trans Líder, que foi procurada por A Tribuna na terça-feira e hoje.  Apesar do pedido de informações, até a publicação desta edição não houve retorno à solicitação. A Tribuna também procurou o Sindicato da categoria. Mas não obteve resposta.

Cobradores de ônibus estão apreensivos se lei for aprovada.  (Foto: Alexsander Ferraz / AT)

Na Câmara

O Projeto de Lei 101/17, apresentado pelo Executivo cubatense, revoga a Lei Municipal 2.940, de 24 de agosto de 2004, que veda aos motoristas de ônibus das linhas de transporte coletivo de Cubatão a prática de atividades inerentes à função de cobrador.

“Com a revogação da Lei 2.940, será facultativo ao motorista de ônibus das linhas de transporte coletivo exercer a prática de atividades inerentes à função de cobrador”, diz parte da proposta do Executivo.

“Existe a tendência de Cubatão seguir o que já é adotado nas demais cidades da região. Neste momento, o Projeto de Lei está nas comissões. Mas não podemos antecipar parecer sobre o que será definido, pois isso dependerá de cada um dos vereadores”, comentou o presidente da Câmara de Cubatão, Rodrigo Ramos Soares, o Rodrigo Alemão. 

Prefeitura

Em nota enviada para A Tribuna, a Prefeitura informou que “o Projeto de Lei que prevê a extinção da obrigatoriedade na contratação de cobradores no transporte público de Cubatão enviado à Câmara adequa o Município à nova realidade econômica”, diz.

E a nota segue afirmando que: “Com a mudança, a empresa que administra o transporte público no Município pode gerir seu quadro de funcionários com maior liberdade, optando inclusive por continuar com os cobradores ou modernizando o sistema de cobrança e readequando os trabalhadores”.

A informação enviada é finalizada com: “vale lembrar que a atual legislação garante pouca liberdade à empresa concessionária, obrigando-a a contratar uma função que já foi abolida nas oito cidades da Baixada Santista e em outras centenas pelo país”. 

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