Eles saem afinados para a vida

Coral Canto Mágico, de Cubatão, trabalha com música, expressão corporal e sociabilidade

11/10/2018 - 21:51 - Atualizado em 11/10/2018 - 22:18

Aqui, pensamos em uma música ativa”, diz Sonia Onuki, coordenadora (Foto: Sílvio Luiz/AT)

Ainda que sejam vasculhadas outras definições – baseadas, principalmente, nas teorias de que cantar desenvolve habilidades não só artísticas, culturais e sociais –, é Maria Eduarda de Oliveira Pereira, de 10 anos, aluna do Coral Canto Mágico, quem melhor resume o projeto: “ Uma porta que leva a gente para um mundo de magia”.

 Não só ela: também os colegas e quem os assiste vão além de definições acadêmicas. As atividades transcorrem há mais de duas décadas, em Cubatão. Mesmo depois de tanto tempo, o projeto ainda tem encanto para atrair crianças e adolescentes, ano após ano.

 Com patrocínio da Petrobras e apoio do Rotary Clube, as aulas são gratuitas e não se limitam a técnicas vocais. Trabalham a percepção do próprio corpo, a expressão e a sociabilidade, muitas vezes, transformando vidas. “A música é transformadora, é humana, emociona, nos ajuda a criar. Por isso, aqui, pensamos em uma música ativa, que leva os alunos a uma ação”, explica Sonia Maria da Silva Onuki, coordenadora do projeto. Incentivar os alunos a agir é especialmente importante, na opinião da diretora cênica do coral, Eliana Tavares.

“Essa geração assiste demais, é muito espectadora e pouco protagonista. Eles demoram a dizer o que pensam porque, muitas vezes, têm uma reflexão com poucas referências”. Por isso, o incentivo araque eles se expressem e a bagagem cultural que ganham ajudam os garotos a ficar afinados para a vida.

Comportamento

Entre notas graves e agudas, as mudanças de comportamento acontecem. Sempre para melhor, declara Sonia. Os tímidos ficam mais extrovertidos. Os mais agitados acalmam-se. “A música ajuda a equilibrar”, explica. “Fora a questão da autoestima e da confiança, que acabam ajudando em outras áreas”. Todo o trabalho no Canto Mágico ocorre de forma lúdica, o que ajuda as crianças a desenvolverem competências e aprendizados brincando. “Além disso, aumenta o repertório cultural. A gente foge do comum, porque isso eles podem ouvir no rádio.

Nosso objetivo é ampliar os horizontes”, afirma Sonia. Neste ano, por exemplo, eles estão trabalhando os cantos do mundo. Um deles, o Canten Señores, que faz parte do folclore argentino. Para a interpretação, os alunos usam capas, se movimentam, agem, protagonizam. “Aqui, não é igual àqueles outros corais em que a pessoa fica em pé, com uma pasta na mão, cantando, parada. Tem movimentação, percussão, é bem legal”, define, mais uma vez, com toda a propriedade, a pequena Maria Eduarda Pereira.

Cantando, elas vão espantando os males

Gabriela Augusto Santos de Arruda tem 16 anos e lembra que, quando entrou no Canto Mágico, era extremamente tímida. “O coral me ajudou. Nas primeiras apresentações, ficava nervosa, mas fui melhorando. Fora que, às vezes, você chega cansada, nervosa, e começa a cantar... passa”, conta ela, confirmando a velha história de que “quem canta, seus males espanta”. Luiza Guimarães Lima, de 12 anos, apaixonada por música, relata que o mais interessante no projeto é ampliar seu repertório. “Gosto muito porque a gente aprende coisas novas, diferentes”.

De tom em tom, de música em música, o projeto vai marcando gerações. Beatriz Ramalho tem 22 anos. Aos 8, ingressou no Canto Mágico e continuou cantando até os 17. “Só saí porque fui fazer faculdade, não dava mais para conciliar”. Para Beatriz, além do canto, o coral a ajudou na concentração, e isso colaborou com as notas na escola. Além disso, a ajudou a ser mais comunicativa.“  Foi muito bom”.

 Juliana Góes começou no coral aos 9 anos 
(Foto: Silvio Luiz/AT)

A menina que virou regente 

Entre os alunos que entraram e se despediram do Canto Mágico, uma menina ficou. Juliana Góes começou no coral aos 9 anos, regida pela atual coordenadora, Sonia Onuki. A música foi sendo costurada à vida de Juliana, que, aos 15 anos, foi convidada para ser pianista do projeto. Dedicou-se a fazer cursos e, mais uma vez, foi desafiada, naquele momento, a ser a preparadora de voz das crianças.

Diversidade

 “Na minha família não tem ninguém na área da música. Antes, o acesso a essa atividade era limitado e elitista.  Então, o projeto foi uma oportunidade incrível que me abriu um leque maior, uma visão mais crítica”. Hoje, Juliana é a regente do Canto Mágico. “Para mim, é emocionante”. Também integram a equipe o pianista Robson Martins e Patrícia Nóbrega, preparadora vocal.

Projeto também promove oficinas para professores

Além de trabalhar com as crianças e jovens, o projeto realiza oficinas para professores da rede pública de Cubatão. “São oficinas de musicalização para bebês, técnicas vocais, repertório, expressão cênica e confecção de instrumentos. A música é extremamente importante para o desenvolvimento, e as oficinas ampliam os horizontes dos professores”, diz a coordenadora Sonia Onuki.

O professor Germano Luiz Blume Neto dá aulas de percussão corporal para as crianças. Além de divertirem, ajuda na coordenação motora, no conhecimento do próprio corpo. Com os professores, Germano comanda as oficinas de confecção de instrumentos. Ele explica que são utilizados materiais reciclados, que ajudam na questão da sustentabilidade, mas não só.

“Trabalhando com a música para as crianças, senti a necessidade de instrumentos menores, mais leves e com sonoridade mais delicada, porque eles são crianças. Então, comecei a construí-los”. Para os professores, é a possibilidade de ter os instrumentos para auxiliar atividades, de forma portátil e mais baratos. “Eu era fã do projeto e sinto muito orgulho.

Quem é? Coral Canto Mágico

Oque é? Aulas gratuitas de canto para crianças e jovens de 5 a 17 anos de Cubatão. Além de técnicas vocais e atividades musicais, o projeto trabalha a percepção do próprio corpo, expressão e sociabilidade, além de oferecer oficinas para professores da rede pública

Onde é? www.facebook.com coralcantomagico/

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