Especialistas dão dicas de como conquistar o tão sonhado emprego em 2018

Acima de tudo, é fundamental manter-se preparado e querer sempre mudar para melhor

03/01/2018 - 11:31 - Atualizado em 03/01/2018 - 11:52

Maria exibe seus diplomas de nível superior para a Tribuna On-Line (Foto: Arquivo Pessoal)

"Estou desesperada". É assim que Maria Gomes, 37 anos, moradora do bairro Aviação, em Praia Grande, começa a entrevista para A Tribuna On-line. Não é para menos: desempregada há um ano, não sabe mais o que fazer para honrar o aluguel de sua residência.

Misturada à sensação de impotência, vem a incompreensão. Maria não entende como não consegue conquistar uma vaga no mercado. "Eu tenho duas faculdades, uma de Letras e outra de Pedagogia. Estava cursando a pós em Psicopedagogia, mas tranquei porque fiquei desempregada", afirma.

Além das graduações, Maria conta sobre seus cursos, feitos ao longo dos anos. "Já fiz curso de Auxiliar Administrativo, Gestão Empresarial, Logística, Contabilidade, Informática, todos em instituições conhecidas. Mas nunca fui chamada para uma oportunidade nessas áreas, pois exigem experiência", conta ela.

Já na sua área acadêmica de origem, a educacional, outro obstáculo: as indicações. "Grande parte da minha experiência foi na área pública, nas prefeituras de Praia Grande e Itanhaém. Mas as escolas particulares exigem referências pessoais, indicações de pessoas que já trabalharam nas instituições, e isso eu não tenho. às vezes a escola sabe da sua qualificação, mas não chama por não ter indicação", lamenta Maria.

Tal situação fez com que ela passasse a procurar vagas em qualquer área, como shoppings, mas as dificuldades permanecem. Muitas empresas, segundo ela, passam a impressão de quererem candidatas menos qualificadas para as vagas; outras fazem a entrevista, mas não respondem, ou enviam uma resposta padrão pedindo que a candidata espere.

E Maria segue esperando, não importa de onde o retorno vier. Mesmo que não seja em sua área. "Se um dia surgir a oportunidade, porque não? Nada está perdido", finaliza.

Tendência de melhora

Para o especialista em finanças, Marcelo Rocha, Maria pode uma das beneficiadas pela pequena tendência de crescimento do mercado, apontada por ele a partir dos dados de novembro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Apesar da menor quantidade de vagas abertas (286 em toda a região), o especialista afirma que é necessário analisar o contexto mais a fundo.

"Se olhar os dados do ano, houve um crescimento recente. A economia está começando a reagir, e a reforma trabalhista também pode ajudar. A tendência em 2018 é o mercado interno se abrir, o País vender mais para o exterior, girando a economia do Porto, e isso vai aumentar o consumo da região, criando mais vagas de emprego", analisa. 

No entanto, Marcelo deixa claro a importância da preparação para aproveitar as oportunidades que devem surgir. "Não basta ser otimista e esperar as coisas acontecerem. É necessário ser entusiasta, e fazer as coisas acontecerem", afirma.

Preparação

Segundo Alan Lopes, consultor de RH e autor do blog Carreira e Profissionalismo, de A Tribuna On-line, a falta de preparo é justamente um dos principais problemas pelos quais um candidato pode passar durante uma seleção. "As pessoas não se preparam, mas é possível. Desde a elaboração do currículo até a pesquisa de possíveis perguntas. Até mesmo para baixar o nível de ansiedade, eliminar incongruências nas respostas", comenta. 

O consultor também fala sobre a importância do candidato evitar  acomodação,quando surge uma oportunidade fora de sua área de atuação do profissional. "Não dá para ser sonhador sempre, é importante ter o plano A e o plano B, mas é necessário entender isso como uma 'ponte', ou seja, um passo para trás para dar dois à frente. Pois sempre pode haver oportunidades de carreira para pessoas qualificadas; pessoas são demitidas sempre", pondera Alan.

Ele ainda faz um alerta para as pessoas que optam pelo mercado informal, diante da escassez recente de vagas formais. "É importante não idealizar o empreendedorismo, como se fosse uma solução para a vida. Empreender não é fácil. Muita gente decide por esse caminho sem estar preparada, e isso acaba gerando problemas maiores. Já presenciei casos em que a pessoa investiu, não soube gerir o negócio e terminou com dívidas de mais de R$ 300 mil", conta.

E Alan é categórico sobre o que acontece quando a pessoa se prepara para empreender: "Ela acaba se recolocando no mercado".

"Identificar uma habilidade"

A coach de negócios Martha Vergine, do blog Eu Estudo Certo, concorda que empreender não é apenas "abrir uma portinha", mas entende que, se o emprego está escasso, o trabalho, não. Segundo ela, basta que as pessoas tentem identificar habilidades individuais em que acreditem e que possam ajudar outros, usando-as  como gatilho para empreender. "Enquanto uns choram, outros vendem lenços", ilustra.

Martha afirma que vários problemas enfrentados pelas pessoas na busca por emprego está relacionada à mentalidade. Para ela, muitos permanecem com uma "mentalidade fixa", onde o indivíduo não procura mudar e se identifica como "vítima da sociedade", ao invés de ter uma "mentalidade de crescimento", onde busque constantemente entender o que lhe falta para ser uma pessoa cada vez melhor.

É esse segundo perfil, segundo ela, o buscado pelas empresas hoje em dia. Não apenas na hora de contratar, mas também na hora de demitir. "Quando a empresa quiser desligar um funcionário, não vai pensar naquele que entrega resultado", afirma.

Dessa forma, segundo os especialistas ouvidos pela Tribuna On-Line, as chances de um candidato ter sucesso na busca por vagas no mercado serão maiores em 2018 se houver mais preparação para os processos e uma mudança de mentalidade, que prime sempre pelo crescimento pessoal.

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