Viaduto Mário Covas, em São Vicente, corre o risco de desabar

Após alertas da Ecovias à Prefeitura, Justiça determinou o reparo; obras começam segunda

12/10/2017 - 07:28 - Atualizado em 12/10/2017 - 07:36

Viaduto passa por cima do km 67 da Rodovia dos Imigrantes (Foto: Davi Ribeiro)

Caminho por onde passam milhares de pessoas todos os dias, o Viaduto Mário Covas, na Vila Margarida, em São Vicente, corre risco iminente de desabar. É o que diz a Ecovias em ação judicial em que cobra da Prefeitura reparos em pilares de sustentação da estrutura. Depois de mais de três anos de alerta ao Poder Público, a Justiça determinou a realização da obra, que começará na segunda-feira.

Pertencente ao Município, o viaduto passa por cima do km 67 da Rodovia dos Imigrantes. Por isso, a Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), realiza vistorias próprias periódicas no viaduto. Após a constatação dos problemas, a empresa fez sucessivos alertas à Prefeitura. 

Em 17 de junho de 2014, a companhia mandou ofício à Prefeitura avisando que uma inspeção de rotina havia constatado “anomalias” que comprometiam “a vida útil” e a “funcionalidade” do viaduto.

Em janeiro de 2015, a Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi), ainda na gestão Luís Cláudio Bili, pediu o relatório de inspeção, tendo sido atendida pela Ecovias nove dias depois. Mas os reparos sugeridos não ocorreram.

Desde então, a concessionária enviou outros quatro ofícios: dois em 2015, com Bili, e dois em 2017, já na administração de Pedro Gouvêa (PMDB).

Em 15 de setembro, até a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) se manifestou. Em ofício à Prefeitura, informou que uma nova vistoria, no dia 5 daquele mês, havia constatado que três pilares de sustentação de um dos apoios do viaduto “estão seriamente comprometidos, com risco iminente de colapso e queda parcial do tabuleiro sobre a rodovia”.

Ação

Diante da inércia da Prefeitura em tomar providências, a Ecovias resolveu entrar na Justiça para cobrar a realização da obra, em 20 de setembro. No processo, a concessionária disse que, depois do primeiro alerta, em junho de 2014, a situação se agravou nos últimos tempos, “por conta de atos de vandalismo no local, por meio dos quais são retirados partes da ferragem e estrutura do viaduto”.

Na ação, estão anexadas fotos que, de acordo com a Ecovias, demonstram a gravidade e a urgência da situação dos pilares.

O juiz Fabio Francisco Taborda, da Vara da Fazenda Pública de São Vicente, atendeu ao pedido em 22 de setembro e mandou a Prefeitura fazer as adequações necessárias em até 30 dias.

Entretanto, a Administração Municipal alegou “impossibilidade técnica, financeira e procedimental” para recuperar a estrutura do viaduto. Com isso, a Ecovias se comprometeu a fazer as obras.

Início

Os reparos começarão com o bloqueio ao tráfego de veículos pesados. Só carros e lotações poderão passar pelo local até o fim dos trabalhos. A Ecovias estima que as obras irão durar 30 dias.

Por conta da restrição, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) informou que os itinerários de 24 linhas intermunicipais serão alterados já a partir deste domingo. “Os usuários devem utilizar os pontos de embarque mais próximos às paradas desativadas”.

Itens do processo negam versão da Prefeitura 

Em nota, a Prefeitura de São Vicente afirma que a atual administração só recebeu notificações sobre o Viaduto Mário Covas na segunda quinzena de setembro e que, desde então, tem se empenhado em solucionar a situação.

Entretanto, arquivos anexados ao processo mostram que a Prefeitura recebeu ofícios em abril e em junho, antes dos avisos de setembro, inclusive com assinaturas e carimbos de recebimento.

De acordo com a gestão Pedro Gouvêa, os serviços ainda não haviam sido realizados antes pela escassez de recursos. Mas a Prefeitura não respondeu por que o local não é interditado se, como a Ecovias alega, há “risco iminente” de desabamento.

Sem interdição

Questionada se não é perigoso carros continuarem passando pelo viaduto durante as obras, já que apenas o tráfego de ônibus e de outros veículos pesados estão sendo proibidos no local, a concessionária só informou que o “reordenamento no trânsito proposto pela Prefeitura colabora com a execução das obras, facilitando acesso das equipes à estrutura e agilizando os trabalhos”.

Por telefone e WhatsApp, a Reportagem tentou, mas não conseguiu contato com o ex-prefeito Luís Cláudio Bili na noite de quarta-feira (11).

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