Usiminas e sindicatos participam de audiência no MPT

As partes voltarão a se reunir na sexta-feira (1), quando empresa deve apresentar justificativas para mais 500 desligamentos

28/06/2016 - 18:09 - Atualizado em 28/06/2016 - 20:39

A audiência que aconteceu na tarde desta terça-feira (28) entre sindicatos e representantes da Usiminas, no Ministério Público do Trabalho (MPT), em Santos, estava marcada para discutir os motivos da demissão de mais 500 trabalhadores da empresa e tentar revertê-las. Porém, como o MPT conseguiu uma liminar judicial nesta segunda-feira (27) suspendendo as demissões, o tema do encontro girou em torno da decisão da Justiça de Cubatão.

A liminar manda a Usiminas reintegrar os funcionários desligados em cinco dias. Entretanto, uma nova audiência foi marcada pelo procurador do Trabalho Marco Aurélio Estraiotto Alves para sexta-feira (1). A ideia é que as partes cheguem a um acordo, o que não aconteceu antes porque a siderúrgica demitiu sem dialogar com as categorias que atuam no local.

“A ação que gerou a liminar é uma medida cautelar que busca restaurar o entendimento jurisprudencial que diz que há necessidade da interveniência dos sindicatos para possibilitar a dispensa coletiva. Apuramos que a Usiminas decidiu, sem intervenção dos sindicatos, em proceder a dispensa de 500 trabalhadores”, explica o procurador.

O representante do MPT detalha que na audiência desta terça-feira, sindicatos e Usiminas iniciaram um debate acerca das demissões. “No dia 1 de julho vamos de fato iniciar os debates para apresentarmos alternativas. Não posso afirmar que as demissões serão evitadas, mas alternativas que possam contribuir para a diminuição do número de demitidos”.

Participaram da mesa redonda os presidentes dos sindicatos dos Engenheiros e dos Metalúrgicos, acompanhados de seus advogados. 

Histórico

Ao longo de 2015 e 2016, o MPT em Santos realizou 11 audiências entre os sindicatos e a Usiminas referentes a outra demissão em massa. Desde quando a empresa suspendeu parte das atividades, em janeiro, em Cubatão, já foram dispensados mais de 2 mil trabalhadores. Em janeiro, a siderúrgica suspendeu as áreas primárias de produção em Cubatão (coquerias, sintetizadores e aciarias) e desligou mais um dos seus altos-fornos.

Em Reportagem divulgada em A Tribuna On-line, no último dia 15, a Usiminas informava que os novos desligamentos ocorriam com o objetivo de continuar reduzindo as despesas da siderúrgica, que também mantém operações em Ipatinga (MG).

Apesar dos desligamentos, a siderúrgica também informava que, para minimizar o impacto social da medida, que afetaria centenas de trabalhadores, garantiu que disponibilizaria aos empregados um conjunto de benefícios extras, como mantimento de planos de saúde, odontológicos, auxílio-alimentação e seguro de vida pelos próximos meses.

Resposta

Em nota, a Usiminas esclarece que os desligamentos realizados na Usina de Cubatão buscam adequar o quadro de pessoal aos níveis de produção da unidade, à realidade do mercado e faz parte de uma série de ações para garantir a viabilidade financeira da unidade.

"A empresa voltará a negociar com os Sindicatos dos Metalúrgicos e dos Engenheiros os demais ajustes que se fizerem necessários em sua força de trabalho. A reunião está agendada para o dia 1º de julho".

A Usiminas reitera, ainda, que continua empenhada em potencializar suas linhas de laminação de forma a manter operações e empregos, dentro das possibilidades que o mercado permite. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, o consumo de aço no País despencou 25,8% em relação ao mesmo período de 2015 que, por sua vez, já havia sido 10,9% menor do que em 2014.

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