Um ano após reconstrução facial, paciente de Peruíbe desabafa: ''Hoje consigo sorrir''

Alvo de preconceito, Luciene Anselmo de Faria, de 31 anos, conta os dias para finalizar o tratamento

06/09/2018 - 13:46 - Atualizado em 06/09/2018 - 15:35

Com  a autoestima resgatada, Luciene comemora
os resultados da cirurgia (Foto: Arquivo Pessoal)

Mais do que um sorriso novo, Luciene Anselmo de Faria, de 31 anos, pode dizer que ganhou uma vida nova. Ex-moradora de Peruíbe, ela hoje vive com os filhos em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e conta os dias para a tão esperada alta, que ocorre após longos três anos de tratamento e uma cirurgia de reconstrução facial, realizada há um ano.

Em outubro, quando retorna a Santos, onde ainda realiza acompanhamento a cada dois meses, a expectativa é de que, enfim, ela se despeça do aparelho ortodôntico e realize os últimos procedimentos para conquistar o sorriso que sempre sonhou. 

“Posso dizer que minha vida mudou da água para o vinho. Hoje consigo sorrir, consegui me recolocar no mercado de trabalho. Foi uma melhora na autoestima muito grande. É uma outra vida”, comenta realizada. 

Assim que fizer a remoção do aparelho ortodôntico, segundo o coordenador do curso de Odontologia da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Marcelo Quintela, que integra a equipe de voluntários responsáveis por seu tratamento, Luciene passará por outros procedimentos dentários. 

“Ela fará clareamento e uma reconstrução dentária para corrigir dentes com formatos anômalos, em decorrência da síndrome (microssomia hemifacial)”. 

Para dar continuidade ao tratamento, Quintela comenta que Luciene recebe passagens de ônibus a cada dois meses. Porém, um tratamento fundamental, que antes era prestado em Santos, precisou ser interrompido em função da distância. 

“Aqui, ela tinha acompanhamento semanal com uma fonoaudióloga. Mas em Angra, não conseguimos manter esse tratamento, que era imprescindível para a sua recuperação”, conta o especialista, lembrando que, na região, antes de viajar para o Rio, conseguiu manter o acompanhamento por três meses.  

Luciene nasceu como uma doença rara e foi submetida a uma reconstrução facial (Foto: Arquivo Pessoal)

Segunda cirurgia 

Depois do caso de Luciene, uma segunda cirurgia de alta complexidade deve ser realizada em outubro, na região. Dessa vez, quem também terá a autoestima resgatada é o jovem Cleiton Bezerra, de 24 anos, morador de Cubatão.  

Cleiton também será submetido à cirurgia, em outubro
(Foto: Márcio Quintela/cedida para o G1)

Alvo de preconceito durante toda a infância e adolescência, o rapaz, que nasceu com uma deficiência muscular e esquelética, também será submetido a uma cirurgia de reconstrução facial. 

“O procedimento ocorrerá em outubro e estamos super felizes. O Cleiton, por causa dessa deficiência, não consegue fechar a boca. Isso o impede de mastigar e ter uma vida saudável”. 

O caso dele, ainda segundo Quintela, é considerado ainda mais grave que o de Luciene. Por isso, amigos do rapaz, ao terem conhecimento dos resultados positivos obtidos com a cirurgia da paciente de Peruíbe, mobilizaram outras pessoas na internet e arrecadaram dinheiro para custear parte da cirurgia do rapaz. 

“O nosso atendimento, com profissionais da Unimes, é voluntário, mas para a cirurgia também necessitamos de materiais, além de custear com o hospital. Com o dinheiro arrecadado, agora vamos conseguir realizar mais esta cirurgia”. 

Além de Quintela, também integram a Corrente do Bem, que realiza cirurgias e tratamentos de graça, o cirurgião buco-maxilo-facial Alessandro Silva e outros três profissionais. O grupo também conta com o apoio da Clínica Radiológica Lumax, responsável pelo oferecimento de radiografias dos pacientes. 

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