Três cidades da região têm risco de surto de dengue, zika e chikungunya

Alerta é do Ministério da Saúde, que divulgou o LIRa, indicador que mapeia nível de concentração do Aedes

03/09/2018 - 14:00 - Atualizado em 03/09/2018 - 14:00

LIRa mapeia concentração do mosquito
Aedes aegypti (Foto: Agência Brasil)

Peruíbe, Guarujá e São Vicente fazem parte do grupo de outros 1.150 municípios brasileiros que apresentam alto risco de surto para dengue, zika e chikungunya. O alerta é do Ministério da Saúde, que divulgou o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) – indicador que serve para o mapeamento do nível de concentração de vetor e determinar a atuação para o controle do mosquito e das doenças (dengue, zika e chikungunya).

O informe da pasta menciona que essas localidades devem intensificar as ações de combate ao Aedes aegypti, mesmo durante o inverno. “A prevenção não pode ser interrompida, mesmo no período mais frio do ano”, alertou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Osnei Okumoto. Ele destaca que os trabalhos servem para manter baixos os índices de infestação, no período que antecede a maior proliferação. 

Peruíbe (6,9%) teve a pior nota regional, seguido por São Vicente (6%) e Guarujá (4,4%). Conforme o parâmetro do Ministério da Saúde, localidades com índice acima de 4% apresentam elevado risco de contágio das doenças provocadas pelo vetor. “Sozinho, o serviço público não vai conseguir reduzir esse índice. É preciso que a população faça sua parte para eliminar o mosquito transmissor da dengue e outras doenças”, sustenta o chefe do Departamento de Controle de Doenças Vetoriais de São Vicente, Fábio Lopes.

O levantamento identificou que Itanhaém (2,7%), Mongaguá (1,7%) e Praia Grande (1,6%) foram classificados em estado de alerta. Esse patamar é definido em cidades com índice de infestação predial (IIP) entre 1% e 3,9%. Essas localidades fazem parte de outras 2.066 com a mesma condição no Brasil. 

Santos e Bertioga (ambas com 0,4%) tiveram índices satisfatórios, inferiores a 1%. Cubatão não consta no estudo nacional.

De acordo com o infectologista Ricardo Leite Hayden, o levantamento identifica os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito e o tipo de criadouro predominante. O objetivo é que, com a realização do levantamento, os municípios tenham melhores condições de planejar as ações de combate e controle do mosquito. Os resultados servem para intensificar os locais que necessitam de ações de prevenção contra as moléstias.

A diretora-geral do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria Estadual da Saúde, Regiane de Paula, afirma que o número de casos de dengue caiu 99% no Estado entre 2016 e este ano. “No momento, a situação não é alarmante, mas não significa que o cenário não possa mudar. A população é fundamental nesse combate, pois a maioria dos criadouros (de mosquitos) fica nos domicílios”.

Números 

Segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 63.395 casos prováveis de febre chikungunya entre janeiro a primeira quinzena de julho deste ano. O resultado é inferior à metade do número de casos reportados no mesmo período do ano passado: 173.450. Em 2016, foram 278 mil casos. 

Seis em cada dez pacientes estão concentrados na Região Sudeste. Em seguida, aparecem Centro-Oeste (21%), o Nordeste (13%), Norte (7%) e Sul (0,35%). 

Nos primeiros sete meses deste ano, foram confirmadas 16 mortes por chikungunya. No mesmo período do ano passado, 183 pessoas morreram pela arbovirose. A redução no número de óbitos foi de 91,2%. Para o zika, em todo o país foram registrados 6.371 casos prováveis e duas mortes até o fim de julho. No ano passado, o vírus tinha infectado mais de 15 mil pessoas no mesmo período.

A maior incidência de zika neste ano também está no Sudeste (39%), seguido da Região Nordeste (26%).

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