Trecho da praia de Santos será interditado por 40 dias

Obra tem como objetivo reduzir os impactos da erosão na Ponta da Praia

07/12/2017 - 11:07 - Atualizado em 07/12/2017 - 11:14

Obra custará R$ 3 milhões, e o dinheiro já está na
conta da Prefeitura (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Um pacote de ações para reduzir os impactos da erosão na Ponta da Praia, em Santos, interditará por 40 dias, a partir da semana que vem, o trecho da faixa de areia entre o Aquário Municipal e o Canal 6, impedindo não só a presença de banhistas e esportistas, como também ambulantes e barraqueiros.

A medida foi anunciada nesta quarta-feira (6) pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB). O bairro vem perdendo areia, e têm ocorrido ali as mais fortes ressacas dos últimos anos. A faixa arenosa será interditada para servir de canteiro de obras para a implantação do projeto idealizado por professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para minimizar a erosão e os danos causados por ressacas.

Barbosa admite que, apesar de este ser o momento em que a Cidade recebe o maior número de turistas, inclusive com a festa de fim de ano, o verão é a melhor época do ano para fazer a intervenção. “É o momento de menor incidência de ressacas. Evidentemente, coincide com o período em que a praia é mais ocupada, com o Réveillon e o maior número de turistas. Mas esse é um problema de todos que é prioridade”.

O prefeito argumenta que já foi iniciado um diálogo com os comerciantes que trabalham em carrinhos na faixa de areia entre o Canal 6 e o Aquário. “Eles serão realocados para outros pontos. Ninguém vai ficar sem trabalho. Vamos reposicionar todos em outro trecho. Estamos estudando caso a caso”, menciona Barbosa.

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O que será feito

Com o auxílio dos professores Tiago Zenker Gireli e Patrícia Dalsoglio Garcia, da Unicamp, foi realizado um estudo da energia das ondas na Cidade. Na tentativa de reduzir o impacto da força da água, eles desenvolveram duas estruturas superpesadas que serão instaladas no fundo do mar santista.

Uma se localizará a partir da mureta da praia, na altura da Rua Afonso Celso de Paula Lima, seguindo mar adentro por 275 metros. E a outra estará paralela ao muro da orla, com 240 metros de extensão, na direção do Canal 6.

As estruturas serão formadas por 49 bolsas de areia, de 240 toneladas cada. A combinação desses imensos colchões de areia tem a função de funcionar como uma barreira e “diminuir a energia das ondas. Essa energia toda não vai chegar na praia. Ela vai bater no muro e dissipar antes”, explica Ernesto Tabuchi, engenheiro da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb).

Tabuchi reitera que a localização escolhida para a instalação das estruturas considerou o histórico recente de ressacas. “É o trecho mais crítico, onde se sofre mais”.

Emergencial

O prefeito Paulo Alexandre Barbosa informa que a intervenção começará tão logo seja concluído um processo de contratação emergencial. A Prefeitura argumenta que, por causa da janela meteorológica, tudo deverá ser feito rapidamente.

Barbosa acredita que as obras sejam iniciadas na próxima semana. A areia já está sendo depositada na área onde haverá a interdição.

O custo das obras é de R$ 3 milhões. O dinheiro para a execução do projeto já está na conta do Fundo Municipal de Meio Ambiente. “A verba veio carimbada do Ministério Público do Meio Ambiente. Já apresentamos o nosso projeto para todos os fóruns competentes. Falamos com a Cetesb, com a Codesp”, diz o secretário de Desenvolvimento Urbano, Júlio Eduardo dos Santos.

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