Servidores de Santos encerram a greve após 42 dias de protestos

Categoria aguarda julgamento sobre dissídio coletivo e promete protestos contra situações vividas no dia a dia de trabalho

19/04/2017 - 22:37 - Atualizado em 20/04/2017 - 07:31

Após 42 dias, a greve dos funcionários públicos santistas chegou ao fim. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (19), por cerca de 400 servidores, em assembleia realizada no Sindicato dos Metalúrgicos de Santos. No entanto, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv) promete organizar novas formas de luta. 

O Sindserv pretende promover reuniões setoriais, a partir da próxima semana, em quatro grandes grupos do funcionalismo: Educação, Saúde, Assistência Social e servidores das outras secretarias. O objetivo é organizar os funcionários para informar a população das reais condições do serviço oferecido.

“Muitas das coisas que fazemos no dia a dia vão além da conta do que deveríamos. Há servidores que chegam a pagar do próprio bolso materiais e insumos, para que não falte, já que não há fornecimento adequado (por parte da Prefeitura)”, afirma Alexandre Manetti, diretor de Comunicação do Sindserv. 

 

Trabalhadores prometem mais protestos contra a Prefeitura (Irandy Ribas/AT)

Levada ao fim

Alexandre avalia que a categoria foi levada pelas circunstâncias a encerrar a greve. “Primeiro, enfrentamos um Poder Executivo intransigente; depois, um Poder Legislativo que havia fechado com a gente, depois voltou atrás; e, por fim, um Poder Judiciário que praticamente inviabilizou a continuidade do movimento”. 

O diretor se refere à decisão liminar do Tribunal de Justiça (TJ-SP) que obrigou a manutenção no trabalho de 80% dos servidores nas áreas de Educação, Saúde e Assistência Social, esvaziando o movimento.

A proposta da Prefeitura, enviada e aprovada pela Câmara, é de 2% de abono entre julho e setembro; 5,35% do mesmo abono de outubro a dezembro, quando o percentual será incorporado aos vencimentos. Inicialmente, os servidores pediam 10,35% de aumento. Depois, passaram a pleitear 7%.

O pleito dos servidores está em análise para julgamento dos desembargadores no TJ-SP. Na terça-feira (18), uma audiência de conciliação entre Prefeitura e Sindserv terminou sem acordo.

Sobre o comentário do diretor de Comunicação do Sindserv a respeito dos funcionários pagarem insumos do próprio bolso, em nota, a Prefeitura afirma que “problemas pontuais em alguns dos 347 equipamentos ocorrem”.

E disse que, como política de governo, “a prioridade este ano é a zeladoria” e, para isso a Administração conta com a parceria dos diretores de escola, chefes de equipamentos e demais responsáveis.

Desconto

Em nota enviada mais cedo à imprensa, a Prefeitura de Santos informou que irá cortar do salário dos servidores um terço dos dias não trabalhados durante a greve, já no dia 25 – uma das datas de pagamento do funcionalismo. 

Contudo, não haverá penalidades em relação a benefícios previstos, como licença-prêmio, avaliação de desempenho, contagem de tempo para remoção e avaliação de estágio probatório, entre outros, informa a nota. 

Veja Mais