São Vicente atualiza Base Curricular educacional para 2018

Medida visa atender às novas exigências estabelecidas pelo Ministério da Educação

30/12/2017 - 21:34 - Atualizado em 30/12/2017 - 21:35

A Cidade decidiu se antecipar à entrada em vigor da BNCC, que está prevista para 2020 (Foto: Shutterstock)

Homologada pelo Ministério da Educação, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) precisa, agora, fazer seu papel de norte para os currículos das escolas de todo o País. A ideia é que a implantação da BNCC ocorra durante 2019 e esteja plenamente consolidada em 2020. No entanto, a cidade de São Vicente adotou a estratégia de atualizar o currículo municipal enquanto a proposta era discutida, e termina 2017 com um novo programa de ensino para a rede.

Conforme a diretora de Educação Básica de São Vicente, Denise Barbosa, o Município já tinha identificado a necessidade de reformular o currículo escolar, tanto que essa mudança já estava prevista em uma das metas do Plano Municipal de Educação.

“Nosso currículo estava defasado, sem revisão há mais ou menos 10 anos”, avalia ela. O documento também estava desalinhado com as avaliações externas como a Prova Brasil e a ANA. “Tínhamos que promover essa mudança e achamos melhor fazer desta forma do que mudar agora e depois alterar novamente para se adaptar à BNCC”, completa. 

Trimestral

Uma das mudanças já adotadas e que começa a valer em São Vicente a partir de 2018 é fazer do ano letivo, que tinha quatro bimestres, trimestral. Isso possibilita ao docente, de acordo com Denise, ter mais tempo de sala de aula e atividades com os alunos, diminuindo o período que precisa lidar com as burocracias das avaliações.

A BNCC tem um foco voltado para as competências socioemocionais e delimita os conteúdos que os alunos devem saber em cada etapa de ensino. E de certa forma, exige práticas mais ativas dos professores. “Por isso, ainda em 2017, tivemos que preparar um material didático que eles pudessem utilizar durante esse ano de transição, além de dar formação a esses docentes”, cita.

Para isso, São Vicente firmou parcerias com universidades como USP e Unesp, além de identificar práticas inovadoras que pudessem ser multiplicadas entre os próprios professores. Segundo Denise, a maneira de dar aula, valorizando a prática, já está acontecendo nas salas de aula da Cidade.

Somente o Ensino Médio ainda não tem diretrizes
definidas no documento (Arte: Monica Sobral/EP)

Principais mudanças

Uma das mudanças trazidas pela BNCC é a antecipação da alfabetização das crianças até o 2º ano do Ensino Fundamental (até os 7 anos). Atualmente, as diretrizes curriculares determinam que o período da alfabetização deve ser organizado pelas escolas até o 3º ano do Ensino Fundamental (8 anos).

Outro ponto aprovado no início do mês pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) incluiu novamente orientações sobre o ensino religioso nas escolas. Ele deve ser oferecido nas instituições públicas e privadas, mas como já ocorre e está previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a matrícula poderá ser optativa aos alunos do Ensino Fundamental.

Adaptação

Nara Correa é professora da rede e há 10 anos dá aula em uma escola do Humaitá, na Área Continental. Ela confirma que, de maneira geral, houve resistência dos professores no início. “É uma proposta que nos tira da zona de conforto. Mas durante o processo entendeu-se que seria positivo. Acho que a principal diferença é a questão de dar aulas mais práticas”, destaca.

A docente garante, porém, que isso vem ao encontro do que ela já tenta fazer ao trabalhar com projetos, interligando disciplinas e temas. “Gosto de aproveitar as experiências dos alunos. Acho que agora, eu ficarei mais à vontade para trabalhar desta forma”.

Desafios

No entanto, o processo escolhido para atualização – simultaneamente à discussão da BNCC - teve que vencer diversos desafios, a começar pela resistência dos próprios professores, passando pela discussão de forma ampla dentro da maior rede municipal da região – São Vicente tem 2.311 educadores, 60 escolas, 60 creches e 44.373 alunos.

“Foi um processo doloroso, mas crescemos muito. Poderíamos ter construído um currículo dentro da própria secretaria, mas quisemos fazer de uma forma coletiva”, garante Denise.

Ela salienta também que houve uma grande preocupação em realizar uma transição equilibrada de um programa para o outro e muita atenção porque havia a ciência de que alguns pontos poderiam ser alterados. Durante 2017, a Secretaria de Educação realizou 96 encontros específicos para discutir a BNCC com os profissionais da Educação.

Apesar das mudanças, o currículo só deve ser homologado no final de 2018. Isso dará tempo para que ajustes sejam feitos e que a própria BNCC defina algumas questões como, por exemplo, o que se esperar do ensino religioso nas aulas. 

Veja Mais