Santos vai monitorar poluição marinha com ajuda de ONG

Convênio com entidade vinculada à ONU ocorre nesta terça-feira (5)

05/06/2018 - 09:28 - Atualizado em 05/06/2018 - 09:30

ISWA vai ajudar Santos a analisar pontos de entrada de resíduos no mar (Foto: Alberto Marques/AT)

O mundo celebra nesta terça-feira o Dia do Meio Ambiente. Aproveitando a data, a Prefeitura de Santos assina, a partir das 10 horas, no Paço Municipal, um convênio com a Internacional Solid Waste Association (ISWA) – uma ONG com sede na Áustria – creditada pela Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente. A parceria visa combater a poluição marinha que atinge a baía de Santos.

Com a parceria, que terá 12 meses de duração, a ISWA vai realizar análises específicas e exclusivas para ajudar o Município a identificar os pontos de entrada dos resíduos nas praias e no mar. A partir daí, serão desenvolvidas ações necessárias para evitar que esse lixo chegue ao mar.

Vice-presidente da ISWA, Carlos Silva Filho explica que Santos será a primeira cidade do mundo a ter um projeto sobre resíduos marinho. “Temos vários assuntos sendo desenvolvidos. Por exemplo, o fim dos lixões na África e na América Central, o encaminhamento, para escolas, de crianças que trabalham em lixões, na Nicarágua, entre outros. Mas esse, totalmente voltado ao meio ambiente marinho, é o primeiro. E a ideia é fazer de Santos referência mundial naquilo que diz respeito a esse tema”, diz o representante da ONG.

Ainda de acordo com Carlos, o convênio, que não trará nenhuma despesa financeira para os cofres públicos, passará por etapas. “A primeira delas é justamente identificar os pontos críticos que demandam uma intervenção prioritária. Identificar os pontos de entrada dos resíduos nas praias, nos mares e nos oceanos, os volumes e os tipos desses resíduos. A partir daí, capacitar os gestores públicos e municipais para agirem e combaterem esse tipo de poluição”, detalha Carlos. 

“Por exemplo, se a garrafa Pet for o material que mais encontrarmos e constatarmos que as fontes são as praias, vamos fazer uma atuação nas praias para conter essas garrafas encontradas no mar. Será que o melhor é colocar pontos de descartes ou trabalhar na educação dos banhistas? A ação ideal será apontada pelos nossos estudos” completa o vice-presidente da ONG, que também quer análises sobre as atividades portuárias.

É possível que os navios que visitam o Porto de Santos estejam gerando algum impacto de resíduos na Cidade.

Parar de enxugar gelo

Secretario de Meio Ambiente de Santos, Marcos Libório afirma que a intenção desse convênio é provocar uma mudança no olhar sobre o tema.

“Já percebemos que as limpezas no mar não são suficientes. Nós temos que parar de enxugar gelo e descobrir a origem do problema. Não queremos mais tratar as consequências, mas sim as causas”, disse o secretário.

Libório revela que hoje o Município não conta com estudos sobre a nascente da poluição. Apenas informações sobre algumas áreas como, por exemplo, as palafitas e o canal do Estuário. “Com esse convênio, Santos se capacita para melhorar e ampliar as ações municipais”.

Como parte da Semana do Meio Ambiente, a Prefeitura de Santos, junto com Instituto Pólis e o Fórum da Cidadania de Santos, com patrocínio da Codesp e apoio da Semam, Universidade Santa Cecília (Unisanta) e a Universidade Federal de São Paulo, promove, entre 7 e 8 de junho, o I Seminário Internacional Oceanos Livres de Plásticos. O evento será realizado no auditório do bloco E da Unisanta (Rua Cesário Mota, 8, Boqueirão).

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