Santos inicia projeto piloto para conter ressacas e erosão

Sacos produzidos com tecido geotêxtil farão uma barreira artificial submersa

06/12/2017 - 12:16 - Atualizado em 06/12/2017 - 12:30

Moradores e turistas têm se deparado com dunas de areia pela orla da praia (Luigi Bongiovanni/AT)

Santos inicia na próxima semana um projeto piloto para diminuir os efeitos das ressacas e da erosão na Ponta da Praia. Por isso é possível ver dunas pela orla, pois elas fazem parte dos cerca de 7 mil metros cúbicos de areia que estão sendo levados para perto do Aquário Municipal. Essa areia encherá geobags – sacos produzidos com tecido geotêxtil que farão uma barreira artificial submersa. Os trabalhos devem terminar em janeiro.

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Os geobags serão colocados 275 metros mar adentro e por 240 metros de extensão, formando um L, a partir da Rua Afonso Celso de Paula Lima, em direção à Praia da Aparecida (veja infográfico). A ideia foi sugerida em um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com base num modelo matemático que considerou a força das ondas que incidem na região.

De acordo com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), graças ao convênio com a universidade, especialistas de várias partes do País propuseram a solução que foi apresentada a órgãos como Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Ibama (órgão ambiental federal) e Companhia Ambiental do Estado (Cetesb).

“O estudo dará para a Cidade uma série de sugestões de intervenções que estão previstas, mas essa é a primeira baseada numa solução sustentável. A gente está utilizando a própria areia da praia, ideia que foi amplamente discutida”, explica o prefeito.

Segundo ele, as geobags serão posicionadas e travadas no solo mediante trabalho com embarcações e profissionais como mergulhadores, engenheiros e fotógrafos. Será possível acompanhar o trabalho da areia, pois o espaço será isolado, para proteção dos banhistas.

“Nosso tempo estimado é de 40 dias de trabalho. E a intervenção será feita agora porque entramos em uma janela meteorológica sem ressacas, período identificado pelo estudo como o melhor para a execução da obra”, diz o prefeito.

O custo estimado do serviço é de cerca de R$ 3,2 milhões, com verba do Ministério Público Estadual (MPE).

De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Santos, Marcos Libório, o dinheiro já está no Fundo Municipal de Meio Ambiente. Por causa da especificidade técnica dos produtos e da urgência em respeitar a janela meteorológica, não haverá licitação: a compra das geobags e sua instalação serão em caráter emergencial, segundo o prefeito.

A Tribuna apurou que provavelmente a empresa de instalação e venda das bags será a Submar, mas os preços ainda estão em levantamento, para escolha e contratação.

“Além de ser uma obra rápida, ela é sustentável, tem baixo impacto ambiental e é uma solução inovadora. Em termos de Brasil, Santos adota com ineditismo as geobags fixadas para essa finalidade”, avalia o prefeito.

A Tribuna havia antecipado, em 20 de outubro, que medida semelhante foi adotada em Atlantic City, nos Estados unidos, e poderia ser introduzida aqui também.

Monitoramento

Ernesto Tabuchi, engenheiro da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), explica que os próximos passos do projeto vão depender dos resultados posteriores à colocação das bags, o que será monitorado pelo estudo da Unicamp.

“Para saber se isso vai dar certo ou não, a gente está fazendo esse experimento, pois uma estrutura definitiva seria um molhe, que é uma barreira física com blocos de pedra. Antes, vamos, com as bags, saber qual será a interação da estrutura com o ambiente”.

Tabuchi também cita que se estudará o impacto à fauna, à flora e à qualidade da água, pois há proximidade com os canais. “A vida útil do material é de dez anos. Se der certo, acho que vamos deixando”, afirma Tabuchi

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