Santos celebra Dia Mundial Sem Carro com 89% das ciclovias instaladas

Dos 51,3 km da malha cicloviária da Cidade, apenas 5,7 km estão em obras ou em licitação

22/09/2018 - 12:00 - Atualizado em 22/09/2018 - 12:09

Santos conta com mais de 45 km de ciclovias, mas ainda há melhorias a serem feitas (Foto: Luigi Bongiovanni/AT)

Neste sábado (22) é comemorado o Dia Mundial sem Carro, uma data internacional criada na França em 1997. A ideia é que as pessoas reflitam sobre o uso do automóvel, ficando um dia sem utilizá-lo.

Mas, para não usar carros, opções são necessárias. E nisso a Baixada Santista vai bem: pesquisas apontavam, ainda em 2008, que a população da região estava habituada a se locomover usando modais como ônibus e bicicletas. Em Santos, por exemplo, um plano cicloviário planejado para ser concluído em 2026 previa uma rede interligada de pistas com mais de 50 quilômetros - e destas, quase 90% já estão à disposição dos ciclistas.

Os dados são da Prefeitura: dos 51,3 km de extensão da malha cicloviária da Cidade, 45,6 km são consideradas "existentes" pela Administração, ou seja, são utilizadas regularmente pela população. Do restante, 4,5 km estão "em obras" e apenas 1,2 km é considerada "em licitação", portanto, tem perspectiva de conclusão mais distante.

Política de mobilidade

Jessé Teixeira Félix, presidente da Associação Brasileira de Ciclistas, afirma que Santos vive um bom momento para os ciclistas. "Esse é um trabalho que começou por volta de 2006, quando só havia a ciclovia da orla da praia, e outra "meia boca" na Avenida Afonso Pena. Foi a partir de então que começamos a fazer um trabalho de pressão no poder público, e em todas as gestões que se sucederam as ciclovias começaram a aparecer", afirmou.

Nem tudo é perfeito

Apesar de tudo, segundo Jessé, ainda há problemas a serem resolvidos. Um deles é a ciclovia do Túnel Rubens Ferreira Martins, que precisa de reparos. "O local é mal iluminado, e ainda tem problemas com o piso", disse.

Outra questão são as ciclovias que têm, na lateral, árvores como os ingazeiros, cujos frutos caem nas vias e, ao entrar em contato com os pneus as bicicletas, os tornam escorregadios. "Essa situação pode causar acidentes, pois os ciclistas perdem o controle das bicicleta e caem", alertou.

A falta de bicicletários municipais também foi citada. Para Jessé, somente os paraciclos não são suficientes para atender ao movimento de ciclistas que ocorre na Cidade - são cerca de 35 mil viagens diárias em Santos, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). "As pessoas têm medo de deixar (as bicicletas) nesses lugares por muito tempo, por medo de serem roubadas. Tem que ter um lugar legal para poder deixar a bicicleta o dia inteiro, nem que custe R$ 0,50 ou R$ 1. Tem que investir nisso", declarou.

Sua expectativa é de que, no futuro, haja mais melhorias. "Uma integração regional das ciclovias seria muito boa. Quanto mais bicicletas menos carros, e isso já acontece em Santos. Quando chega o fim de semana a gente vê inúmeras bicicletas circulando pela cidade, pela orla. A galera realmente aderiu às bicicletas. A cidade está no caminho certo, e eu acho que em cinco anos vai ser reconhecida como a 'Cidade da bicicleta".

Palavra da Prefeitura

Por meio de nota, a Administração Municipal afirmou que realiza estudos constantes para a implementação de novas ciclovias em outras áreas da Cidade, que são discutidas em grupo técnico para elaboração do Plano de Mobilidade Urbana, e depois apresentadas e apreciadas na Comissão de Assuntos Cicloviários (CAC).

Declarou, ainda, que são realizados trabalhos constantes de manutenção das pistas, ou mesmo de revitalização quando considera necessário. Citou ainda melhorias, como a instalação de barras de proteção ao lado do passeio, como as que começaram a ser colocadas na ciclovia da Rua João Pessoa.

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