Santistas relatam momentos após grande incêndio em Portugal

Moradores de Leiria se trancam nas residências devido às cinzas que cobrem as áreas próximas ao avanço das chamas

19/06/2017 - 11:58 - Atualizado em 19/06/2017 - 12:18

Corpo de Bombeiros atua no difícil trabalho de combate às chamas no local. Foto: AFP

A mais de 50 quilômetros do foco do incêndio florestal considerado a maior tragédia de Portugal, as janelas das casas estão fechadas. Tudo para evitar a entrada de um ar carregado de fuligem, que pinta de cinza o dia ensolarado. Na rua, a temperatura é de 40 graus, em época que deveria ser de 26. 

As ruas vazias dão ideia da tristeza da nação portuguesa e também de famílias santistas que vivem lá, como a de Leonor Santos de Lima Freire, de 35 anos. A frentista, que viveu 23 anos em Praia Grande, mora há 11 em Marinha Grande, a uma hora do foco da tragédia.

O incêndio começou por volta das 15 horas do último sábado (11 horas em Brasília), em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, a 200 quilômetros de Lisboa. O fogo afetou também Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra. A tragédia matou dezenas na Estrada Nacional 236, rodeada pela floresta. 

Segundo o jornal Correio da Manhã, nesta época do ano, a composição química das folhas tem maior toxicidade. Antes da estrada ter sido fechada, os motoristas foram surpreendidos pelo nevoeiro de fumaça e perderam totalmente a visibilidade – ficaram desorientados, encurralados e morreram carbonizados.

Leonor, Victor e a filha se protegeram
dentro de casa. (Foto: Arquivo Pessoal)

A santista, que formou família em Portugal após se casar em Santos com Victor Manuel da Silva Freire, de 41 anos, mora com ele e a filha Letícia Sabrina de Lima Freire, de 3 anos, em Marinha Grande, a 50 quilômetros do foco do fogo. 

 

“Temos aqui a cidade toda em cinzas dos fogos do céu. Tenho as minhas janelas fechadas e a temperatura está muito elevada, perto dos 40 graus, com o céu encoberto devido às cinzas. Estas temperaturas não são normais para este mês, mas sim em agosto. Agora devia estar entre 22 a 25 graus”, conta. 

Segundo Leonor Freire, o silêncio das ruas é cortado por sons de sirenes passando a todo momento. As famílias estão muito atentas ao noticiário, enquanto as ruas seguem calmas, e as pessoas, resguardadas dentro de casa devido à alta temperatura. “Fui há pouco no parque fazer uma caminhada e vi muitos carros estacionados cheios de cinzas. É muito triste”.

Ao menos 700 bombeiros e 220 veículos foram mobilizados. Mas Portugal pediu apoio ao Corpo de Bombeiros da Espanha, já que se trata de incêndio difícil de combater e em locais de acesso complicado. 

Estima-se que a causa foi a trovoada seca – chuvas que evaporam antes de chegar ao solo, acompanhadas por raios que provocam faíscas e chamas. 

“Aguardaremos orientação que deve chegar nessa segunda-feira (19), até porque neste momento estão lá muitos cidadãos da nossa região passando férias. Estimo que cerca de 100 a 150, inclusive na região afetada, de Leiria”, afirma o gestor do Consulado de Portugal em Santos, José Augusto do Rosário.

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