Região registra 716 raios em duas horas de tempestade

Balanço do temporal de 3ª é do Elat, que faz alerta para o outono

21/03/2018 - 20:55 - Atualizado em 21/03/2018 - 21:01

A quantidade superou 7 vezes a média do verão
(Foto: Sílvio Luiz/AT)

Ao menos 716 raios foram registrados na Baixada Santista durante a rápida tempestade de terça-feira. A quantidade supera em até sete vezes a média desse fenômeno durante o verão – estação que concentra até 70% de descargas atmosféricas que caem na região. O restante também ocorre no outono. As informações são do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

De acordo com o pesquisador do Elat, Osmar Pinto Junior, a quantidade registrada na terça-feira é apontada como alta para o período inferior a 24 horas. Entretanto, tal incidência pode ser considerada típica da região, tida uma das localidades brasileiras com maior concentração de raios. 

Na terça-feira, o intervalo de maior incidência de raios ocorreu entre as 18 e 20 horas, justamente quando o temporal, proveniente das nuvens carregadas, caiu na Baixada Santista. 

Bertioga foi a localidade com o maior quantidade registrada: foram 340 descargas elétricas. Santos (135), Peruíbe (120) e Itanhaém (60) aparecem na sequência. Juntos, os demais municípios somaram 61 ocorrências do fenômeno. 

No entanto, a quantidade ainda pode ter sido maior. O pesquisador do Elat explica que os números se baseiam apenas nos raios que atingiram o solo, que são caracterizados com o forte barulho. Mas, durante o temporal de terça-feira, a maior concentração de raios ocorreu nas nuvens – quando o som é reduzido e produz efeito visual intensificado no céu. 

Osmar cita que esse fenômeno é incomum e a intensidade da descarga tende a ser menor. “O barulho é mais brando porque ele (som) se eleva”, diz.

Mais raios

Apesar de o verão concentrar o maior volume de raios, as primeiras semanas do outono também ocorrem quantidades elevadas do fenômeno. Osmar assegura que essa é uma das características das estações intermediárias, que, no começo, ainda apresentam semelhança com a período anterior. 

“Até a primeira quinzena de abril, ainda teremos temperaturas elevadas e fortes pancadas de chuva, cenário ideal para os raios”, cita.

Balanço do Verão

Levantamento inédito do órgão federal, obtido com exclusividade por A Tribuna, indica que a quantidade de raios que caíram nas nove cidades da região durante o último verão teve uma queda de 66% em relação ao mesmo período passado. 

Nos meses mais quentes de 2016/2017, foram registradas 34.678 descargas elétricas na Baixada Santista. Nos 90 dias de verão, que terminou na terça-feira, as cidades locais registraram 10.390 incidências de raios – o equivalente a uma média de 115,5 descargas elétricas por dia. 

Bertioga foi a cidade local com maior quantidade de ocorrências do fenômeno: foram 2.885 ou 27,8% do total regional. A quantidade verificada na estação passada foi menor que no verão de 2016, quando foram mapeados no Município 3.234 raios. 

Itanhaém (1.720), São Vicente (1.490), Santos (1.060) e Peruíbe (1.060) fecham o ranking das cinco cidades da região com maior concentração do fenômeno. Praia Grande (1.020), Cubatão (425), Guarujá (400) e Mongaguá (330) finalizam a lista. 

De acordo com o coordenador do Elat, Osmar Pinto Junior, as características geográficas da região são responsáveis pelos números. A umidade acima da média por conta do manancial regional e cinturão verde da Serra do Mar aumentam a ocorrência de raios. Contribui ainda a poluição atmosférica, que favorece a formação de tempestades.

Na estação que se despediu nessa semana, a Baixada não registrou nenhuma morte por descarga elétrica. De acordo com o Elat, a cada 50 óbitos por raio no mundo, uma acontece no Brasil. E que uma média de 300 brasileiros por ano são atingidos por descargas elétricas, provocando ao menos 100 vítimas fatais. 

Osmar diz ainda que a maioria das mortes acontece em campos abertos, razão pela qual praias e descampados devem ser evitados assim que uma tempestade se formar.

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