Projeto contra erosão na Ponta da Praia pode se estender ao Canal 4

Resultados obtidos com o uso de bags em trecho da orla animam pesquisadores

16/08/2018 - 21:02 - Atualizado em 16/08/2018 - 21:09

Estudo desenvolvido pela Unicamp na Ponta da Praia será concluído em cinco anos (Foto: Rogério Soares/AT)

Após detectarem que a área da praia ganhou mais de 10 mil metros cúbicos de areia, os pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) envolvidos no projeto piloto contra a erosão na Ponta da Praia ainda trabalham em um projeto de recuperação da orla de Santos que seja capaz de impedir a perda de sedimentos em outros trechos.

A informação foi confirmada nesta quinta-feira (16), pelos dois professores responsáveis pelo estudo e pela implantação de um modelo com bags (sacos) de areia, os engenheiros civis Tiago Zencker Gireli e Patrícia Dalsoglio Garcia. Os dois têm cinco anos para concluir a pesquisa.

“O nosso interesse é, depois de um ano e meio, dependendo de como a praia vai se comportar, conseguir em paralelo pensar em um projeto para a recuperação da orla até o Canal 4, que é onde está tendo o processo erosivo mais forte”, explica Patrícia, que tem doutorado nessa especialidade. 

Ela afirma que a escolha pela Ponta da Praia foi apenas porque era o trecho com maior processo erosivo. “No piloto, pensamos em um projeto com impacto menor do que uma solução de obra fixa tradicional. Isso comprometeria muito mais a balneabilidade da praia, porque obras imersas causam mais recirculação e pioraria muito a praia”, explica.

Zenker deixou claro que a pesquisa não vai, obrigatoriamente, ditar as ações da Prefeitura. “A gente está falando de propostas. Prevemos propor algo. Se vai ser implementado ou não, depende de uma série de fatores que extrapolam a nossa ação. A gente está analisando para propor, mas isso não quer dizer que a Prefeitura vai ter de implantar”, diz o professor.

Para ele, essas coisas acabam correndo em paralelo. “O importante para nós é avaliar esse efeito, que é inédito no Brasil e em poucas obras no mundo. O resultado já é cientificamente relevante”.

Perda sistemática

A faixa de areia que vai da Ponta da Praia ao Canal 4 é a que vinha sendo mais afetada pela erosão. “A areia foi sendo perdida por conta do avanço do número de ressacas, além da perda de areia para o Canal do Porto, levada pela própria draga”, explica a professora da Unicamp.

O que os estudos mostram é que a erosão se intensificou por conta de diversos fatores, entre eles a mudança do eixo do Canal do Porto. “O alargamento do Canal casou uma recirculação que potencializou a retirada de areia daquele trecho. Quando a maré sobe, a tendência é que todo fluxo de água vá convergir para dentro do Canal. Na maré de vazante, a água sai do canal”.

Segundo a professora, o que aconteceu depois que o Canal foi alargado é que a corrente saía do canal, voltava em direção à Ponta da Praia e voltava de novo para o Canal. “Em vez de devolver, ela roubava mais areia para dentro do Canal. Esse foi um dos motivos que fez com que a gente escolhesse esse trecho para o projeto piloto”.

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