Processo seletivo para o PAM da Rodoviária é cancelado após confusão em prova

Candidatos relataram desorganização, falta de exames e acesso ao gabarito

25/02/2018 - 12:36 - Atualizado em 25/02/2018 - 23:07

Houve muita demora para entrada no local de prova (Foto: Jamila Conceição dos Santos/via WhatsApp)

O exame para contratação de funcionários para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Doutor Matheus Santa Maria, conhecida como PAM da Rodoviária, em Guarujá, terminou em confusão na manhã deste domingo (25) e o processo seletivo acabou cancelado. Houve tumulto e a Polícia Militar esteve no local.

Segundo relatos recebidos por A Tribuna On-line, houve demora para entrada dos candidatos em razão do baixo número de fiscais na porta, a prova começou com atraso quando ainda havia muitas pessoas do lado de fora tentando entrar, não tinha exames em número suficiente para todos os concorrentes e o gabarito vazou.

O processo seletivo era destinado ao preenchimento de 79 vagas na UPA, que passou a ser operada pela organização social (OS) Pró-Vida, responsável pelo certame. O exame aconteceu na universidade Unaerp Guarujá e seria aplicado em dois horários: 9h30 e meio-dia, dependendo do cargo.

"Só havia duas pessoas na porta conferindo RG e comprovante de inscrição, por isso atrasou e formou-se uma fila. Uns conseguiram entrar, outros ficaram para fora. Quem estava lá dentro esperava há mais de uma hora pela prova e queria começar logo. Quem estava lá fora sentia-se injustiçado por perder tempo", conta a desempregada Samara Pereira César, de 38 anos, moradora do Perequê. 

PMs estiveram no local durante confusão pela manhã (Foto: Gabriela Santos Novais/via WhatsApp)

De acordo com Samara, que concorria para o cargo de auxiliar administrativa, os candidatos que entraram foram liberados a começar a responder a prova por volta das 10h30, uma hora depois do horário previsto, ainda com muitas pessoas do lado de fora. "Eram pouquíssimos fiscais. Eles entregavam as provas e saíam da sala. O pessoal já começou a sacar o celular para olhar na internet".

Candidata a recepcionista noturna, Débora Cristina dos Santos Sundby, de 47 anos, moradora do Pae Cará, disse que não havia prova para todos os candidatos. "Eu estava na turma de 9h30. Parece que não tinha prova para todo mundo. O pessoal do piso 3 ficou sem prova e começou a reclamar. As pessoas foram descendo, batendo nas portas das outras salas e gritando que a prova havia sido cancelada, mandando parar de fazer".

Ela conta que, a partir daí, começou o tumulto. "Nós não conseguimos nem sair da universidade, porque tinha muita gente na porta. Até polícia veio para aqui".

Candidatos tiveram acesso ao gabarito da prova
(Foto: Vanessa Camargo da Costa/viaWhatsApp)

Concorrendo ao posto de técnica de enfermagem, Vanessa Camargo da Costa, de 36 anos, do Embaré, em Santos, diz que quem deveria fazer o exame às 9h30 só conseguiu entrar a partir das 10 horas. "Me disseram que não tinha fiscal, cada um entrava na sala que queria".

Ela conta que um grupo de candidatos ingressou em uma sala com a equipe da organização da prova e teve acesso ao gabarito. "Eles fotografaram e começou a circular no WhatsApp. Querem provar que há fraude".

Moradora do Jardim Boa Esperança, Gabriela Santos Novais, de 24 anos, relata que não viu fiscais nem a prova. "Quando entramos, a sala estava vazia. Mas a organização não deu mais conta de tanta gente e começou a enfiar na nossa sala. Óbvio que não ia ter prova para todo mundo, acho que só uma ou duas salas receberam".

Ela, que é candidata a recepcionista, reclama que não houve explicações da organização aos candidatos no local. Eles só receberam a informação de que todo o processo seletivo tinha sido cancelado.

Concorrendo ao cargo de recepcionista, Érika dos Santos Lopes, de 41 anos, chegou a pegar a prova, mas, 15 minutos depois, os fiscais a pediram de volta porque o processo havia sido cancelado. "Eu não acreditei e achei falta de respeito, já que estava lá desde as 8 horas e havia pessoas que estavam desde as 7 horas".

Explicações

Procurada por A Tribuna On-line, a Prefeitura de Guarujá respondeu, em nota, que a Secretaria Municipal de Saúde irá "apurar eventuais problemas no que diz respeito à prova e a outros procedimentos pertinentes".

A Secretaria disse ainda que cobrará da OS a resolução do que chamou de "possíveis intercorrências", de modo a "garantir a lisura e a transparência no processo, sem qualquer prejuízo aos candidatos".

Por meio da assessoria de imprensa, a OS Pró-Vida informou que o cancelamento das provas deste domingo ocorreu "por motivos externos que interferiram no andamento natural do processo".

Questionada sobre todas as reclamações dos candidatos quanto à desorganização do exame, a OS se limitou a dizer que "os fatos estão sendo apurados". "A nova data para a realização das provas será divulgada em momento oportuno, pelo site www.osprovida.org.br".

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