Prefeitura de Santos propõe 5,35% a servidores a partir de outubro

Índice seria aplicado a título de abono e somente seria incorporado ao salário em dezembro

20/03/2017 - 22:30 - Atualizado em 21/03/2017 - 13:04
Paulo Alexandre Barbosa recebeu vereadores e diretores sindicais na Prefeitura (Fernanda Luz/AT) 

Após 12 dias de greve a Prefeitura de Santos apresentou uma proposta de reajuste salarial aos servidores. A oferta é de 5,35%, referente à inflação dos últimos 12 meses, a título de abono a partir de outubro. Em dezembro, o índice seria incorporado ao salário. A Administração Municipal também manteve os 5,35% no auxílio-alimentação e cesta básica, que seriam aplicados retroativos a fevereiro. A categoria continua em greve até quinta-feira (23), quando acontece nova assembleia. 

“Nós fizemos este esforço adicional após o compromisso dos vereadores de que vão votar em caráter de urgência o projeto do Refis (refinanciamento de débitos), que vai garantir entrada de recursos na Prefeitura. Também vamos apostar na evolução da economia, de que a arrecadação melhorará no segundo semestre”, disse o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB).

A categoria tomou conhecimento da proposta por volta das 22 horas desta segunda-feira (20). Antes o chefe do executivo esteve reunido no Paço Municipal com os vereadores por uma hora e só depois, às 20 horas, recebeu os sindicalistas.

Impacto no orçamento
De acordo com a Prefeitura de Santos, o reajuste aplicado aos servidores a partir de outubro vai representar um aumento de R$ 16,8 milhões na folha salarial da Administração. O pagamento não se estende aos 319 ocupantes de cargos comissionados. 

A greve continua

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) decidiu manter a greve até quinta-feira (23), quando está marcada nova assembleia na Associação Atletica dos Portuários, às 19 horas. 

"O abono é para os dois últimos meses do ano, quando já teremos uma perda acumulada de mais de 10%. O sindicato não aceita e nem rejeita a proposta, mas lastima e vai levar a oferta para a assembleia", disse Flávio Saraiva, presidente do Sindserv. "Estou com meu estômago virado do avesso".

Acabamos de receber o segundo tapa na cara. O primeiro havia sido o reajuste de auxílio-alimentação e cesta básica, disse Flávio Saraiva

Dificuldade em negociar

Assim como em ocasiões anteriores, o prefeito lembrou que a diminuição das receitas municipais dificultam a negociação. “O Brasil vive a maior recessão dos últimos 70 anos, com o Produto Interno Bruto (PIB) negativo por dois anos consecutivos”.

A Administração Municipal alega que somente no ano passado, o Município teve queda na arrecadação e transferência de impostos de R$ 108 milhões, principalmente nos impostos relacionados aos setores de serviços e comércio (ISS e ICMS).

Neste ano, segundo a  Prefeitura, o cenário também não é animador, pois a situação se mantém no primeiro bimestre com uma redução em 17% do esperado para o mês de fevereiro e de 4% para janeiro.

 

Categoria ligada ao Sindserv esteve em frete à Prefeitura durante a reunião (Fernanda Luz/AT)

Reunião com o Sindest

Antes mesmo de receber os vereadores ou os dirigentes do Sindserv, o prefeito esteve como a diretoria do Sindicato dos Servidores Estatutários (Sindest), quando apresentou a proposta em primeira mão.

O presidente do Sindest, Fábio Pimentel, considerou a oferta “irrisória” e deixou a Prefeitura. Ele garantiu que vai manter as negociações no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

*Com informações de Sandro Thadeu

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