Praia Grande projeta acabar fila de cirurgias sem urgência

A Prefeitura pretende atender cerca de 1.700 pacientes em um prazo de 180 dias

07/12/2017 - 07:45 - Atualizado em 07/12/2017 - 09:16

Em até 180 dias, Praia Grande deve acabar com a fila de espera para cirurgias eletivas (sem caráter de urgência) na Cidade. A previsão é que 1,7 mil pacientes sejam submetidos aos procedimentos médicos no primeiro semestre de 2018.

O mutirão vai abranger todas as especialidades médicas, desde cirurgias infantis, de hérnias, pedra na vesícula, vascular, otorrino, urológica, laqueadura e vasectomia. Hoje, os pacientes aguardam até um ano na fila pelo procedimento.

A ação foi firmada por meio de um acordo entre a Prefeitura, o Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, e outras unidades filantrópicas da região com leitos particulares ociosos. “Praia Grande busca uma saída para solucionar o problema (falta de leitos para cirurgias eletivas) e propôs a parceria com entidades sem fins lucrativos”, explica o secretário municipal de Saúde, Cleber Suckow Nogueira.

De acordo com o prefeito Alberto Mourão (PSDB), o acordo com as entidades só foi possível após a reabertura do Hospital Municipal de Cubatão, na semana passada, e ampliação de vagas no Hospital Regional de Itanhaém.

“Com essas unidades em operação, desafogou cerca de 40 leitos (no Irmã Dulce), o que abre vagas para a recuperação do paciente no pós-operatório”, diz Mourão, que também preside o Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb).

O mutirão foi aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde (Comusa) no final do mês passado, ao custo estimado de R$ 2,5 milhões – aporte custeado pelo Município.

Mourão afirma que o custeio do serviço emergencial é sete vezes maior do que a receita atribuída pelo Ministério da Saúde para cirurgias eletivas – avaliada em R$ 350 mil. “Chegamos a um ponto que não dá mais para aguardar ações do Estado e da União. Buscamos, então, alternativas técnicas por meio de hospitais parceiros”, diz

Atualmente, pacientes chegam a esperar cerca de um ano pelo procedimento (Alexsander Ferraz/AT)

Deficit regional

O mutirão de cirurgias eletivas em Praia Grande deve reduzir em 16,5% o deficit desse tipo de procedimento nos nove municípios da Baixada Santista – 10,2 mil pacientes aguardam na fila para essas cirurgias, segundo o Condesb.

Mourão sustenta que parcerias com entidades sem fins lucrativos são alternativa para minimizar a demanda represada de cirurgias eletivas na região.

Conforme apurado pela Reportagem, a Santa Casa de Santos estaria disposta a ajudar as prefeituras locais na redução das filas por procedimentos clínicos sem caráter emergencial. A proposta é de parcerias com o Poder Público para a realização de mutirões esporádicos por especialidades.

Contudo, Mourão argumenta que a solução definitiva depende da abertura de mais leitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e maior repasse de verbas para os procedimentos eletivos. “A bandeira que defendemos é que as cidades da região tenham seus próprios hospitais. Isso vai reduzir a demanda por leitos de urgência e emergência e, gradativamente, pode-se programar as cirurgias eletivas”.

Levantamento do Condesb concluiu, em outubro passado, que 10.265 pessoas aguardavam em fila por algum tipo de cirurgias eletivas na região. E que os pacientes aguardavam entre sete e 18 meses pelo atendimento. O estudo indicou que boa parte desses casos poderia virar emergência e aumentar o índice de morte hospitalar.

No mês seguinte, sem informar a quantidade exata, a diretora Departamento Regional de Saúde (DRS-IV), Paula Covas, afirmou que esse número teria caído com ações realizadas em hospitais públicos da região.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde garante que o Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, já realizou 600 operações dessa natureza no ano. E junto com os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) de Santos e Praia Grande, outras 390 cirurgias serão feitas ainda nesse mês.

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