Onda de violência faz comunidade organizar vigilância por vídeo em SV

Central de monitoramento tem funcionamento ininterrupto e acesso por celular

18/02/2018 - 15:09 - Atualizado em 18/02/2018 - 15:20

Sistema de câmeras está montado na Vila Valença (Foto: Claudio Vitor Vaz/AT)

Moradores de São Vicente têm um sistema pioneiro em termos de vigilância comunitária: uma central de monitoramento 24 horas, bancada por eles mesmos. É uma solução que a comunidade encontrou para tentar minimizar os crimes que vêm acontecendo na porta de suas casas. 

 

“As câmeras serão monitoradas 24 horas por dia, sete dias por semana, por uma equipe. Os moradores também têm acesso a elas através de um aplicativo para celular. Assim, todos ficam conectados o tempo todo”, explica um dos diretores da Vigilância Solidária, Sidnei Camargo. 

“Também montamos um grupo de WhatsApp, no qual os moradores e os monitores trocam informações sobre o que está ocorrendo”, completa Maysa Oliveira, também gerente da empresa. 

A ideia, que partiu de João Carlos Couto, de 55 anos, se expandiu. O militar aposentado é fundador da Associação de Benefícios dos Servidores da Segurança Pública Unificada, que, com a empresa privada, montou a sala de monitoramento na Vila Valença, bairro com mais de 40 câmeras instaladas. A meta são 160.

“Nós tivemos uma melhora na sensação de segurança muito significativa. Nós queremos, também, conscientizar as pessoas para o coletivo, para que isso possa se expandir para outros locais”, diz Couto, que ajuda na instalação de câmeras em outros bairros próximos, como a Vila Fátima.

Moradora da Vila Valença desde que nasceu, Maiara Rossi, de 25 anos, foi contratada pela Vigilância Solidária para dar suporte técnico aos moradores. Como é do bairro, ela conhece bem os problemas da região. “Eu já tive mais de seis bicicletas roubadas do meu quintal, fora outras coisas. A sensação de segurança mudou muito, e o fato de eu ser daqui dá mais credibilidade ao que estamos fazendo”.

Integração

A Polícia Militar também terá acesso às imagens em tempo real. Além de receber login e senha para ver as filmagens o tempo todo, o plano é que haja ao menos um monitor em bases da PM para que tudo possa ser acompanhado ao mesmo tempo. 

“Nós já fornecemos imagens em casos de crimes que ocorreram na região, mas queremos que essa conexão seja ainda mais próxima e flua, para que os moradores se sintam mais seguros”, diz Camargo.

Crime 

Foi com base em imagens do sistema que policiais militares conseguiram identificar três criminosos que assaltaram uma residência na Vila Fátima, há cerca de 15 dias.

Durante a madrugada, um vizinho da vítima facilitou a entrada dos bandidos por sua casa e, lá, os criminosos mantiveram pai, mãe e filha adolescente em cativeiro. Eles levaram pertences da família. 

Segundo João Carlos Couto, a polícia aguarda apenas a expedição do mandado de busca e apreensão dos criminosos. Eles já seriam velhos conhecidos dos agentes.

“É claro que não é uma solução, mas é algo que estamos buscando para melhorar nosso dia a dia. Poder estar na rua sem ter medo de não voltar”, diz o militar aposentado.

A criminalidade aumentou ao longo dos anos, mas os latrocínios são o que mais assusta os moradores da Vila Valência e da Vila Fátima. A situação foi o estopim para que eles buscassem algum tipo de segurança particular. 

“Vimos crescerem os furtos e, depois, os roubos. Quando os latrocínios aumentaram, achamos que era hora de fazer algo”, diz João Carlos Couto.

Em setembro do ano passado, um caso de violência chocou a Vila Fátima. Rogério Pereira, de 37 anos, foi assassinado por criminosos quando chegava em casa. Os bandidos estavam roubando uma residência vizinha. 

Por lá, os relatos de pessoas que se sentem inseguras são comuns. Menos de um mês antes de Rogério Pereira ser assassinado, um casal de idosos foi feito refém quando chegava em casa e perdeu dinheiro e aparelhos eletrônicos, na Vila Valença. Uma noite antes, uma família foi feita refém, no mesmo bairro, por cinco horas. Teve todos os pertences levados.

“Chega uma hora em que você busca alternativas porque não aguenta mais viver com medo”, diz Couto. 

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