Noé, 89 anos e Leia, 52: nunca é tarde para casar

Casal decide oficializar a união, após 18 anos de convivência

10/08/2018 - 08:19 - Atualizado em 10/08/2018 - 08:19

Casal se conheceu depois que Noé ficou viúvo; já são 18 anos de convivência (Foto: Nirley Sena/AT)

Ele pintou os cabelos, fez as unhas, escolheu uma pulseira de ouro, vestiu o colete branco trazido especialmente de Portugal para a data e escolheu o melhor paletó, em tom esverdeado, para combinar com o vestido da noiva. Ela fez um penteado com um arranjo de pedrarias e usou colar de pérolas combinando com a pulseira. Era um dia especial. Afinal, o aposentado Noé Tomas dos Santos, de 89 anos, se casou. A noiva, a dona de casa Leia Barreto Dias, de 52, pela primeira vez ganhava uma aliança e um buquê pelo grande dia.

Os dois, de Santos, namoraram por 15 anos, mas foram 18 de convivência, cada um numa casa. Agora, juntaram o enxoval. Por isso, o cartório do 8º Tabelião de Notas de Santos, no Centro, ficou cheio na terça-feira (7). As cinco filhas de Noé, netos e bisnetos estavam lá.

Mariana dos Santos Carvalho, de 32 anos, empresária que mora com o avô, descreveu a ansiedade dele no dia. “Eu já o percebi agitado a noite inteira. Levantava, bebia água, ia ao banheiro. Umas seis da manhã, quando acordei, ele já estava levantado, mexendo nas coisas dele – o que não é comum. Eram ansiedade e felicidade espontâneas”.

Não era para menos. Os dois mantiveram as mãos unidas todo o tempo. Entre as confirmações da escrevente, o casal trocava olhares e brincava. Como ela raramente dormia na casa do noivo, Noé disparou para descontrair: “a noiva está suando por estar nervosa com a noite de núpcias”.

Novo rumo

Os dois se conheceram depois que Noé ficou viúvo. O português, que passou a maior parte da vida no Marapé, em Santos, precisava de uma empregada doméstica. Leia chegou. Foi amor à primeira vista.

“A gente ficava conversando, mas eu ficava pensando se ela não tinha marido. Então, ficava quieto”, contou ele.

Por isso, a santista Leia afirma que levou um ano para o patrão tomar coragem. “Quando ele falou, pedi para ele esperar, porque trabalhei na casa dele, mas saí para trabalhar em outro lugar e depois voltei. Percebi que pensava nele”.

Não houve pedido oficial de namoro. O casamento – na verdade, união estável, por ser mais rápido – foi um empurrãozinho da filha mais velha. “Fui a primeira incentivar, porque ela é uma ótima companhia, e ele gosta muito dela. A Leia é uma pessoa tão alegre que, assim que apareceu, o deixou muito mais feliz”, contou a filha Maria Rosária dos Santos Cardoso, de 65 anos, aposentada. Outra testemunha foi a filha Virgínia Conceição dos Santos Horta, psicóloga, de 54 anos. “A sensação é de dever cumprido”.

As alianças

Um dos momentos de mais emoção foi a troca das alianças. Num cartório, não é preciso que alguém leve os anéis dourados, mas seu Noé fez questão de chamar os bisnetos para segurarem a caixinha das joias.

O mais velho, Daniel, de 9 anos, gritou para a família: “é agora, é agora, é agora”, quando viu o bisavô colocando a aliança no dedo da nova bisavó. “Estou me sentindo o rei da história, porque quantos bisnetos podem ser pajem do bisavô?”, ressaltou.

Quem também estava emocionada era a neta Érica dos Santos Gaspar, de 27 anos, professora de pilates, que chorava enquanto fazia fotos pelo celular.

“Eles ensinaram que a gente não tem que deixar as coisas para amanhã. Tem que realizar os sonhos mesmo. Acredito muito no amor”, disse ela.

Enquato olhava nos olhos do marido, Leia explicou que o que a fez se apaixonar foram o carinho e o companheirismo. E ele saiu do cartório explicando a importância do amor.

“Ela veio por Deus. Com a primeira mulher, eu fiquei 44 anos. Esta parceira que eu conheci cuida de mim. O mais importante é se dar bem, e a gente se entende há 18 anos. Então, vamos continuar dando certo, até o fim, levando a vida numa boa”, desejou Noé.

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