Neblina interrompe travessia litorânea entre Santos e Guarujá

Paralisação por conta do fenômeno provocou longo tempo de espera entre os usuários dos serviços

19/07/2018 - 08:15 - Atualizado em 19/07/2018 - 15:58

Multidão aguardava desde madrugada para realizar travessia de barcas entre Santos-VC (Foto: Carlos Nogueira/AT)

A Baixada Santista amanheceu sob forte neblina nesta quinta-feira (19), trazendo transtornos para os usuários dos serviços de transporte marítimo na região.

As balsas e barcas entre Santos/Guarujá e Santos/Vicente de Carvalho ficaram paralisadas desde o início da madrugada, por volta das 2 horas, gerando grandes filas no embarque. Às 8h20, os serviços voltaram a operar.

Também por conta da falta de visibilidade, o Canal do Porto de Santos ficou fechado por 12 horas, impedindo a entrada e saída de navios do cais santista. De acordo com a Praticagem,  cerca 20 navios deixaram de entrar ou sair do cais. A situação já está normalizada desde às 15 horas.

Nas rodovias do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) há presença de neblina, que não provoca Operação Comboio, mas deixa a visibilidade parcial, segundo a concessionária Ecovias.

Pâmela e Adriano, moradores do Guarujá, tiveram que
aguardar a volta das balsas (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Queixas

Tribuna On-line ouviu dois usuários que desembarcaram em Santos, vindo de Vicente de Carvalho. Ambos relataram a mesma situação de longa espera e poucas informações.

Pâmela, auxiliar de limpeza de um cartório no Centro de Santos, conta que aguardou mais de uma hora e meia para atravessar. Segundo ela, ao chegar no ponto de embarque, se deparou com um grande grupo de pessoas que aguardavam a retomada do serviço. Mas não havia informações sobre por quanto tempo a travessia permaneceria interrompida, nem orientações aos usuários.

"As pessoas estavam reclamando bastante. Não tivemos orientações sobre o que fazer. Tinha neblina sim, mas não houve uma explicação, nenhum funcionário apareceu para dizer alguma coisa, se demoraria ou não [a travessia]", reclama.

Ainda segundo a usuária, o problema era o mesmo no trecho Santos/Guarujá. "Tem muita gente, conhecida nossa, falando que no Ferry Boat a situação está igual, com fila bem extensa".

Já Adriano, que é ajudante de eletricista e também mora em Guarujá, fez a travessia de bicicleta e esperou mais tempo ainda: chegou na plataforma de embarque às 5h30, esperando mais de três horas para fazer a travessia.

Ele afirma que também viu pessoas reclamando da situação. "A gente sabe que parou por causa da neblina, mas ninguém explicou nada", disse.

Em nota, a Dersa informou que, quando acontecem ocorrências deste tipo, os operadores prontamente avisam os usuários que estão esperando para embarcar, por meio de sistema de som presente na estação. ''Os usuários também conseguem acessar mais informações nos canais de comunicação da Dersa, incluindo contatos telefônicos, de e-mail, ouvidoria e correspondência, por meio do link http://www.dersa.sp.gov.br/contato/fale-conosco/''.

Motoristas aguardaram por horas para realizar a travessia de balsa entre Guarujá-Santos (Foto: Rogério Soares/AT)

Fenômeno é comum

Na Baixada Santista, a falta de visibilidade por conta das 'nuvens' é comum nesta época do ano. De acordo com informações do climatologista Rodolfo Bonafim, da ONG Amigos da Água, o nevoeiro que presenciamos com frequência é comum em regiões litorâneas e diferente da neblina que os motoristas vivenciam nos trechos de Serra do SAI.

O nevoeiro marítimo ocorre por conta da temperatura da água do mar (superfície) ficar mais fria nesta época do ano. A diferença entre as temperaturas do ar, mais quente, e do mar, mais fria, condensa gotículas de água e forma o fenômeno, que pode atingir, inclusive, os bairros mais afastados da orla.

"Muitos pensam que nevoeiro é sinônimo de tempo ruim, mas na verdade ocorre o contrário. Quando o tempo está bom, estável, e não há chuvas ou ventos, o nevoeiro se forma. Quando a temperatura esquenta, ou há presença de rajadas de vento, o fenômeno se dissipa".

Neblina começou a se dissipar por volta das 8 horas desta quinta-feira (19) (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Nevoeiro ou neblina?

Nevoeiro, neblina e névoa  - ou, ainda, cerração e nevoaça - são essencialmente a mesma coisa e podem ser descritos como a formação de uma nuvem próxima ao solo. A explicação é da professora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da Universidade de São Paulo (USP), Rachel Ifanger Albrecht.

Ainda segundo a professora, o ponto principal que difere os termos nevoeiro e neblina (ou névoa) é a visibilidade. O nevoeiro é uma nuvem densa, que deixa a visibilidade inferior a 1 km, enquanto a neblina é uma nuvem menos densa, com visibilidade superior a 1 km. 

"Essa nuvem, assim como as que vemos no céu, é formada pela condensação do vapor d'água em núcleos de condensação de nuvem, que são partículas (poeira, gases e material biogênico, por exemplo) suspensas no ar. É quando temos a formação de pequenas gotículas de nuvem", afirma Rachel.

De acordo com a especialista, o nevoeiro e a neblina podem ser previstos pelos meteorologistas com a utilização de informações como temperatura, umidade e nebulosidade (se haverá poucas ou nenhuma nuvem no céu).

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