Moradores de bairro de PG usam WhatsApp para evitar ação de criminosos

Vizinhos se comunicam em grupos do aplicativo para avisar sobre atitudes suspeitas nas ruas

12/08/2017 - 09:11 - Atualizado em 12/08/2017 - 09:30

Moradores usam o WhatsApp para detectar atitudes
 suspeitas e chamar a PM (Foto: Alberto Marques/AT)

A gota d’água foi quando a paróquia do bairro teve os bens saqueados. A ação de criminosos adiou por semanas a tradicional quermesse da Vila Antártica, em Praia Grande. Era o sinal que faltava para os moradores se unirem para pôr um basta na criminalidade que aterroriza a vizinhança.

A comunicação instantânea é a ferramenta escolhida para se proteger de assaltos, cada vez mais frequentes. Desde julho, moradores usam aplicativos de celular para trocar informações para evitar que sejam vítimas de bandidos.

Desta forma, cada vizinho se torna agente responsável pela segurança das demais residências, dificultando furtos. "Se uma pessoa vir alguma situação que aparece suspeita, imediatamente avisa os demais", diz a funcionária pública Sandra da Silva, administradora do grupo que é mantido no WhatsApp.

São mais de 250 moradores cadastrados em dois canais de comunicação. O olhar permanente dos moradores tem contribuído para ampliar a sensação de segurança no bairro, reduzindo delitos. "É um cuidado de um vizinho para o outro".

Furtos durante o dia, por exemplo, caíram sensivelmente. Os residentes se tornaram mais espertos contra assaltos à mão armada durante as primeiras horas do dia. "Dois ou três ladrões anunciavam assaltos quando a pessoa saía de casa para trabalhar. Era muito risco", conta uma moradora, sob anonimato.

Ao menos quatro residências foram alvo de crimes do tipo nos últimos três meses. Sandra explica que os próprios moradores se revezam para fazer a vigilância das vias do bairro. "Se uma mensagem chega com um possível risco, os homens da vizinhança vão lá para verificar o que está acontecendo. E a gente chama a polícia".

O canal de autodefesa do cidadão já colhe frutos. Um deles é um abaixo-assinado por mais segurança no bairro. A corrente chegou à Câmara Municipal, que cobrou mais atenção ao bairro. E motivou a realização de reunião com a cúpula da Polícia Militar, que traçou ação especial para conter o avanço da criminalidade.

Moradores também cobram providências por causa da ocupação irregular de um terreno particular. O local se tornou ponto de venda e consumo de drogas, que propicia a prática de delitos na região.

A Prefeitura afirma realizar ações constantes para resolver o problema. Cita, como exemplo, a oferta de atendimento a eventuais usuários de drogas aos serviços sociais mantidos no Município.

Outro lado

Segundo o subcomandante do 45º Batalhão da Polícia Militar, Argeo Arias Rodrigues Filho, o policiamento no bairro vai ser intensificado com suporte de equipes com motocicletas (Rocam) e da Força Tática, "além das operações, que permitem uma ação mais incisiva e persistente no bairro para concretizar a prisão de infratores".

Rodrigues Filho orienta as vítimas a registrarem as ocorrências, pois esses dados auxiliam no mapeamento da criminalidade. O levantamento é usado pela corporação para definir os pontos de atuação e possibilita uma atitude mais eficaz por parte de policiais.

Em nota, a Prefeitura menciona que a Vila Antártica dispõe de rondas permanentes da Guarda Civil Municipal (GCM), além de videomonitoramento em nas vias da localidade.

A Administração tem planos para instalar mais câmeras, conforme cronograma de ampliação baseado na demanda. Também orienta aos moradores a denunciarem atividades suspeitas pelos telefones 199 e 153. 

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